O “NOVO CÓDIGO FLORESTAL” E O AQUECIMENTO GLOBAL ATINGE OS MAIS POBRES

O “NOVO CÓDIGO FLORESTAL” FRENTE AO AQUECIMENTO GLOBAL E SEUS EFEITOS SOBRE A VIDA DAS FAMÍLIAS EM VULNERABILIDADE NAS REGIÕES DE RISCO DOS GRANDES CENTROS URBANOS

SUNDERHUS; Adolfo Brás[1]

O aquecimento global e o aumento da temperatura média dos oceanos e do ar perto da superfície da Terra que ocorre deste meado do século XX e que deverá continuar no século XXI. A maior parte deste aumento de temperatura foi causada por concentrações crescentes de gases de efeito estufa como resultado das atividades humanas a partir da queima de combustíveis fosse e o processo de desmatamento.

O filme “O dia depois de amanhã”, megaprodução hollywoodiana mostra a fúria do meio ambiente em resposta a todo o mal causado pelo ser humano. Chuvas de granizo do tamanho de uma bola de boliche, tornados engolindo prédios, o mar invadindo a cidade e um frio de menos 100°C. Como em vários filmes existem efeitos especiais exagerados, mas mesmo assim o filme passa uma imagem verdadeira – o aquecimento global no nosso mundo é preocupante podendo causar a devastação do ser humano.

Assim vemos que o mundo caminha para uma tragédia que pode ser evitada, mas que não é graças a ganância do ser humano em apenas lucrar com os recursos naturais sem repor ao meio ambiente a partir de um sistema econômico voltado para a produção, lucro e acumulação de riquezas. Lucros em curto prazo e acumulação de riquezas nas mãos de poucos. Capitalismo que tem como princípio o lucro acima da responsabilidade social e ambiental. Que tem como foco o consumismo e quanto maior for mais lixo e quanto maior o número de lixo maior a poluição. Neste víeis o homem é o único animal que prejudica o meio em que vive. Porém, essa situação pode ser revertida, se houver consciência local e mundial para que o homem evite a degradação da natureza com recursos antipoluentes.

Quando começa a temporada de fortes chuvas na região sudeste junto a Serra do Mar, como é normal, muito normal, começaram os deslizamentos e com eles mortes. Centenas de seres humanos mortos. No entanto a anormalidade esta em nossa falta de memória e de registros históricos destes episódios. Como a vida é barata parece que nada de tragédias deve ser lembrado e nada deve ser guardado. Como morrem milhares assassinados por motivos fúteis ou os acidentes de automóveis levam a nossa juventude, parece que nada é grande em relação ao que acontece.

Neste contexto a cidadania não é importante, falam-se meses da morte de uma amante de um jogador de futebol porque ele era jogador de futebol e o time era popular. Agora se morrem centenas de pessoas no meio destes deslizamentos históricos e atuais, vitimadas por “fluxos de lama” não se fala mais nada além das poucas notícias que foram descritas nos jornais da época. E mesmo com a televisão mostrando a natureza nunca o ser humano como uma monstruosidade, esquece-se disto tudo porque afinal das contas eram “pessoas que viviam quase no meio do mato”, esquece-se também que este lapso de memória fará com que autoridades – prefeitos, governadores, engenheiros, arquitetos, agrônomos e geólogos também se esqueçam da importância de localizar corretamente uma casa, mesmo que seja no meio do mato e não permita que mais outras centenas ou milhares de pessoas para diante morram por motivos semelhantes.

Matéria recente publicada no Jornal A Tribuna edição de 02/06/2011 a folha 44 traz como titulo: Aquecimento global atinge os mais pobres. Destaque desta edição para o fato que estima que um bilhão de pessoas que vivem nas áreas mais pobres dos grandes centros urbanos do mundo estão diretamente ameaçadas pelas mudanças climáticas globais em curso. Este alerta, diz a matéria, veio de um estudo inédito divulgado ontem (01/06/2011) na C40 em São Paulo, encontro das 40 grandes cidades de todo mundo em busca de soluções para o aquecimento global. Um fato que nos chama a atenção na matéria: “Para muitas pessoas pobres, enchentes e deslizamentos já são um fato da vida”, afirmou o presidente do Banco Mundial, Robert B. Zoellick, durante o encontro. A principal autora do estudo, Judy Backer, afirmou que o trabalho revela exemplos positivos de como alguns prefeitos estão preparando suas cidades para as mudanças climáticas.

Nesta mesma matéria ela ainda faz recomendações na área de redução de riscos: “Os pobres vão sofrer mais e em primeiro lugar os impactos (das mudanças climáticas) e é por isso que não temos tempo a perder na preparação das cidades.

No Brasil diante de toda esta realidade em que estamos presentes de forma muito intrínseca o texto do “novo código florestal”, traz a anistia aos desmatadores e isenta de multas os proprietários que cometeram infrações até 22 de julho de 2008. O mais interessante de tudo esta no fato de que estes tem uma contrapartida a ser oferecida pois estes desmatadores terão que assinar termo de conduta para recompor áreas protegidas se quiserem obter o perdão de suas dividas. E brincadeira violar os processos de cidadania, estar conivente com tão vil crime ambiental como o proposto pelo “novo código florestal”.

Estarei a partir de hoje postando mais algumas matérias que julgo importantes para contextualizar a questão do “novo código florestal”, apesar de que aqui no Estado a nossa bancada federal em nada contribuiu para uma discussão junto a sociedade, aos profissionais da área, aos legisladores e executivos municipais e sobretudo junto a sociedade organizada a partir de suas organizações sociais de representação. Este foi o maior desserviço de nossos deputado federais a sociedade capixaba. Nem uma audiência pública para debater um tema que mexe com nossas vidas, com a nossa sustentabilidade. Proporcionaram sim um verdadeiro rompimento com os princípios que assumiram quando se diplomaram em janeiro ultimo passado. E memória curta também esqueceu suas obrigações e deveres para com a sociedade capixaba.


[1] Engenheiro agrônomo

CREA – ES 2146 D / 11ª Região

Graduação em Agronomia – UFES, Alegre – ES, Brasil

ÁREAS DE ATUAÇÃO

1-         Organização Social e Redes Solidárias

2-         Microfinanças sociais

3-         Análise de Cadeias Produtivas

4-         Custo de Produção dos Arranjos Produtivos Locais

5-         Projetos Captação de Recursos – Agropecuária

6-         Projetos de Recuperação Ambiental

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