O LIVRO DOS POBRES RURAIS – INTRODUÇÃO

O LIVRO DOS POBRES RURAIS

DESENVOLVIMENTO AGROPECUÁRIO: da dependência ao protagonismo do agricultor

INTRODUÇÃO

Adolfo Brás Sunderhus[1]

 

A agricultura de natureza familiar e ou campesina deste os seus primórdios tem se sustentado e se desenvolvido a partir dos conhecimentos e saberes passados de geração em geração e pela interlocução com políticas públicas de natureza emancipatórias que geram oportunidade de fortalecimento e desenvolvimento produtivo economico social e político.

Assim buscando enriquecer o conhecimento e nossa prosa sobre este tema estará a partir de hoje sendo postado toda semana no Terra&Prosa o LIVRO DOS POBRES RURAIS que terá como objetivo aumentar e enriquecer nossa leitura e prosa que aborda o tema central deste blog focado no desenvolvimento sustentável.

Uma boa leitura e reflexão.

O LIVRO DOS POBRES RURAIS

DESENVOLVIMENTO AGROPECUÁRIO: da dependência ao protagonismo do agricultor

INTRODUÇÃO

É NECESSÁRIO E POSSÍVEL EMANCIPAR OS AGRICULTORES DA DEPENDÊNCIA DO FRACASSADO PARTERNALISMO ESTATAL

Polan Lacki[2]

 

Este livro foi redigido com o deliberado propósito de demonstrar que todos os agricultores podem fazer uma agricultura eficiente e sustentável; por mais escassos que sejam os seus recursos materiais e financeiros; por mais adversas que sejam as suas condições físico-produtivas. O texto foi elaborado com a finalidade de que todos os produtores rurais possam ter pelo menos a oportunidade de melhorar, avançar e progredir, utilizando de maneira mais racional e produtiva os recursos que eles possuem.

Este livro apresenta uma proposta para solucionar os problemas dos agricultores que é “diferente” e intencionalmente simplificada, a fim de que a sua adoção possa ser democratizada/generalizada. Neste livro se demonstra que as principais causas da pobreza rural, não necessariamente residem na falta de decisões políticas de alto nível, de créditos e subsídios ou na insuficiência dos recursos produtivos que possuem os agricultores; pois os recursos mínimos para iniciar o processo de desenvolvimento geralmente estão disponíveis, mas estão sub ou mal aproveitados, por falta de conhecimentos. Também se demonstra que as referidas causas não necessariamente estão no colonialismo, no imperialismo, no neoliberalismo, na globalização ou nos subsídios que os países ricos concedem aos seus produtores rurais. As causas mais profundas estão na inadequação dos conteúdos curriculares e na péssima qualidade do nosso sistema de educação rural.

Este livro é um “convite” para que façamos uma autocrítica e não continuemos perdendo tempo em identificar supostos “inimigos externos”, tão remotos no tempo e tão longínquos no espaço, como os mencionados no parágrafo anterior. Neste livro se propõe que nos dediquemos, prioritariamente e de maneira muito mais construtiva, a eliminar os “inimigos internos” que estão nas atitudes e nos procedimentos que os agricultores (mal formados, mal capacitados e desorganizados) adotam nas suas propriedades, nas suas comunidades e nos mercados agrícolas.

Aquí se demonstra que as ineficiências cometidas pelos próprios agricultores, não por culpa deles evidentemente, são importantíssimas causadoras da baixa rentabilidade na agricultura e conseqüentemente da pobreza rural. Entre outras, as seguintes:

  1. Baixíssimos rendimentos médios por hectare e por animal, devidos à inadequada (ou à não) adoção de tecnologias de baixo custo que, para serem aplicadas, nem sempre requerem de recursos adicionais aos que os agricultores já possuem.
  2. Insuficiente ou inadequada diversificação produtiva que expõe os produtores rurais a uma excessiva dependência do crédito rural e a desnecessários riscos e vulnerabilidades de clima, de pragas e de mercado.
  3. Sub-utilização/super-dimensionamento/ociosidade de fatores de produção mais caros que incrementam, desnecessariamente, os seus custos de produção ( terra, maquinária, instalações, animais, etc ).
  4. Excessiva intermediação na aquisição dos insumos e na comercialização dos excedentes, ambas provocadas pelo individualismo dos agricultores.
  5. Baixa qualidade dos bens produzidos e sua venda sem incorporação de valor.
  6. Produção de espécies de baixa densidade econômica ( pobres rurais produzindo aqueles bens que coincidentemente são consumidos pelos pobres urbanos ). Estas seis ineficiências, que poderiam e deveriam ser evitadas e/ou corrigidas pelos próprios agricultores, são as causas que, com maior freqüência, determinam o seu fracasso econômico. Eles mesmos poderiam eliminá-las, com a única condição de que o sistema de educação rural ( escolas fundamentais rurais, escolas agrotécnicas, faculdades de ciências agrárias e serviços de extensão rural ) fizesse os seus “deveres de casa”. Isto é, se o referido sistema formasse e capacitasse extensionistas e agricultores com real capacidade de corrigir as ineficiências e de solucionar os problemas produtivos, gerenciais e comerciais que ocorrem nas atividades agrícolas e pecuárias.

Este livro indica que depois que o mencionado sistema de educação rural fizer os seus “deveres de casa”, os agricultores tornar-se-ão:

  1. Menos dependentes de créditos e subsídios que os nossos desfinanciados governos têm enormes dificuldades para proporcionar à totalidade dos produtores rurais,
  2. Menos vulneráveis aos subsídios e medidas protecionistas que os países ricos simplesmente se recusam a eliminar;
  3. Menos vulneráveis às decisões e/ou omissões dos nossos governos e dos organismos internacionais tais como o FMI, Banco Mundial, OMC, etc. Então, se é possível promover um desenvolvimento agrícola e rural mais endógeno e mais auto-dependente, no qual os próprios agricultores possam corrigir as suas ineficiências e solucionar os seus problemas, por quê e para quê complicar o que pode ser “descomplicado”? Neste livro se descreve que tal “descomplicação” é possível… E o que é mais importante, é eficaz.

 

Para contato com o autor do Livro

Email: polan.lacki@onda.com.br ou polan.lacki@uol.com.br


[1] Engenheiro agrônomo

CREA – ES 2146 D / 11ª Região

Graduação em Agronomia – UFES, Alegre – ES, Brasil

ÁREAS DE ATUAÇÃO

1- Organização Social e Redes Solidárias

2- Microfinanças sociais

3- Análise de Cadeias Produtivas

4- Custo de Produção dos Arranjos Produtivos Locais

5- Projetos Captação de Recursos – Agropecuária

 

[2] Polan Lacki

Nasceu e viveu a sua infância e adolescência na zona rural do município de Foz do Iguaçu, Paraná. Graças a esta circunstância começou a conhecer desde criança os problemas da agricultura convivendo com eles e aprendeu a executar várias atividades agrícolas e pecuárias, executando-as. É engenheiro agrônomo formado pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro.

As grandes perguntas para a sustentabilidade da agricultura familiar: “o quê e como fazer para que os agricultores pudessem ser eficientes e competitivos com menos créditos, com menos subsídios, com menos investimentos, com menos garantias oficiais de comercialização, em fim, com menos Estado”. A viabilidade e a eficácia dessas soluções “que custam pouco, mas rendem muito“ estão demonstradas no Livro dos Pobres Rurais que você a partir deste capitulo terá toda semana para ler e prosear com você mesmo e com seus colegas e companheiros e companheiras de trabalho.

 

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