ECONOMIA SOLIDÁRIA – UMA ECONOMIA PARA VIDA

ECONOMIA SOLIDÁRIA – MAIS QUE UMA ALTERNATIVA

UMA REALIDADE FAZENDO ACONTECER UMA NOVA ECONOMIA SOCIAL E PRODUTIVA

SUNDERHUS; Adolfo Brás[1]

INTRODUÇÃO

Trabalhar compartilhando experiências e dúvidas significam criar uma dinâmica própria de aprendizado e relações que proporciona a construção consciente da identidade e do pertencimento local e regional para sustentabilidade da sociedade.

Assim aos poucos podem ser identificados os valores, os princípios, as estratégias em comum, a visão de futuro, dentre outros que reúnam todos os sujeitos envolvidos e comprometidos na complexidade e urgência dos problemas por que passam os cidadãos, há muito tempo, as possibilidades de que os governos possam solucioná-los buscando superar a ineficiência do modelo de políticas públicas e a insuficiência de recursos para financiá-lo que são cada vez mais evidentes.

Esta realidade leva os empreendimentos econômicos solidários – EES a se tornarem mais auto-dependentes na solução dos problemas que os afetam e de forma lamentável no contexto sócio econômico atual muito dessas famílias não estão em condições de fazê-lo não por culpa delas, mas porque não lhes foram proporcionadas as oportunidades nem de exercer o referido protagonismo.

Ao não possuírem estas oportunidades e este protagonismo, muitos empreendimentos econômicos solidários simplesmente não podem desenvolver-se; entre outros motivos porque não conseguem corrigir as suas próprias ineficiências, melhorar o seu desempenho no trabalho e incrementar a sua produtividade. Soma-se a estes a inadequada e a falta de formação, capacitação e acompanhamento destes empreendimentos que incide negativamente na produtividade ou rendimento dos demais fatores de produção, que geralmente são escassos.

 

O PROCESSO TRANSFORMADOR E FORMADOR DA ECONOMIA SOLIDÁRIA

Para vencermos estes paradigmas é necessário estimular o autodesenvolvimento dos empreendimentos econômicos solidários e criar as condições para desenvolver as potencialidades individuais e grupais dos atores sociais da economia solidária buscando elevar a sua autoconfiança e estimular as suas iniciativas em prol da autogestão e dos processos associativos com o propósito de gerar vontades e capacidades locais de autodesenvolvimento familiar, produtivo de forma coletiva para formar futuros empreendimentos econômicos solidários que queiram, saibam e possam atuar como eficientes solucionadores dos problemas existentes e que os governos e os governantes constituídos assumam esta atribuição de proporcionar a estes uma nova formação orientada e acompanhada com o propósito de diminuir as suas dependências e vulnerabilidades.

Este processo formativo  de natureza educacional de ensino  com método da aprendizagem tem como base os valores, as atitudes e o comportamento necessários para formar o novo paradigma para esta nova economia apoiando-se de forma decisiva no que se denomina currículo invisível que na prática a sua aplicação é uma medida que pode ser vista e assumida com os valores os talentos e o saber dos empreendedores da economia solidária obtendo valiosos resultados sociais, educativos, econômicos e produtivos e de  natureza comercial.

Assim a economia solidária carece de políticas públicas com ações mais realistas, objetivas e comprometidas com sua realidade e mais funcionais às suas necessidades de organização social e produtivas. Em outras palavras mais úteis, para que os empreendimentos econômicos solidários e suas formas de organização possam aplicar na solução dos seus problemas diários com métodos que desenvolvam as potencialidades das pessoas e ajudem-nas a transformarem-se em eficientes protagonistas desta economia e do desenvolvimento sustentável.

 

CONCEITUAÇÃO

Economia solidária conceitua-se como um jeito diferente de produzir, vender, comprar e trocar o que é preciso para viver, sem explorar os outros, sem querer levar vantagem, sem destruir o meio ambiente, cooperando e fortalecendo as organizações sociais, cada um pensando no bem de todos e no próprio bem. E, portanto um processo revolucionário.

Esta economia nos últimos anos vem se apresentando como inovadora e propositiva para geração de trabalho e renda como uma resposta a favor da inclusão social e fortalecimento e independência econômica e produtiva. Esta nova economia compreende uma diversidade e pluriatividade de práticas sociais e econômicas organizadas de forma autogestionária em cooperativas, associações, grupos formais e informais, clubes de troca, redes de cooperação, empresas autogestionárias, redes de bancos comunitários entre outras tantas expressões que realizam atividades de produção de bens, prestação de serviços, finanças solidárias, torças, comercio justo e solidário.

Assim de forma pratica e conceitual entende-se por economia solidária o conjunto de atividades econômicas de produção, distribuição, consumo, poupança e crédito, organizadas sob a forma de autogestão. Neste víeis a economia solidária busca através de suas iniciativas e de sua organização:

1-      Ser um movimento social independente e autônomo preservando seus valores e princípios;

2-      Ter como metas e objetivos a conquista de espaços políticos e públicos na estrutura de Estado;

3-      Manter sua identidade e pertencimento não permitindo que o movimento e o Estado se confundam e sim desenvolvam ações integradas e complementares;

4-      Ser o elemento mobilizador,  articulador e organizacional da sociedade urbana e rural com objetivo de discutir e avançar de forma propositiva o projeto popular desta nova economia;

5-      Desenvolver e fomentar os princípios da ética, da solidariedade, da igualdade, da justiça social e econômica e dos direitos de cidadania aos empreendimentos econômicos solidários e suas organizações sociais buscando sua renovação constante nestes princípios proporcionando uma nova forma de convivência institucional e organizacional;

6-      Promover dinâmicas de natureza transformadora com ação local e territorial objetivando construir um modelo de desenvolvimento sócio econômico produtivo e político a partir dos valores e dos saberes locais sendo os empreendimentos econômicos solidários os reais protagonistas na construção deste marco social, produtivo, econômico e político;

7-        Promover de forma critica e construtiva políticas públicas descentralizadas de acordo com as características e realidades territoriais de natureza social, produtiva, econômica, política e ambiental.

AVANÇOS E CONQUISTAS E EVOLUÇÃO CRITICA

Os avanços conquistados pela economia solidária ao longo desta duas decadas no Estado  são irrefutaveis. A consolidação e o fortalecimento do Forum Popular de Economia Solidária; a insittuião da Lei 8.256 que trata da Politica de Fortalecimento da Economia Solidária no Estado; a implantação do Conselho Estadual de Economia Solidária; a realização das Conferencias Regionais e Estaduais de Economia Solidária. No entanto a muito a mais para se avançar sobretudo no campo das relações institucionais e do governo estadual, na questão do crédito e financiamento popular que atenda as realidades sociais, produtivas e organizacionais da economia solidária; a questão tributaria com entendimento público de suas necessidades não como instrumento compensatório mas integrado a sua realidade sócio econômica.

Desta forma o Estado precisa avançar no sentido de ser permeável e permitir, promover e prover o atendimento das necessidades dos empreendimentos econômicos solidários repensando estruturalmente as instituições públicas existentes, se realmente e o seu objetivo de fazer avançar o projeto de uma nova ordem econômica e social, sem caráter ideológico e nenhuma semelhança com a doutrina do capitalismo vigente e que permeia a construção das políticas públicas vigentes, pois o projeto da Economia Solidária, tem sua natureza de caráter não excludente, com participação ativa das diversas comunidades e de suas organizações sociais de forma ampla e participativa.

Hoje como ponto moral os governos devem procurar promover políticas publicas estruturantes no sentido de estabelecer uma metodologia e mecanismos que permitam eliminar a miséria. Neste contexto a dinâmica social e produtiva da econômica solidária torna-se uma ferramenta importante para conquistar este objetivo a médio e longo prazo mas para tal e necessário o comprometimento de se estabelecer uma proposta de política pública de Estado com base nos princípios do capitalismo de base popular que permita a emancipação dos cidadãos e de suas organizações sociais de forma organizada em seus princípios, valores e saberes buscando romper com estruturas produtoras do empobrecimento e da subordinação dos saberes ao capital concentrando riquezas e produzindo pobreza social, produtiva, econômica e política aprofundando um capitalismo de base popular capaz de gerar o capital produtivo e social de base transformadora local e territorial saindo do víeis da produção de riqueza para uma produção equilibrada de sabedoria e do bem estar social e econômico.

Neste víeis a economia solidária não pode ser vista como sendo um processo localizado que “ajuda” as pessoas a sobreviver. Não é uma proposta compensatória. È uma proposta um projeto de transformação social, econômico e político que tem o seu inicio com a forma de se pensar as verdadeiras necessidades das comunidades, a construção e a consolidação do sentido e do sentimento coletivo da vida em organizações sociais fortes e protagonistas de suas ações. E, portanto uma proposta revolucionaria. Revolucionaria, pois propõe em suas ações a participação direta da sociedade e dos empreendimentos econômicos solidários em suas escolhas sociais, produtivas, econômicas e políticas rompendo com a submissão da geração patrão – empregado.

 

CONCLUSÃO

A economia solidária fundamenta-se em uma economia que valoriza o saber das pessoas e suas relações sociais e econômicas associando estas aos conceitos de produção para qualidade de vida com distribuição de renda, justiça social e econômica.

Assim os processos humanizadores por que passa a construção desta nova economia permite aos seus protagonistas e interlocutores uma visão mais critica e propositiva que possibilitará pensar nos problemas e nas perspectivas possíveis para que de forma duradoura sejam alicerçados procedimentos e políticas públicas de caráter social, produtivo e econômico que permitam o protagonismo dos atores e das organizações sociais da economia solidária na construção de sua história e de sua evolução permitindo o desenvolvimento sustentável.

 


[1] Engenheiro agrônomo

CREA – ES 2146 D / 11ª Região

Graduação em Agronomia – UFES, Alegre – ES, Brasil

ÁREAS DE ATUAÇÃO

1-        Organização Social e Redes Solidárias

2-        Microfinanças sociais

3-        Análise de Cadeias Produtivas

4-        Custo de Produção dos Arranjos Produtivos Locais

5-        Projetos Captação de Recursos – Agropecuária

6-        Projetos de Recuperação Ambiental

 

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