A ECONOMIA SOLIDÁRIA NO ESPÍRITO SANTO

ECONOMIA SOLIDÁRIA

HISTÓRICO NO ESTADO DO ESPÍRITO SANTO

 

SUNDERHUS; Adolfo Brás[1]

 

INTRODUÇÃO

A economia solidária é uma nova pratica construída a partir dos valores da cooperação, da solidariedade, da autogestão, do respeito á natureza e da valorização do trabalho humano, tendo em vista um projeto de desenvolvimento sustentável e solidário. É, portanto um modo diferente de organizar a produção, a distribuição e o consumo tendo por base a igualdade de direitos e de responsabilidades. É um movimento forte, amplo que surge do povo tendo suas raízes históricas nas ações e lutas das organizações de trabalhadores e trabalhadoras rurais e urbanos, nos movimentos populares e demais grupos engajados nas causas coletivas.

Esta forma de (re) pensar o trabalho humano surge como alternativa ao sistema capitalista e sua premissa de exploração do trabalho para o acúmulo de riquezas, dessa maneira a Economia Solidária representa um resgate histórico dos valores do trabalho tornando-se para os trabalhadores a possibilidade da construção de uma nova cultura do trabalho, voltada para valorização e dignidade do ser humano com respeito a vida. A economia solidária revela, portanto, uma opção em termos de valores humanos e desenvolvimento social sendo um instrumento de reconstrução social e alternativa para geração de trabalho e renda visando à eliminação das desigualdades sócias e econômicas e difundindo os valores da solidariedade e do exercício da cidadania.

HISTÓRICO NO ESPÍRITO SANTO

No Espírito Santo o marco inicial da Economia Solidária pode ser considerado com a criação do Fórum de Economia Popular Solidária – FEPS que surgiu com o objetivo de unir os grupos existentes no Estado a fim de facilitar os processos de gestão, produção, acesso a crédito, criação de redes e comércio justo, sendo que o fórum tem atuado desde a sua criação em 2001 de forma ativa visando o fortalecimento da Economia Solidária no Estado participando propositivamente de todas as instâncias de construção desta nova economia.

O Espírito Santo foi o primeiro Estado a implantar um Conselho Estadual de Economia Solidária – CEES no ano de 2006 sendo que o mesmo é composto de forma paritária por representantes do poder público e da sociedade civil organizada – coordenação do FEPS.

A Secretaria de Estado da Assistência Social e Desenvolvimento Humano – SEADH através da Gerência Estadual de Microcrédito e Economia Solidária têm trabalhado no sentido de articular parcerias com os setores da economia solidária no Estado através das deliberações do Conselho Estadual de Economia Solidária – CEES com o objetivo de contribuir para sua organização, para o seu fortalecimento e para a potencialização da comercialização através de novos canais de venda dos produtos permitindo o aumento dos lucros e fortalecendo as relações com o consumidor final e entre as pessoas.

A sustentabilidade econômica e social não é algo simples de ser conquistado. Por isso a SEADH entende que este objetivo somente será alcançado na medida em que as políticas públicas busquem e reconheçam o ser humano como o centro destas ações, respeite as diferenças nas pessoas e contemplem o potencial e as habilidades – talentos individuais e coletivos, locais e regionais. Este processo de equilíbrio econômico e social tem exigido do Estado à ousadia na proposição de políticas públicas estruturadas em planos de sustentabilidade social e econômico de longo prazo, permitindo desta forma que sejam criadas localmente as condições e os mecanismos para o desenvolvimento continuado deste potencial através do seu próprio aperfeiçoamento, querem pelo saber das pessoas ou por processos de formação e capacitação continuada.

Ao estabelecer este caminho para as políticas públicas, o Estado busca atender as necessidades locais e regionais gerando a criação de bases sólidas que permitam o crescimento equilibrado com o desenvolvimento sustentável da economia. Esta proposta tem como diretriz a valorização das pessoas e dos seus talentos, acreditando ser este o caminho para uma sociedade mais solidária, humana e comprometida com todos e todas, proporcionando a cultura da cooperação local e regional.

A ECONOMIA SOLIDÁRIA COMO POLÍTICA PÚBLICA

Com este viés, a Economia Solidária enquanto política pública busca estimular e desenvolver o equilíbrio entre a situação econômica e social permitindo a criação de estruturas de natureza financeira geradas de forma democrática e espontânea com base nas necessidades vivenciadas pelos atores envolvidos com a Economia solidária contribuindo para a construção de um sólido segmento econômico auto-sustentável através da inclusão social, produtiva e cidadã, promovendo o estímulo à participação social e a co-responsabilidade na gestão das ações públicas, por tratar-se de um modelo com ações construídas de forma coletiva tendo como base a cooperação e a ajuda mútua entre as instituições governamentais e sociedade civil organizada e entre as pessoas em prol do alcance de objetivos comuns e da redução das desigualdades sociais e econômicas.

Vivemos hoje no Estado um contexto político que busca pela estruturação de políticas públicas e de mecanismos que possibilitem de forma progressiva e sustentável que as populações encontrem um caminho que lhes garanta o comprometimento e o protagonismo histórico. Esta nova visão de gestão pública no contexto da economica solidária ascende uma discussão recente e que aos poucos vai adquirindo corpo dentro das políticas públicas do Estado sob a ótica de permitir aos cidadãos o acesso aos direitos universais do ser humano e de ser o protagonista de sua história.

CONCLUSÃO

Assim a ação de fortalecimento e fomento as iniciativas de Economia Solidária no Estado tem como objetivo principal a inserção dos atores sociais dos grupos e dos coletivos de trabalho que se fazem representar por meio de grupos formais e informais, associações, cooperativas ou redes de troca de bens e serviços e que se identificam no sistema de autogestão pela caracterização dos produtos diferenciados e pela opção de relações sociais e econômicas mais justas, eqüitativas e solidárias, incorporando novas tecnologias ao sistema produtivo com a agregação de valor aos bens produzidos sem perder o saber, a cultura e os valores adquiridos pela formação familiar e social das diversas etnias que formam a Economia Solidária.


[1] Engenheiro agrônomo

CREA – ES 2146 D / 11ª Região

Graduação em Agronomia – UFES, Alegre – ES, Brasil

ÁREAS DE ATUAÇÃO

1-        Organização Social e Redes Solidárias

2-        Microfinanças sociais

3-        Análise de Cadeias Produtivas

4-        Custo de Produção dos Arranjos Produtivos Locais

5-        Projetos Captação de Recursos – Agropecuária

6-        Projetos de Recuperação Ambiental

 

 

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