GERENCIAMENTO DA UNIDADE DE PRODUÇÃO FAMILIAR – PARTE II

GERENCIAMENTO DA UNIDADE DE PRODUÇÃO FAMILIAR

DESÁFIOS E OPORTUNIDADES PARA SUSTENTABILIDADE NA AGRICULTURA FAMILIAR

Adolfo Brás Sunderhus[1]

 

CARACTERIZAÇÃO HISTÓRICA

Até a década de 70 os agricultores familiares tinham como meta a produção de alimentos para o consumo das famílias e o excedente quando assim o tinha era destinado a comercialização com o objetivo de adquirir os bens que não eram produzidos na unidade de produção familiar buscando assegurar a subsistência da família.

Os principais problemas enfrentados eram:

1-             Isolamento pela falta de estradas

2-             Falta de transporte para os produtos agrícolas e da pecuária

3-             Rede ou cadeia de comercio local ou próxima

Para garantir a sustentabilidade familiar os agricultores passaram a produzir com o trabalho da família outra atividade voltada para a indústria caseira com objetivo de suprir a necessidade da família em alimentos como: queijos, embutidos, doces, pães, bolachas, açúcar mascavo, vinhos, licores, pinga além de ferramentas e equipamentos para o próprio trabalho como: cestos, peneiras, panos de prato, toalhas, roupas, calçados. Temos, portanto o estabelecimento da multifuncionalidade e pluriatividade[2] na agricultura familiar, sendo estes bens uma ferramenta- “moeda”, para comercializar ou trocar por outra mercadoria que não fossem produzidas na unidade familiar de produção.

Neste víeis concluímos que a agricultura e a produção artesanal sempre estiveram interligadas na unidade de produção familiar pelos talentos individuais e coletivos ali estabelecidos e quanto maior o isolamento maior a capacidade destes talentos se expressarem com maior riqueza e diversidade. Hoje as transformações impostas pelo capital tornaram as unidades produtivas cada vez mais dependentes dos mecanismos de mercado. Os agricultores de uma unidade de produção diversificada passaram a adquirir do mercado externo a maior parte dos bens de consumo como: insumos, instrumentos de trabalho, alimentos industrializados e muitas vezes o resultado de sua própria produção que sob a “nova roupa” imposta pelos processos da industrialização e do capitalismo passam a ser um “novo” modo de consumo pela chamada era da “modernidade”.

Outro fator importante no contexto histórico da agricultura familiar e sua forma de organização social e suas relações sociais. A organização dos movimentos sociais determina a atuação dos atores sociais promovendo o crescimento de novas organizações, permitindo um contrapondo de idéias e conceitos frente ao cenário da globalização, das políticas neoliberais e do avanço da agricultura convencional para atender a lógica do capitalismo.

Esta organização promove uma nova “institucionalidade”, determinando o fortalecimento da agricultura familiar para o crescimento e fortalecimento de organizações sociais e na capacidade destas em proporem soluções e construírem novos paradigmas para gestão que promovam a inclusão social e produtiva no meio rural.

Este processo de descentralização tem como ponto fundamental a autonomia local, a participação dos agricultores familiares na construção, no planejamento, na avaliação e na gestão das políticas públicas para este segmento e sua organização social. A experimentação deste novo processo político permite a descentralização de poder e de decisões e estas passam a ser parte integrante aumentando o poder de autonomia de decisões, de gestão e de controle de recursos sendo capaz de promover o desenvolvimento local com democratização dos processos de gestão social.

A PRODUÇÃO E REPRODUÇÃO SOCIAL E ECONOMICA NA UNIDADE DE PRODUÇÃO FAMILIAR

No processo de gestão familiar rural temos claro que este papel central e exercido pelo pai da familia, muito embora este paradigma através do dia a dia vem sendo direcionado para uma gestão compartilhada com os membros familiares. Mas em sendo esta uma maior realidade caberá ao pai da família direcionar como serão feitas as plantações e as demais ações na propriedade o os objetivos a serem atingidos.

No controle todos devem medir e avaliar os seus setores para saber se os objetivos estão sendo alcançados, podemos citar como exemplo prático e didático controlar a produção de um determinado plantio para saber se a produção alcançada esta compatível com a área plantada ou se atingiu a meta programada. Na propriedade deve-se ser observada sua lógica diferenciada, dada as peculiaridades do ambiente rural, com muitas variáveis, como dependência do clima, irreversibilidade do ciclo de produção, dependência de condições biológicas, estacionalidade da produção, trabalho ao ar livre, riscos, perecibilidade dos produtos e sistema de competição econômica. Também é importante o produtor estar preparado para tomar decisões analisando e fazendo a escolha entre todas as diferentes variáveis existentes.

Conhecer o processo de reprodução sócio econômica dos agricultores familiares nos remete a compreender como se estabelecem e interagem as suas relações entre a terra – fundiária; do seu perfil e da natureza das relações de trabalho na estrutura familiar e do papel e da importância de suas organizações sociais de representação. Estes aspectos são fundamentais para compreender as relações sociais e econômicas cuja aparente autonomia e extremamente influenciada pelo ambiente externo, ou seja, “a própria racionalidade da organização familiar não depende […] da família em si mesma, mas ao contrário, da capacidade que esta tem de adaptar e montar um comportamento adequado ao meio social e econômico em que se desenvolve” (ABRAMOVAY, 1998).


[1] Engenheiro agrônomo

CREA – ES 2146 D / 11ª Região

Graduação em Agronomia – UFES, Alegre – ES, Brasil

ÁREAS DE ATUAÇÃO

1-        Organização Social e Redes Solidárias

2-        Microfinanças sociais

3-        Análise de Cadeias Produtivas

4-        Custo de Produção dos Arranjos Produtivos Locais

5-        Projetos Captação de Recursos – Agropecuária

6-        Projetos de Recuperação Ambiental

 

[2] Pluriatividade – combinação de atividades agrícolas e não agrícolas no interior de uma família; ou com outra atividade agrícola geradora de renda como assalariado em outros locais. Esta riqueza cultural e econômica permite as famílias continuarem morando no meio rural, manter a produção na unidade produtiva familiar e o contato com o espaço rural, além de ocupar melhor a mão de obra e obter mais uma fonte de renda.

 

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