AGRICULTURA FAMILIAR DESAFIANDO PARADIGMAS

AGRICULTURA FAMILIAR – DESAFIANDO PARADIGMAS PARA SUA SUSTENTABILIDADE SOCIO PRODUTIVA E ECONOMICA

SUNDERHUS; Adolfo Brás[1]

A sustentabilidade do desenvolvimento para ser operacionalizada além dos interesses econômicos e das classes sociais envolvidas neste processo tem que compatibilizar o que deve sustentar-se do que deve desenvolver-se.

 Assim a sustentabilidade deve ser entendida de uma forma dinâmica e o desenvolvimento deve pressupor limites para efetivação do bem estar econômico para poder se realizar um bem estar social e ambiental. Desta forma podemos entender o desenvolvimento sustentável alicerçado em três eixos fundamentais: o econômico, o social e o ambiental, formando um tripé inter-relacionado num processo de transformação que ultrapassa os limites geográficos e políticos, tendo a sobrevivência do ser humano e de todas as espécies como o seu maior objetivo. Podemos então entender o sustentável como um desenvolvimento social e de progresso econômico mantendo e conservando os recursos naturais, resgatando questões como cultura e ética.

Este entendimento se torna importante quando tratamos da sustentabilidade na agricultura familiar, pois em sua relação com a natureza o sucesso ou o fracasso do agricultor familiar apresenta-se com significados diversos dependendo das metas sociais e econômicas propostas. Como exemplo de sucesso pode-se citar os elevados ganhos de produtividade com aumentos expressivos na quantidade total produzida, mas, foram fracassos a fome que se estendeu a milhares de pessoas, a destruição dos recursos naturais e a grave situação econômica das famílias rurais e a sua desagregação familiar com a saída dos jovens do meio rural.

O atual modelo de desenvolvimento da agricultura moderna pressupõe pura e simplesmente um processo de crescimento, fortemente mediada pela questão da escala de produção. Mecanização intensiva de áreas cultivadas, fertilizantes químicos, agrotóxicos e sementes geneticamente modificadas, esse é o modelo tecnológico da agricultura vigente, compatíveis com as monoculturas, que são difundidas não somente pelas grandes propriedades, mas também apropriadas pela relação de dependência econômica de agricultores capitalizados em municípios e comunidades de relação agrícola familiar sobre os produtores menos capitalizados, gerando grandes plantios de monoculturas com base familiar.

Neste processo perdem-se as relações sociais, de gestão da unidade de produção e dos recursos naturais. A prática da monocultura tende a simplificar o ecossistema agrícola e propiciar o estreitamento das bases genéticas, até então mantidas pela agricultura familiar (saberes, cultura e tradição).

Muda-se neste sentido toda lógica de produção em que todo agricultor familiar tem em seu conjunto de práticas técnicas de natureza produtiva, econômica, social e ambiental coerentes com a sua realidade e finalidade do seu sistema de produção, uso do solo e com as suas necessidades essenciais. Estas relações que compatibilizam os objetivos familiares com o meio ambiente e a interação produtiva é que determina a cada um deles as razões que permitem explicar por que atuam de maneiras diferentes entre si e em relação ao empresário – agricultor capitalista.

Assim, para o entendimento da lógica da produção familiar é necessário que consigamos visualizar a autonomia produtiva com o grau de relação familiar. Desta forma temos três eixos de entendimento que podem subsidiar a tomada de decisão:

 1) O primeiro eixo situa a empresa agrícola como completamente dependente do mercado e não familiar;

 2) O segundo eixo situa a empresa agrícola como empresa familiar dependente do mercado;

 3) O terceiro eixo trata da exploração moderna como de máxima autonomia e de natureza totalmente familiar.

 A transição entre estes eixos buscando a autonomia com sustentabilidade familiar pode ser experimentada sem que ocorram perdas de produtividade e do capital econômico das famílias rurais.

É necessário caracterizarmos as unidades produtivas dentro de conceitos e critérios que atendam as necessidades e interesses dos agricultores familiares. Dentro destes critérios sócio-econômicos e ambientais destacam-se:

1-      os sistemas de produção familiar;

2-      os sistemas fundiários que permitem o acesso a terra;

3-      e os sistemas de organização sócios familiares que se configuram na contradição da subordinação versus autonomia.

O entendimento destes conceitos nos remete a análises e avaliações de natureza simplesmente econômica para entendermos as relações entre a organização interna da produção dos agricultores de base familiar e o mundo externo de natureza essencialmente capitalista. Esta análise é que nos permite entender, em parte, a lógica do agricultor familiar face ao processo produtivo, buscando o equilíbrio da família e a sustentabilidade produtiva e sua relação com o ambiente da unidade de produção, pois a lógica da produção familiar está centrada na diversificação e integração de atividades vegetais, animais, de transformação primária e de prestação de serviços e, por trabalharem em menores escalas, pode ser a chave para representação de um modelo de desenvolvimento de uma agricultura de natureza sustentável.


[1] Engenheiro agrônomo
CREA – ES 2146 D / 11ª Região
Graduação em Agronomia – UFES, Alegre – ES, Brasil
ÁREAS DE ATUAÇÃO
1-         Organização Social e Redes Solidárias
2-         Microfinanças sociais
3-         Análise de Cadeias Produtivas
4-         Custo de Produção dos Arranjos Produtivos Locais
5-         Projetos Captação de Recursos – Agropecuária
6-         Projetos de Recuperação Ambiental

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