MICROFINANÇAS – TRANSFORMANDO REALIDADES

MICROFINANÇAS

INSTRUMENTO PARA INCLUSÃO SOCIAL E PRODUTIVA

 

SUNDERHUS; Adolfo Brás[1]

 

INTRODUÇÃO

Cada vez mais as microfinanças vêm tomando impulso como ferramenta de combate à pobreza e redução das desigualdades sociais em todo o mundo. Implantada como uma ferramenta que permita a sustentabilidade do setor produtivo do comercio e do serviço é uma importante linha que oportuniza crédito orientado de forma individual e coletiva que têm por objetivo viabilizar o crescimento e desenvolvimento sustentável das pequenas atividades produtivas sendo, portanto uma ferramenta para inclusão social e produtiva, sobretudo das populações mais carentes capaz de proporcionar o acesso a qualquer pessoa do setor formal ou informal da economia contribuindo para superação das desigualdades sociais e econômicas locais e regionais.

Para que este arranjo seja efetivamente experimentado com êxito e necessário que o seu beneficiário tenha consciência em sua tomada de decisão calculando bem o tamanho da sua necessidade (investimento ou capital de giro) e de que maneira poderá fazer bom uso dele sem comprometer a  sustentabilidade ou seja futuro de sua atividade produtiva. Portanto microfinanças é uma ferramenta que se utilizada sem planejamento, pode fazer o caminho inverso e pôr em risco sustentabilidade da atividade produtiva e do seu beneficiário.

 

 

FILOSOFIA DO CRÉDITO EM MICROFINANÇAS

“Quando uma criatura humana desperta para um grande sonho e sobre ele lança toda a força da sua alma …. todo universo conspira a seu favor.” W.Goethe.

Desta forma Yunnus como mestre de economia observou que o que ensinava a seus alunos estava muito distante da realidade das pessoas que viviam em uma comunidade pobre ao lado da universidade. Assim decidiu que algo deveria ser feito. Buscando resolver um problema localizado começou a estudar a dinâmica da economia daquele local, observando os seguintes aspectos: como faziam para ganhar dinheiro, do que viviam quanto ganhavam, para aprender como poderia atender a população daquela comunidade. Um dos pensamentos fortes e evidente na resolução dos problemas foi que se aquelas pessoas não tivessem acesso a uma fonte de financiamento nunca sairiam da condição de miséria em que viviam, pois seriam eternamente dependentes daqueles que lhe davam as migalhas apenas suficientes para sobreviverem. O estudo demonstrou:

1-     As pessoas que ali moravam eram pobre e extremamente pobres;

2-     Elas não precisavam de pessoas assistencialistas ou paternalistas;

3-     Elas tinham uma forte relação de dependência social e econômica;

Yunnus teve o entendimento de que a forma de transformar esta realidade estava no crédito, uma palavra de um significado muito mais profundo do que simplesmente dinheiro. Crédito vem do latim “creditare” que significa acreditar. Portanto conceder crédito a uma pessoa é na verdade acreditar nela. Esta ação significa que estamos acreditando no seu potencial de transformar o crédito em mais renda para sua família, na melhoria da qualidade de vida. E acreditar na sua capacidade e na sua competência transformadora e em que ela pagará. Ou seja, acreditar no talento das pessoas e no seu futuro. Assim ao acreditar no futuro das pessoas e no que farão e não no seu passado o microcrédito acredita que todas as pessoas, por mais miseráveis que sejam sabem e são capazes de fazer alguma coisa para gerar renda suficiente para sustentarem a si mesma e suas famílias.

A crença nesta capacidade humana é o grande diferencial do microcrédito. Yunnus recorreu a um antigo ditado “é mais importante ensinar a pescar do que dar o peixe para as pessoas”. Neste contexto ele acrescentou “deve-se também conceder o crédito para comprar a vara de pesca, sem a qual não se pesca”. Assim as políticas públicas de microcrédito devem ter como princípios:

1-     A microfinança não poder ser confundida com caridade e nem ser uma política compensatória;

2-     A microfinança acredita em pessoas completas e competentes, com habilidade e potencial;

3-     A microfinança acredita que a partir da oportunidade de acesso ao crédito as pessoas têm a oportunidade e as condições de gerar renda e melhoria da qualidade de vida e a sustentabilidade de sua atividade produtiva;

4-     A microfinança repudia a noção de que os pobres têm que necessariamente receber dinheiro subsidiado colocando-os em uma situação de inferioridade social e econômica;

5-     A microfinança repudia o assistencialismo;

6-     A microfinança acredita na auto-suficiência, ou seja, na economia com base na autogestão que e base para o desenvolvimento sustentável expressando-se assim um dos princípios da economia solidária.

Portanto, para que não haja desvios dos objetivos principais dos programas de microfinanças comprometidos com a população excluída do sistema bancário tradicional é necessário que as novas institucionalidades de crédito social se baseiem nos seguintes pontos básicos (BARONE.etal., 2002):

1-     Dar prioridade as populações que não têm acesso ao sistema bancário convencional;

2-     Possuir mentalidade não assistencialista ou paternalista nas análises e concessões de crédito;

3-     Concessões de crédito de pequenos valores;

4-     Deve-se estimular o espírito associativista e cooperativo entre os tomadores (as) de crédito, sendo uma das principais formas o aval solidário;

5-     A análise de concessão do crédito deve ser personalizada e deve estar de acordo com a realidade e a capacidade de pagamento do tomador (a) de crédito em sua atividade / cadeia produtiva;

6-     Introdução de uma cultura educativa na tomada de crédito por meio do sistema de crédito orientado, ou seja, liberação aos poucos dos valores dos créditos, com prazos muito pequenos de pagamento das parcelas;

7-     Acompanhamento e fiscalização constante dos agentes de crédito, especialmente treinados para esse tipo de atividade;

8-     Os agentes devem procurar os potenciais tomadores (as) de crédito nas comunidades bairros e não o inverso;

9-     Para aumentar a adesão e o sentimento de cooperação entre os agentes, deve haver um trabalho de sensibilização, educação e coordenação dos mesmos devendo ser realizado em conjunto pelo setor público, privado e do terceiro setor, para que se possa conferir maior credibilidade para o programa, além de fortalecer is agentes de crédito envolvidos.

CONCLUSÃO

O termo microfinança significa fornecer aos mais pobres serviços financeiros diversos em quantidade e qualidade adequados a sua realidade e as suas necessidades objetivando diminuir as desigualdades sociais e econômicas locais e regionais. Desta forma os programas de microfinanças não tem um caráter partenalista e compensatório pois os créditos devem ser pagos o que permite estabelecer junto aos beneficiários a oportunidade de um senso de responsabilidade que os programas compensatórios e paternalistas não expressam ou possuem.

Neste víeis podemos afirmar que políticas de microfinanças têm como objetivo reduzir os níveis de pobreza e de pobreza absoluta somando-se a outras políticas estruturantes de caráter social produtivo e economico. Esta busca pela redução das desigualdades encontra defesa e sustentabilidade ética e política, pois muitos nela acreditam e os modelos de microfinanças hoje experimentados, sobretudo pela organização da sociedade civil é um dos instrumentos mais trabalhados para se atingir este objetivo em especial o das finanças solidárias e dos bancos comunitário.


[1] Engenheiro agrônomo

CREA – ES 2146 D / 11ª Região

Graduação em Agronomia – UFES, Alegre – ES, Brasil

ÁREAS DE ATUAÇÃO

1-        Organização Social e Redes Solidárias

2-        Microfinanças sociais

3-        Análise de Cadeias Produtivas

4-        Custo de Produção dos Arranjos Produtivos Locais

5-        Projetos Captação de Recursos – Agropecuária

6-        Projetos de Recuperação Ambiental

 

 

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