PANELA DE BARRO… 400 ANOS DE CULTURA E TRADIÇÕES

PANELA DE BARRO… 400 ANOS DE CULTURA E TRADIÇÕES

SUNDERHUS; Adolfo Brás[1]

Panela de Barro é uma das maiores expressões da cultura popular do Espírito Santo, em especial da capital do Estado, Vitória. Uma vitória de artesãs e artesãos que mantém sua tradição de produção a mais de 400 anos tendo o seu início nas tribos dos povos indígenas do Estado antes da colonização portuguesa.

Esta arte, cultura e tradição veio da cultura tupi-guarani e transmitida por sua gerações. A roupa nova desta cultura e deste oficio é reconhecido nacionalmente no ano de 2002 com um Bem Cultural de Natureza Imaterial ganhando o título de Patrimônio Cultural Brasileiro. Um orgulho para os povos indígenas um motivo de alegria as mulheres artesãs que dedicam sua vida familiar na preservação desta cultura e costume alicerçado sobre muita coragem, determinação, crença, trabalho e fé.

Toda produção e modelagem e feita de forma manual tendo como característica a sua coloração escura obtida por meio da impregnação do tanino a peça, sendo a queima feita dentro de procedimentos ecologicamente corretos e sustentáveis. O tanino existe na árvore do mangue-vermelho “rhizophora mangle”, do qual usa-se sua casca que é retirada do tronco batendo fortemente com um porrete de madeira. Estas cascas são picadas e colocadas de molho, em água doce, para curtir durante três dias no mínimo. Esta prática não e predatória havendo uma forte consciência de preservação por parte dos “casqueiros” que retiram a casca de um dos lados do tronco em pequena quantidade, procedimento que não prejudica a árvore e o ecossistema do manguezal.

Neste sistema de produção o tanino e aplicado as panelas de barra batendo-se com uma vassourinha embebida com o mesmo, na peça ainda quente, logo após usa saída do fogo. A este processo se da o nome de acoite. Esta técnica e prática tem como resultado a penetração do tanino nos poros da cerâmica, cobrindo as fissuras e tornando-a impermeável protegendo a peça contra a proliferação de fungos que com o correr do tempo esfarelam o barro. Além disto a coloração escura permite uma melhor concentração do calor facilitando o cozimento e a conservação dos alimentos.

Depois de modeladas as panelas de barro ficam em luar bem ventilado e protegidas do sol até secarem por completo. Somente após é efetuada a queima,  não em forno, mas em fogueiras a céu aberto, prática esta bastante primitiva das origens das tribos indígenas. Neste processo empilham-se as panelas sobre toras de madeira formando o que chamam de “cama”, este processo permite a circulação do ar pela parte inferior sendo que nas laterais e na parte de cima são colocados pedaços menores de madeira. O fogo e colocado em uma das extremidades na “cabeceira da cama” que com a ajuda da ventilação natural se espalha por todo conjunto. O cozimento pode durar muitas horas dependendo do número de peças a serem queimadas.

Esta queima ecologicamente correta não desmata árvores da região do manguezal, usam-se restos de madeiras principalmente da construção civil que mesmo sem nem sempre possuir o melhor poder calorífico o resultado e satisfatório desde que o calor produzido seja intenso, uniforme e dure o tempo necessário.

O processo de armazenamento e facilitado, pois são feitas panelas grandes e pequenas que são chamadas carinhosamente de mães e filhas. Desta forma acondicionam-se as pequenas dentro das grandes, formando uma “casada”, facilitando aos amantes da panela de barro o manuseio entre o fogão e a mesa, sendo estas panelas apoiadas em armações de ferro especialmente produzidas quando levadas a mesa.

Assim esta cultura leva a um culinário capixaba fruto da miscigenação das culturas indígenas, africana e portuguesa, principais etnias e povos que ocuparam a região, tornando-se uma cozinha com perfil bem capixaba.


[1] Engenheiro agrônomo

CREA – ES 2146 D / 11ª Região

Graduação em Agronomia – UFES, Alegre – ES, Brasil

ÁREAS DE ATUAÇÃO

1-         Organização Social e Redes Solidárias

2-         Microfinanças sociais

3-         Análise de Cadeias Produtivas

4-         Custo de Produção dos Arranjos Produtivos Locais

5-         Projetos Captação de Recursos – Agropecuária

6-         Projetos de Recuperação Ambiental

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