AGROPOLOS E A AGRICULTURA FAMILIAR

AGROPOLOS

FERRAMENTA PARA SUSTENTABILIDADE DA AGRICULTURA FAMILIAR

Adolfo Brás Sunderhus[1]

 

PRODUÇÃO FAMILIAR NO AMBIENTE NATURAL

A lógica da produção familiar está fortemente alicerçada na diversificação e na integração de atividades vegetais, animais, de transformação primária e de prestação de serviços e, por trabalharem em ambientes naturais com forte demarcação geográfica e em menores escalas sedimenta-se e se fortalece como a chave para representação de um modelo de desenvolvimento de uma agricultura de natureza sustentável.

A complexidade humana apresenta-se com uma riqueza de conflitos naturais, mas de possível entendimento. De um lado cada um de nos persegue os seus INTERESSES INDIVIDUAIS da forma que imagina. Por outro lado temos muito presente um forte sentimento de que temos DEVERES E OBRIGAÇÕES uns para com os outros, seja na família, seja na comunidade, na vida produtiva ou no convívio social.

Os agricultores familiares exercem um papel de fundamental importância na economia para o meio urbano dos municípios, sendo responsável em grande parte pelo sucesso dos negócios urbanos, por suprir a demanda interna de alimentos e pela manutenção das famílias no meio rural.

Melhorar esta condição, esta capacidade organizacional dos produtores, agregarem valor aos produtos originários da produção rural familiar bem como facilitar o acesso destes aos sistemas de comercialização tornando-os mais competitivos são alternativas que contribuem para o aumento da renda e para o desenvolvimento sustentável da família rural, da comunidade e município. Para que possamos alcançar estes objetivos torna-se necessário a adoção de uma série de fatores como a organização das cadeias produtivas e dos próprios agricultores familiares, a inovação tecnológica e as condições institucionais favoráveis, como, assistência técnica, crédito, infra-estrutura, mercado, acesso as informações, dentre outras.

Para tanto e necessário a adoção de um modelo de desenvolvimento que permita que esta tomada de decisão não se estabeleça apenas pela vertente da decisão política, mas sim pela sistematização de uma política pública comprometida com a quebra deste paradigma. Uma política pública cujo maior desafio seja a da sua construção respeitando a realidade social, cultural, econômica e de relações interpessoais e de marcado da agricultura familiar pautado na premissa de esforços ordenados em um espaço geográfico dentro de uma visão de curto, médio e longo prazo, para melhoria da qualidade de vida das famílias envolvidas através da inclusão produtiva e social permitindo geração de trabalho e aumento de renda.

Esta nova visão de planejamento estratégico precisa ser vista e entendida como uma rede social e produtiva envolvendo os agricultores familiares, respeitando as questões de gênero e geração, as instituições públicas e privadas, e as entidades de representação social dos envolvidos no processo desenvolvendo ações integradas que permitam o incremento a produção, a qualidade e a competitividade das cadeias produtivas locais.

AGROPOLOS

Segundo Vieira (1999) AGROPOLO representa um espaço geográfico onde atores econômicos, instituições públicas e organizações de representação da sociedade agem estrategicamente no sentido de melhorar a organização e a gestão tecnológica das cadeias produtivas sob um enfoque sistêmico pautado no desenvolvimento sócio econômico e fortemente amparado no desenvolvimento sustentável.

As ações para que este conceito seja experimentado, desenvolvido e praticado devem ocorrer de forma integrada e articulada entre todos os envolvidos no processo. Portanto elas devem ser realizadas com base programada em planejamentos conjuntos, participativos e de acordo com a realidade local, com orientação ao incremento sustentável dos níveis de produção e do padrão de qualidade dos diversos segmentos das cadeias produtivas em todas as suas fases desde a produção primária até aos processos de transformação a partir das agroindústrias familiares com foco nos mercados.

A metodologia dos agropolos tem como modelo de gestão ações de natureza participativa e construtiva gerando processos sociais e produtivos com base em organizações sociais de bases solidárias com autogestão, preservando as características da agricultura local, a sua lógica de produção e com respeito à diversidade cultural e ao saber dos agricultores familiares. Esta metodologia visa não apenas o lucro, mas principalmente a qualidade dos produtos destinada ao mercado e a maturidade das relações entre os diversos atores sociais envolvidos neste processo social e produtivo.

Desta forma o agropolo permite oferecer uma visão sistêmica e de longo prazo, objetivando assegurar eficiência econômica e o continuo processo de melhoria da competitividade, da qualidade de vida e do bem estar social dos agricultores, agricultoras, trabalhadores, trabalhadoras e jovens rurais.

PERMISSÕES DOS AGROPOLOS

O processo social e tecnológico desenvolvido pelo sistema de agropolos nos permite:

  1. Construir um diagnóstico econômico, social, tecnológico, ambiental e das potencialidades locais especificas do agropolo;
  2. Organizar as cadeias produtivas, diversificar a produção e a renda dos produtores;
  3. Melhorar o desempenho das cadeias produtivas já existentes;
  4. Elaborar projetos para que os produtores (as) dos agropolos passem a se inserir em novas experiências e cadeias produtivas;
  5. Estabelecer a necessidade de formação e capacitação dos agricultores (as), trabalhadores (as) e jovens rurais;
  6. Atrair investidores conforme o potencial de cada área mapeada – cadeias produtivas.

 

RESULTADOS ESPERADOS

Através do esforço integrado dos diferentes atores sociais responsáveis pela operacionalização desta metodologia esperamos alcançar os seguintes resultados:

  1. Multiplicar os recursos na unidade de produção e nos agropolos;
  2. Despertar o espírito do empreendedorismo;
  3. Fortalecer os processos de organização social tendo como principio a autogestão;
  4. Elevar a auto-estima dos agricultores familiares;
  5. Garantir a permanência da família no meio rural com dignidade e sustentabilidade econômica e social;
  6. Fortalecer as iniciativas de agregação de renda com base nas agroindústrias familiares;
  7. Fortalecer a identidade rural dos agropolos e do município;
  8. Ampliar e abrir canais de comercialização

REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS

  1. Estratégia de Desenvolvimento Espírito Santo 20 / 25 – Secretaria de Planejamento do Estado do Espírito Santo
  2. Potencialidades Regionais do Espírito Santo – Espírito Santo 20 / 25
  3. Instituto Agropolos do Ceará
  4. Instituto Barreto de Tecnologias

A visão do IBT sobre os agropolos brasileiros

  1. Agropolos – Sustentabilidade para agricultura familiar

Instituto UNIEMP

Inovação Uniemp v.2 n.1 Campinas Jan./mar. 2006

  1. Agropolos – Uma proposta para o desenvolvimento agrícola do município de Castelo

Prefeitura Municipal de Castelo

Secretaria Municipal de Agricultura e Meio Ambiente

 


[1] Engenheiro agrônomo

CREA – ES 2146 D / 11ª Região

Graduação em Agronomia – UFES, Alegre – ES, Brasil

ÁREAS DE ATUAÇÃO

1-        Organização Social e Redes Solidárias

2-        Microfinanças sociais

3-        Análise de Cadeias Produtivas

4-        Custo de Produção dos Arranjos Produtivos Locais

5-        Projetos Captação de Recursos – Agropecuária

6-        Projetos de Recuperação Ambiental

 

 

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