O LIVRO DOS POBRES RURAIS – CAPÍTULO V PARTE II

O LIVRO DOS POBRES RURAIS

DESENVOLVIMENTO AGROPECUÁRIO: da dependência ao protagonismo do agricultor

É necessário e possível emancipar os agricultores da dependência do fracassado paternalismo estatal

Polan Lacki[1]

ALTERNATIVAS TECNOLÓGICAS, GERENCIAIS E ORGANIZACIONAIS PARA UM DESENVOLVIMENTO MAIS ENDÓGENO E AUTOGESTIONÁRIO

PARTE II – CONTINUAÇÃO…

Neste capítulo serão apresentadas várias alternativas tecnológicas, gerenciais e organizacionais com o objetivo de demonstrar que os agricultores poderiam diminuir de forma muito significativa, sua dependência dos fatores externos e protagonizar seu autodesenvolvimento; com a condição que eles dispusessem de tecnologias apropriadas e estivessem capacitados para adotar as seguintes inovações:

6) ADOÇÃO DE TÉCNICAS ADEQUADAS DE SEMEADURA quanto a época, profundidade e espaçamento; fazer teste de germinação e regular a semeadeira, são medidas que não custam, porém permitem obter um espaçamento adequado; se este for insuficiente os espaços disponíveis serão ocupadas pelas ervas daninhas e serão elas (e não a espécie cultivada) as que se beneficiarão dos fertilizantes que eventualmente sejam aplicados. Pequenos e evitáveis atrasos na época de semeadura provocam grandes reduções nos rendimentos. Semear bem não significa necessariamente gastar mais, mas sim ganhar mais.

Por exemplo, semear em linhas em vez de fazê-lo a lanço (trigo, cevada, aveia, etc.); colocar só uma semente e reduzir a distância em vez de ampliar tal distância e colocar várias sementes em uma só cova. Estas medidas elementares diminuem a quantidade de sementes; facilitam os trabalhos e reduzem o custo das capinas; e aumentam os rendimentos por hectare.

7) ELIMINAÇÃO OPORTUNA DE ERVAS DANINHAS utilizando a mão-de-obra familiar ou equipamentos de tração animal, normalmente disponíveis, em vez de usar herbicidas e tratores que são caros. A eliminação das ervas daninhas é uma das atividades que mais esforço físico e mais tempo absorve da mão-de-obra familiar, especialmente se estas não são eliminadas no início do ciclo vegetativo. Por tal motivo, é necessário outorgar mais ênfase às eficazes medidas de prevenção; entre elas sua eliminação na etapa inicial de crescimento, com o fim de romper o ciclo vegetativo (não permitir que sementeiem) e com isto diminuir e facilitar o penoso trabalho das capinas; ou semear com espaçamento adequado para que o solo esteja bem coberto; ou antecipar a data de preparação do solo para que as ervas daninhas possam emergir e serem eliminadas antes de semear a cultura; ou utilizar cobertura morta; ou introduzir plantas alelopáticas, etc.

Como se vê, medidas de fácil adoção e baixo custo permitiriam aos agricultores diminuir as esgotadoras e caras jornadas de capinação e lhes possibilitariam aumentar os rendimentos; ambos contribuiriam a reduzir os custos unitários de produção, sem necessidade de recorrer a tratores e/ou herbicidas.

Adicionalmente, se os agricultores adotassem as outras medidas incluídas neste capítulo, poderiam incrementar os rendimentos das suas culturas; isto por sua vez lhes permitiria diminuir a superfície cultivada e conseqüentemente reduzir ainda mais o trabalho e os gastos com o controle de ervas daninhas.

8 ) ADOÇÃO DE PRÁTICAS DE “MANEJO INTEGRADO DE PRAGAS” para reduzir o excessivo e às vezes desnecessário uso de pesticidas. É necessário combater o conceito equivocado de que manejo de pragas é sinônimo de aplicação de agroquímicos. Estes poderiam ser total ou parcialmente eliminados dos processos produtivos da maioria das atividades das pequenas propriedades, se os agricultores adotassem as eficientes e eficazes medidas de “manejo integrado de pragas” mencionadas a seguir:

  • diversificar a produção;
  • semear culturas consorciadas ou associadas;
  • utilizar variedades mais resistentes a pragas e doenças;
  • usar sementes e plantas sadias;
  • fazer rotação de culturas;
  • utilizar plantas repelentes de pragas e/ou atraentes de inimigos naturais das pragas;
  • instalar armadilhas ou iscas;
  • empregar inimigos naturais;
  • adotar pesticidas só como último recurso, depois que as alternativas de menor custo e menor dano demonstrem ser ineficazes ou insuficientes.

Inumeráveis e reiteradas experiências executadas pelas instituições oficiais de pesquisa agrícola dos países da América Latina, têm demonstrado enfaticamente que é possível reduzir, em forma significativa, a quantidade de pesticidas e o número de suas aplicações, sem diminuir os rendimentos por área cultivada. Naturalmente, se os agricultores não adotarem estas práticas alternativas, seguirão necessitando usar crescentes quantidades de agroquímicos, os quais aumentarão desnecessariamente seus custos de produção, matarão as pragas e também os inimigos naturais destas; com tal procedimento entrarão em um círculo vicioso, que beneficiará principalmente a uns poucos fabricantes e provedores destes pesticidas, com visíveis prejuízos para milhões de produtores e danos para milhões de consumidores e para o meio ambiente.

9) APLICAÇÃO DE MEDIDAS ZOOTÉCNICAS E VETERINÁRIAS, como por exemplo: melhor alimentação dos animais com recursos forrageiros produzidos no próprio sítio; vacinações e desparasitações no momento adequado; permanente limpeza das instalações; desmame precoce; manejo racional dos pastos, dos animais e da reprodução; cuidados no parto; proteção ao recém-nascido (contra frio, vento, umidade, predadores, etc); desinfecção do umbigo; castração no momento adequado seguindo normas elementares de higiene; realização de duas ordenhas diárias, etc. Com estas medidas de baixo custo e fácil adoção é possível: aumentar, em forma muito significativa, a produção de carne, leite, lã, etc; alongar o período de lactação; aumentar a frequência dos partos e o número de animais nascidos e desmamados em menor espaço de tempo e por conseguinte em uma menor superfície de terra; tudo isto sem necessidade de endividar o agricultor na aquisição de um maior número de animais.

10) UTLIZAÇÃO DE PRÁTICAS QUE DIMINUEM AS SIGNIFICATIVAS PERDAS (nem sempre perceptíveis) que ocorrem durante o processo produtivo, na colheita (por falta de habilidade dos operadores ou de equipamentos adequados, por não fazê-la no momento oportuno, etc.), na trilha, no transporte, na armazenagem, no consumo pelos animais (23*) e na comercialização. É possível diminuí-las em forma significativa por meio de procedimentos que os agricultores poderiam adotar sem custos adicionais, se estivessem conscientes da magnitude das perdas e se estivessem adequadamente capacitados para evitá-las. Por exemplo: utilizar variedades menos susceptíveis à debulha, adotar técnicas melhoradas de trilhagem, prevenir contra os ratos, guardar as colheitas em sacos de polietileno de baixo custo, etc.

Estas técnicas de conservação não só permite reduzir as perdas, como também postergar a venda dos produtos excedentes para épocas de menor oferta e conseqüentemente de melhores preços.

Algo tão elementar como colher de imediato o produto maduro, normalmente não se realiza; muitas vezes o produtor expressa razões pouco convincentes para deixar o produto na lavoura por demasiado tempo, sem se dar conta de que ao colhê-lo já tem menor quantidade e está infectado por insetos que seguirão destruindo-o nos paióis ou depreciando-o se deseja vendê-lo. Entre os médios e grandes agricultores, são impressionantes as perdas na colheita de grãos devido a inadequação da maquinaria ou a deficiente regulagem ou operação das colheitadeiras.

Se continuarem ocorrendo as grandes perdas em todas as etapas antes mencionadas, continuaremos no seguinte paradoxo: a terra insuficiente, o crédito difícil, os insumos escassos e os esforços dos agricultores seguirão sendo em grande parte destinados a produzir bens que, lamentavelmente, jamais trarão qualquer benefício a eles e nem a humanidade. Geralmente não existe proporção entre:

  • os grandes esforços que fazem os agricultores para ter acesso aos fatores de produção e para obter colheitas mais abundantes; e
  • a pouca atenção que eles dedicam a adoção de medidas (geralmente de fácil aplicação e baixo custo) para conservar os bens depois de produzidos.

UMA REFLEXÃO SOBRE AS 10 MEDIDAS DESCRITAS NESTE CAPÍTULO

Em que percentagem os agricultores poderiam incrementar os rendimentos (por unidade de terra e de animal) pelo simples fato de introduzir as medidas (de baixo custo e conseqüentemente factíveis de ser adotadas), descritas nos 10 itens anteriores?

Em que percentagem poderia reduzir seus custos unitários de produção se eles adotassem tais medidas: a) por aumentar os rendimentos; e b) por reduzir a quantidade e o custo dos insumos (e dos tratores e das obras de irrigação, e das matrizes e reprodutores, e do crédito, etc.)?

Se os agricultores adotassem tão somente as 10 medidas recém-descritas, seguramente obteriam aumentos muito significativos nos rendimentos e conseguiriam reduções também muito expressivas nos custos por quilograma produzido. Adicionalmente, teriam maior volume de produtos para alimentar a família, para arraçoar os animais e para colocar os excedentes no mercado; isto implicaria automaticamente em aumentar a renda e reduzir os gastos na aquisição de alimentos humanos e rações para os animais. Tudo isto se traduziria em um incremento dos ganhos líquidos dos agricultores. Seria melhor adotar estas medidas viáveis, em vez de continuar perdendo tempo em esperar recursos e perfeccionismos que de fato são inacessíveis.

No entanto, adotar estas 10 medidas mesmo que seja necessário e possível, ainda não é suficiente e não é tudo o que podem fazer as famílias rurais. Seus ganhos podem dar outro salto quantitativo se, além de tudo o que foi anteriormente proposto, elas adotam as duas medidas que se descrevem a seguir (itens 11 e 12) e finalmente se adotam estas 12 medidas na forma descrita no item 13.

11) PROCESSAMENTO E INCORPORAÇÃO DE VALOR AGREGADO. Uma das causas dos baixos preços de venda da produção agrícola, é que ela é oferecida ao mercado, in natura, tal como é colhida, sem nenhum processo de beneficiamento; isto é, sem limpar, lavar, debulhar, classificar, secar, processar, transformar, moer, envasar, etc. Os pequenos agricultores deveriam aproveitar a sua abundante e, muitas vezes, subocupada mão-de-obra e com ela adotar as medidas antes mencionadas, com os propósitos: de processar para aproveitar totalmente os excedentes que ocorrem na época de colheita (frutas por exemplo); de conservar os produtos por mais tempo para consumi-los (pela família ou pelos animais) e para vendê-los em épocas nas quais por razões climáticas não se pode produzi-los; de reduzir perdas; de incorporar-lhes valor; de alongar o período de comercialização e de vendê-los fora da época de colheita e, consequentemente, por melhores preços.

Com estes propósitos, os agricultores poderiam adotar medidas tais como: processamento de frutas (secas, cristalizadas, marmeladas, etc.); conservas de hortaliças; transformação de carnes em embutidos, carne salgada, defumada, etc; produção de derivados do leite; beneficiamento de couros, peles e lãs, etc. O processamento industrial dentro da propriedade tem a vantagem adicional de que é o agricultor quem fica com os subprodutos e pode utilizá-los como insumo para obter outro produto na sua propriedade.

Para consegui-lo não se requer de grandes instalações industriais; os processamentos antes mencionados poderiam consegui-los através da capacitação de mulheres e jovens para que o façam em forma artesanal, a nível de propriedade ou de comunidade. Isto contribuiria para ocupar a mão-de-obra e incrementar a renda familiar em forma muito significativa.

12) DIMINUIÇÃO DO EXAGERADO E DESNECESSÁRIO NÚMERO DE ELOS do circuito industrial / comercial, que atua antes da semeadura e depois da colheita; com o duplo fim de reduzir os gastos na aquisição dos insumos e de obter melhores preços na venda das colheitas. Muitos eficientes produtores não têm conseguido viabilizar-se economicamente porque têm sido ineficientes comercializadores (dos insumos que adquirem e dos excedentes que vendem).

Os agricultores organizados deveriam constituir os seus próprios serviços e assumir em forma gradual e crescente, algumas atividades que atualmente executam os intermediários e agroindustriais. Uma importante razão pela qual os ganhos dos agricultores são insuficientes, é que desde que o insumo é fabricado pela indústria até que o produto agrícola chega à mesa do consumidor, existe um desnecessário superdimensionamento na quantidade de intermediários, muitos dos quais se mantêm a expensas do trabalho do agricultor.

O crescente alongamento destas cadeias de intermediação é um importantíssimo motivo pelo qual;

a) o agricultor recebe uma porcentagem cada vez menor do preço que o consumidor final paga pelos alimentos; e

b) o agricultor necessita entregar uma quantidade cada vez maior de produto para adquirir a mesma quantidade de insumo. Este desnecessário excesso de elos do circuito industrial/comercial, está deteriorando a relação insumo/produto e impedindo a viabilização econômica de muitos agricultores. A título de ilustração, vejamos um exemplo dos elos desta cadeia:

  • o industrial fabrica os insumos para a produção agrícola (fertilizantes, herbicidas, inseticidas, etc.);
  • o intermediário do centro industrial os adquire do fabricante e os vende ao comerciante do município ou da comunidade na qual reside o agricultor;
  • – este comerciante local os vende ao agricultor;
  • – o agricultor utiliza os insumos e com eles produz milho, sorgo, alfafa, soja, etc;
  • – o intermediário local compra estes produtos primários do agricultor e os vende aos intermediários do centro industrial ou a indústria;
  • – a indústria transforma estes produtos primários em rações e concentrados e os vende ao intermediário do centro industrial;
  • – estes intermediário os vende ao comerciante do município ou da comunidade onde reside o pecuarista;
  • – o pecuarista compra a ração e produz os suínos;
  • o suinocultor vende os porcos vivos ao intermediário ou ao frigorífico;
  • esta indústria os transforma em produtos elaborados (salame, patê, bacon, presunto, etc.) e os vende ao intermediário do centro industrial;
  • este intermediário vende tais produtos ao atacadista do município onde vive o consumidor;
  • este atacadista os vende ao comerciante varejista; e
  • o comerciante varejista os vende ao consumidor final.

Como se vê nesta longa corrente, poucos são os que realmente produzem bens, porém muitos são os que intermediam (às vezes desnecessariamente) e se apropriam dos ganhos dos poucos que efetivamente produzem tais riquezas.

Se aos ganhos de cada elo desta longa corrente agregamos os impostos pagos em cada transação, os gastos com fretes, embalagens (às vezes tão sofisticadas que respondem por uma alta porcentagem do preço que o consumidor paga pelo produto final), perdas, etc, é fácil de entender porque os ganhos dos agricultores são tão baixos, apesar de que os consumidores pagam preços muito elevados pelos alimentos que adquirem. Em muitos casos, os intermediários são necessários; não se trata, portanto, de propor em forma demagógica ou ingênua, sua eliminação do circuito de comercialização; trata-se de diminuir ao mínimo indispensável, o desnecessariamente elevado número de elos das correntes de intermediação: os anteriores e os posteriores à etapa de produção propriamente dita.

Para consegui-lo, a solução ideal seria organizar os agricultores e aproximá-los cada vez mais dos consumidores também organizados; quer dizer, diminuir a desnecessária distância que se estabeleceu entre ambos grupos; e reduzir os excessivos custos de transação que tal distância originou; ao aproximá-los se estaria beneficiando às duas grandes maiorias nacionais; os pequenos agricultores e os consumidores pobres; e não às minorias, nem sempre produtivas, dos circuitos de intermediação. Em que porcentagem os agricultores poderiam aumentar a sua renda líquida se estivessem capacitados e organizados para eliminar apenas os elos que são desnecessários e elimináveis? Não será esta uma muito importante (porém evitável) razão pela qual seus lucros são insuficientes?

Depois de descrever as bondades destas 12 medidas, cabe fazer a seguinte indagação: Se elas são factíveis e benéficas, por que não produzem os resultados esperados, por que não ajudam a solucionar os problemas técnicos e econômicos dos agricultores?

Basicamente porque:

a) a maioria dos produtores não as adotam; e

b) não levam em conta o que está exposto no item 13 que se descreve a seguir.

13) Execução eficiente, oportuna e integral das 12 alternativas recém-propostas. As medidas sugeridas nos itens anteriores são comprovada e reconhecidamente eficazes. Se aplicadas em conjunto, no momento oportuno e em forma correta, produzem resultados extraordinários; em conjunto, porque de forma isolada nenhuma das 12 medidas será capaz de produzir resultados significativos; em forma correta e no momento oportuno, porque o êxito de qualquer exploração produtiva depende mais do “como fazer” e do “quando fazer”, que do “com que fazer”.

No entanto, se não se cumprem estes três requisitos, os esforços modernizadores não produzirão (como de fato não têm produzido, em grande parte por este motivo) os resultados esperados. O requisito que se explica neste item 13 é o mais importante que qualquer dos outros 12 que o antecederam.

O fato de aplicar as alternativas recém-descritas em forma parcializada ou de maneira incorreta, usar um insumo de forma equivocada ou executar as práticas agrícolas fora da época, são importantes causas (nem sempre percebidas e reconhecidas) de fracassos dos projetos de modernização da agricultura.

Por exemplo, não é suficiente adotar as recomendações mencionadas nos itens 1) e 2) deste capítulo, se não se adota as indicadas nos itens 3) e 5); igualmente, não é suficiente aplicar um pesticida ou uma vacina, se não se o fizer no momento adequado; não é suficiente aplicar um fertilizante, é necessário que este seja adequado e que se o aplique em forma correta.

Estes condicionantes, tão elementares e óbvios, lamentavelmente e com muitíssima frequência não ocorrem, e são uma importantíssima razão pela qual os insumos ou as tecnologias não produzem os resultados que poderiam produzir; exatamente porque geralmente falta o mais importante: capacitar os agricultores para que saibam aplicar corretamente as tecnologias e utilizar racionalmente os insumos. Não se trata, portanto de usar ou não usar insumos; de adotar ou não tecnologias; é necessário usá-los/adotá-las em conjunto, corretamente e no momento oportuno. Incorporar tecnologias e utilizar insumos de forma descuidada e irreflexiva, sem preocupar-se do “como” e o “quando” fazê-lo, tem sido uma importante razão pela qual os agricultores se decepcionam com a eficácia dos insumos e das tecnologias modernas.

Às vezes é melhor não inovar que fazê-lo em forma equivocada.

Definitivamente, a agricultura será mais rentável e os agricultores serão mais competitivos, na medida em que:

– exista eficiência não só tecnológica como também gerencial e organizacional em todos os elos da cadeia agroalimentar; inclusive nos anteriores a etapa de produção propriamente dita (aquisição ou produção própria dos fatores de produção) e nos posteriores a ela (processamento, armazenagem, incorporação de valor agregado, comercialização, etc.); isto é, quando os agricultores adotarem uma correta verticalização do negócio agrícola; e

– os próprios agricultores se encarreguem de uma parte mais significativa (não necessariamente de todas) das referidas atividades anteriores e posteriores à etapa de produção propriamente dita; com este propósito, é necessário que eles se organizem para constituir os seus próprios mecanismos de recepção e de prestação de serviços e para instalar pequenas unidades agroindustriais a nível comunitário, que sejam de sua propriedade e não necessariamente pertençam aos grandes grupos empresariais privados; porque, do contrário, serão estes grupos os que seguirão apropriando-se dos benefícios do trabalho e do esforço dos agricultores.

Ao adotar em forma correta estas medidas, os agricultores aumentarão substancialmente a sua renda, porque melhorarão a eficiência do sistema na sua globalidade, ao reduzir a quantidade e o custo das entradas e simultaneamente incrementar a quantidade, a qualidade e o preço de venda das saídas.

 

Para contato com o autor do Livro

Email: polan.lacki@onda.com.br ou polan.lacki@uol.com.br


[1]

Polan Lacki nasceu e viveu a sua infância e adolescência na zona rural do município de Foz do Iguaçu, Paraná. Graças a esta circunstância começou a conhecer desde criança os problemas da agricultura convivendo com eles e aprendeu a executar várias atividades agrícolas e pecuárias, executando-as. É engenheiro agrônomo formado pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro.

As grandes perguntas para a sustentabilidade da agricultura familiar: “o quê e como fazer para que os agricultores pudessem ser eficientes e competitivos com menos créditos, com menos subsídios, com menos investimentos, com menos garantias oficiais de comercialização, em fim, com menos Estado”. A viabilidade e a eficácia dessas soluções “que custam pouco, mas rendem muito“ estão demonstradas no Livro dos Pobres Rurais que você terá toda semana o prazer de ler refletir e prosear com você mesmo e com seus colegas e companheiros e companheiras de trabalho.

 

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