COMÉRCIO JUSTO – CRÍTICA AO MODELO CONVENCIONAL DE COMERCIALIZAÇÃO

COMÉRCIO JUSTO – IGUALDADE E SOLIDARIEDADE NAS RELAÇÕES COMERCIAIS ECONOMICAS E SOCIAIS

SUNDERHUS; Adolfo Brás[1]

Comércio justo e solidário nasce como um critica ao modelo comercial vigente. E, portanto uma inovação social e economica tendo como base a sustentabilidade territorial conquistando o seu lugar como um processo educacional de produtores e consumidores e como uma importante ferramenta de pressão pública. Insere-se também na afirmação do protagonismo dos produtores e dos consumidores como um importante instrumento para o desenvolvimento sustentável e solidário.

Neste contexto o comercio justo solidifica-se como uma ferramenta importante oportunizando a construção de uma nova relação comercial mais tranqüila e não assistencialista tendo como base o ser humano como o protagonista desta ação. Para tanto e necessário que os empreendimentos econômicos solidários, suas organizações representativas visualizem estas oportunidades, e ao Estado cabe exercer o seu papel, comprador e fomentador. Não basta desenvolver políticas como a criação e implantação de selo disso e daquilo, sejam eles de identidade ou de certificação se não forem assumidos como uma política estruturante de transformação das relações de produção e de comercio.

Os selos por si só não garantem aumento nos processos de comercialização nem aumento de renda ou receita liquida para as famílias. O selo garante sim que aquele grupo esta produzindo de acordo com normas, critérios e padrões como, por exemplo, a da segurança alimentar no caso dos selos de inspeção municipal hoje implantado junto às agroindústrias artesanais familiares, ou aqueles que tenham a ver com a questão ambiental, do artesanato ou da agricultura familiar. Portanto o principal papel do selo e de garantir e oportunizar a identidade e o pertencimento do grupo e de seus produtos e serviços a sociedade consumidora.

Neste víeis sempre nos deparamos com algumas interrogações ou expressões comumente usadas e que precisamos fazer uma reflexão – aonde a gente precisa chegar? E necessário entendermos que “o chegar a algum lugar” para realizar conquistas e um processo dinâmico, vivo e continuo. Acredito não termos esta resposta ou mesmo que não a encontraremos, pois a dinâmica e a velocidade de produção e reprodução de sistemas produtivos e de comercialização nos leva a estarmos sempre construindo um novo desafio e com certeza este desafio nos leva a construção de novos paradigmas e a formação de novos conhecimentos que sempre nos trará a mesma pergunta: aonde a gente precisa chegar?

Neste víeis cabe ao Estado o papel do fomentador de políticas públicas centradas nas reais oportunidades que em grande parte esta centrada na construção de legislações tributárias que entendam e criem as condições mínimas para instalação e sustentabilidade de negócios a partir da realidade dos empreendimentos econômicos solidários. E comum vermos governos em todos os níveis oferecendo e estimulando empresas e indústrias, muitas delas altamente poluidoras nos aspectos ambiental e social, uma serie de isenções fiscais e tributarias no entanto este mesmo governo não desenvolve benefícios tributários ou isenções diferenciados que possam oportunizar melhores condições de sobrevivência aos empreendimentos econômicos solidários do meio urbano ou rural por completa ausência e reconhecimentos destes em suas políticas ditas públicas e democráticas.

Tendo o entendimento de que esta ação e papel integrante das políticas públicas de Estado há necessidade de se pensar urgentemente em processos de certificação com base nos princípios de justiça e solidariedade comercial que fortaleça e integrem os empreendimentos econômicos solidários. Para tanto hoje se discute amplamente a construção de um sistema aberto de certificação em que a sua base se desenvolve nos procedimentos da autodeclaração abrindo desta forma as possibilidades e as pertinências de natureza individual e coletivas. Estamos assim dando passos largos e firmes não na simples consolidação de um sistema de certificação mas sim na implantação de um sistema de acreditação o qual servirá para estruturar os caminhos dos serviços de certificação que forem necessários e oportunos. Esta prática transformando-se como processo nas políticas públicas com certeza ira fomentar as boas práticas do comercio justo e solidário.


[1] Engenheiro agrônomo

CREA – ES 2146 D / 11ª Região

Graduação em Agronomia – UFES, Alegre – ES, Brasil

ÁREAS DE ATUAÇÃO

1-         Organização Social e Redes Solidárias

2-         Microfinanças sociais

3-         Análise de Cadeias Produtivas

4-         Custo de Produção dos Arranjos Produtivos Locais

5-         Projetos Captação de Recursos – Agropecuária

6-         Projetos de Recuperação Ambiental

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