A PRÁTICA SOCIAL CONSTRUINDO NOVOS PARADIGMAS

DE ONDE VÊM AS IDÉIAS CERTAS?

 (Mao Tsetung, 1963. Extrato da “Decisão do Comitê central do Partido Comunista chinês sobre algumas questões sobre o trabalho presente no campo” (Projeto), conforme publicado em TSETOUNG, Mao. Cinq essais Philosophiques. Pekin: Editions en Langues Etrangeres, 1971, tradução e grifo nossos)

« Donde vêm as idéias certas? Elas caem do céu? Não. Elas são inatas? Não. Elas só podem vir da prática social, de três tipos de prática social: a luta pela produção, a luta de classes e a experimentação científica. A existência social dos homens determina seu pensamento. E as idéias certas que são próprias de uma classe de vanguarda, desde que elas penetram nas massas, tornam-se uma força material capaz de transformar a sociedade e o mundo.

Engajados nas diversas lutas no curso de sua prática social os homens adquirem uma rica experiência que eles tiram de seus sucessos como de seus fracassos. Inumeráveis fenômenos do mundo objetivo são refletidos no cérebro pelos canais dos cinco órgãos do sentido os órgãos da visão, da audição, do olfato, do gosto, e do tato; assim se constitui, ao início, o conhecimento sensitivo. Quando estes dados sensíveis acumularam-se o suficientemente, produz-se um salto pelo qual eles se transformam em conhecimento racional, quer dizer em idéias.

Isto é o processo de conhecimento. É o primeiro degrau [patamar] do processo geral do conhecimento, o degrau da passagem da matéria, que é objetiva, ao espírito, que é subjetivo, do ser ao pensamento. Neste degrau, não se provou ainda que o espírito ou o pensamento (por conseguinte as teorias, a política, os planos, os meios de ação vislumbrados) refletem corretamente as leis do mundo objetivo; não é ainda possível saber se eles são certos ou não.

Vem em seguida o segundo degrau [patamar] do processo do conhecimento, o degrau da passagem do espírito à matéria, do pensamento ao ser: trata-se então de aplicar na prática social o conhecimento adquirido no curso do primeiro degrau, para ver se estas teorias, políticas, planos, meios de ação, etc. produzem os resultados esperados. Em geral, é certo o que se realiza [vence, se comprova], é falso o que falha [não se comprova, fracassa, não se realiza]; isto é verdade sobretudo na luta dos homens contra a natureza. Na luta social, as forças que representam a classe de vanguarda as vezes sofrem fracassos, não porque tenham idéias falsas, mas porque nas relações de forças que se afrontam, elas são, pelo momento, menos poderosas que as forças da reação; disto vêm seus fracassos provisórios, mas elas terminam sempre por triunfar.

Ao passar pela prova da prática, o conhecimento humano faz por conseguinte um outro salto, de um significado ainda mais importante que o precedente. De fato, somente este salto permite provar o valor do primeiro, quer dizer assegurar se as idéias, teorias, política, planos, meios de ação, etc. elaborados no curso do processo de reflexão do mundo objetivo são verdadeiras ou falsas; Não há outro meio de tirar a prova da verdade. Todavia, se o trabalhador busca à conhecer o mundo, é para transformá-lo; ele não busca outro objetivo.

Para que se encontre o movimento que conduz ao conhecimento verdadeiro, é preciso freqüentemente várias repetições do processo que consiste em passar da matéria ao espírito, depois do espírito à matéria, quer dizer da prática ao conhecimento, depois do conhecimento à pratica. Esta é a teoria marxista do conhecimento, a teoria materialista-dialética do conhecimento.

Mas, entre os companheiros, muitos não compreendem ainda esta teoria. Se pergunta-se a eles de onde vem suas idéias, opiniões, política, métodos, planos, conclusões, donde vêm seus discursos intermináveis e seus artigos prolixos, eles acham a pergunta estranha e não sabem responder. E estes saltos pelos quais a matéria se transforma em espírito e o espírito em matéria, fenômeno ordinário da vida quotidiana, ficam também inteiramente incompreensíveis para eles.

É preciso por conseguinte ensinar aos nossos companheiros a teoria materialista dialética do conhecimento, afim de que eles saibam se orientar em suas idéias, fazer os questionamentos e as pesquisas e dirigir o balanço [avaliação] de sua experiência, para que eles possam superar as dificuldades, evitar tanto quanto possível de cometer erros, fazer bem o trabalho, contribuir com todas as suas forças para edificar um grande e poderoso país socialista e enfim ajudar as massas oprimidas e exploradas do mundo em vista de cumprir o nobre dever internacionalista que nos cabe. »

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