ORGANIZAÇÕES SOCIAIS E A SUSTENTABILIDADE ECONÔMICA E SOCIAL

ORGANIZAÇÕES SOCIAIS E O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL

Adolfo Brás Sunderhus[1]

Alessandra Soares Silva[2]

INTRODUÇÃO

Desenvolver ações buscando a organização social das pessoas através de processos coletivos para minimizar a existência de problemas e necessidades reais vividos e experimentados por um determinado grupo apresenta-se como sendo o mecanismo e a solução eficaz para resolvê-los.

No dias atuais fica cada vez mais evidente o agravamento de problemas e o aumento das necessidades, freqüentemente experimentadas pela população do meio rural e urbano, sem, contudo dispor de mecanismos próprios de resolução ou que permitam a construção de soluções externas, intensificando-se ainda mais em comunidades onde ainda não se tem a mínima organização social.

A agricultura familiar, expressão própria e do cenário do meio rural do Estado apresenta-se como um conjunto dinâmico, mas complexo nos aspectos social, produtivo, econômico, ambiental e político, onde a família é a proprietária dos meios de produção e assume o trabalho e a gestão dos recursos humanos e financeiros na unidade produtiva.

Esta realidade pressupõe um conjunto de intervenções públicas com ações especificas para este setor, em que a estratégia seja o somatório dos recursos financeiros, equipamentos, tecnologias e o desejo de varias pessoas, a qual permitira que este conjunto se realize de modo mais fácil e com menor custo evidenciando o somatório dos esforços no processo associativo, como elemento principal na resolução de problemas coletivos sendo o direito de associar-se um direito natural, próprio do processo de luta pela justiça social e econômica, pela qualidade de vida e pelas transformações do meio em que o ser humano vive e se relaciona.

 

CARACTERIZAÇÃO DE UMA ORGANIZAÇÃO SOCIAL

Entende-se por organização social toda e qualquer iniciativa formal ou informal que reúne pessoas físicas ou jurídicas com objetivos e interesses comuns visando superar necessidades e dificuldades além de gerar benefícios para os seus associados.

Formalmente as organizações sociais definem seus objetivos na forma jurídica pelo seu estatuto que busca legalizar a união de pessoas em torno de suas necessidades e objetivos comuns e sua constituição pode proporcionar a construção de maiores e melhores condições do que as que os indivíduos teriam isoladamente para realizá-las.

As organizações sociais assumem diversas e diferentes expressões tendo princípios que expressa à crença de que juntos podem encontrar soluções melhores ante os conflitos que a vida em sociedade nos apresenta.

Os princípios gerais que norteiam as organizações sociais podem ser expressos conforme abaixo:

1 – PRINCÍPIO DA ADESÃO VOLUNTÁRIA E LIVRE – são organizações voluntárias, abertas a todas as pessoas aptas a usar seus serviços e dispostas a aceitar as responsabilidades de sócio, sem discriminação social, racial, política, religiosa e de gênero.

2 – PRINCÍPIO DA GESTÃO DEMOCRÁTICA PELOS SÓCIOS – são organizações democráticas, controladas por seus sócios, que participam ativamente no estabelecimento de suas políticas, de sua gestão e na tomada de decisões.

3 – PRINCÍPIO DA PARTICIPAÇÃO ECONÔMICA DOS SÓCIOS – são organizações democráticas em que os sócios contribuem de forma eqüitativa e assumem a gestão democraticamente das suas organizações.

4. PRINCÍPIO DA AUTONOMIA E INDEPENDÊNCIA – as organizações sociais são autônomas de ajuda mútua, cuja gestão e controle é executada por seus membros podendo estabelecer acordo operacional com outras entidades, inclusive governamentais, ou recebendo capital de origem externa, e devem fazê-lo de forma a preservar seu controle democrático pelos sócios e manter sua autonomia.

5 – PRINCÍPIO DA EDUCAÇÃO, FORMAÇÃO E INFORMAÇÃO – as organizações sociais devem proporcionar educação, formação e capacitação aos sócios, dirigentes eleitos e administradores, de modo a contribuir efetivamente para o seu desenvolvimento.

6- PRINCÍPIO DA INTERAÇÃO – as organizações sociais atendem a seus sócios mais efetivamente e fortalecem o movimento de natureza coletiva trabalhando juntas, através de estruturas locais, regionais, estaduais e nacional.

7 – INTERESSE PELA COMUNIDADE – as organizações sociais trabalham pelo desenvolvimento sustentável de suas comunidades, municípios, regiões/territórios, estados e país através de políticas, diretrizes e ações aprovadas por seus membros.

 

Assim as organizações sociais, inclusive as de agricultores familiares deverão expressar de forma clara e objetiva entre seu objetivo o de congregar seus associados para juntar experiências organizativas produtivas sociais e de comercialização a fim de que consiga promover suas reivindicações de acordo com suas necessidades e ainda, aperfeiçoar as atividades de produção, comercialização, formação, a capacitação fortalecendo a defesa e a conquista de interesses e direitos comuns, a representação política e a evolução coletiva da qualidade de vida. Isto implica dizer que as organizações sociais assumem importante papel na formação de base sócio produtivo e política para as famílias e comunidade rural, responsabilizando-se por esclarecer aos seus associados de quais meios devem-se utilizar, para ultrapassar os obstáculos do preconceito e dos interesses da classe dominante em cada conflito. Neste víeis as organizações sociais de agricultores familiares apresentam como objetivos básicos congregar os seus associados para juntar experiência e promover de forma organizada reivindicações de acordo com as necessidades da experiência coletiva em que se organizam para realização de atividades produtivas, de comercialização, de formação e qualificação e ou de defesa dos interesses comuns e de representação política. Assim as organizações sociais assumem um trabalho de formação social e política importante para as famílias e para a comunidade rural que seja a de esclarecer a seus próprios membros e tentar vencer os preconceitos e interesses da classe dominante, em cada caso de conflito.

 

CONCLUSÃO

O processo de construção e formação de organizações sociais tem como objetivo geral o de representar uma determinada categoria social, economica, produtiva, cultural e outras formas que apresentam um importante víeis que e o da quebra e construção de paradigmas observando os valores a identidade e o pertencimento destas categorias sociais.

Apresenta-se ainda como um importante organizador e acumulador de conhecimento a partir do uso de metodologias participativas que obrigatoriamente tem sua expressão na troca de conhecimentos, saberes, experiências e vivencias daquele grupo social que se insere como participe desta ação.

Assim espera-se a partir desta construção coletiva e participativa:

  1. Desenvolver um olhar mais crítico, mais atento as lutas, aos sonhos e angustias dos agricultores familiares e de suas organizações sociais;
  2. Pensar nos problemas e nas perspectivas possíveis para que as famílias dos agricultores familiares tenham a partir de sua organização social tenha melhor condições de vida e de forma duradoura alicerçadas em uma política pública que permita a inclusão social e produtiva;
  3. Desenvolver um saber próprio fruto do trabalho e da convivência da sociedade e do poder público;
  4. Construção de organizações sociais seja um forte indicador de identidade cultural e do pertencimento das famílias dos agricultores familiares e da sua sustentabilidade através dos princípios da solidariedade e do comprometimento de todos no processo de formação das organizações sociais do meio rural.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

HÉLIA ROSANI TONIASSO; CELSO CORREIA DE SOUZA; ERON BRUM; REGINA SUEIRO DE FIGUEIREDO.  Agricultura Familiar e Associativismo Rural – O Caso da Associação Harmonia de Agricultura Familiar de Mato Grosso do Sul e a sua Sustentabilidade

 

ÊNIO G. DE MORAES; FERNANDO FLEURY CURADO. Os Limites do Associativismo na Agricultura Familiar de Assentamentos Rurais em Corumbá. MS

 

ANITA ALINE ALBUQUERQUE COSTA; TEREZA CRISTINA ALMEIDA RIBEIRO. O Associativismo no Meio Rural Brasileiro: Contradições e Perspectivas.

 

WANDERLEY, M.N.B. A agricultura familiar no Brasil: um espaço em construção. Reforma Agrária, Campinas, v.25, n. 2/3, p.37-47,1995.

 

 


[1] Engenheiro agrônomo

CREA – ES 2146 D / 11ª Região

Graduação em Agronomia – UFES, Alegre – ES, Brasil

ÁREAS DE ATUAÇÃO

1-       Organização Social e Redes Solidárias

2-       Microfinanças sociais

3-       Análise de Cadeias Produtivas

4-       Custo de Produção dos Arranjos Produtivos Locais

5-       Projetos Captação de Recursos – Agropecuária

6-       Projetos de Recuperação Ambiental

 

[2] Cursando Administração de Empresas

ÁREAS DE ATUAÇÃO

1-       Coordenação de inspeção municipal

2-       Organização social

3-       Cadeias produtivas

4-       Agroindústrias familiares

 

 

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