O QUE FAZEMOS E O QUE DIZEMOS…

O QUE FAZEMOS E O QUE DIZEMOS….

SUNDERHUS; Adolfo Brás[1]

INTRODUÇÃO

O tema agrotóxico mais uma vez toma conta de nossas vidas em que novamente a sociedade organizada vem denunciar os males que estes venenos têm e continua causando em agricultores, trabalhadores, para os nossos ecossistemas e para os consumidores finais dos produtos agrícolas e da pecuária. Neste sentido cabe algumas importantes reflexões e dados conforme abaixo para que possamos diante dos mesmos tomarmos nossas atitudes enquanto cidadãos e nos comprometermos ao exercício de nossa cidadania.

HISTÓRICO CONTEXTUALIZADO

Os adubos químicos, os agrotóxicos, os tratores pequenos e grandes fazem parte de uma “riqueza” que tem seu inicio na Europa e nos Estados Unidos da América logo depois da segunda guerra mundial. Durante o período da guerra foram desenvolvidas diversas armas químicas entre elas venenos para eliminar os inimigos e muito usados para eliminar “pestes” a que estavam submetidos os soldados durante o período de guerra.

Terminada a guerra a indústria ficou com um grande estoque destes venenos químicos e chegou a conclusão de que estes mesmos venenos poderiam ser usados para matar insetos já que matavam seres humanos e assim este legado foi sendo construído com rapidez e com muita ordem inclusive pública estatal.

Montou-se então um grande poderio em que as fabricas de armas bélicas passaram a produzir, para não fechar suas portas e causar desempregos, tratores e máquinas para agricultura. Para espalhar este modelo de “desenvolvimento agrícola” pelo mundo com objetivo de ganhar dinheiro se uniram as indústrias de adubos químicos e venenos, as da sementes hibridas, a alguns cientistas, a bancos e governos. Neste víeis na década de 60 -70 esta agricultura mecanizada e dependente de adubos químicos e venenos chega para fazer corpo a chamada Revolução Verde que determinava uma agricultura moderna, forte e produtora de renda. Neste período esta “revolução agrícola” chega ao Brasil tendo o governo brasileiro na época recebido do Banco Mundial grandes somas de empréstimos e estabelecia-se assim o crédito rural onde o agricultor somente tinha acesso aos recursos depois de entregar a nota fiscal que comprovava a aquisição dos “insumos modernos” como adubos químicos solúveis, sementes hibridas e dos venenos todos de produção das multinacionais. Neste período quem optasse por plantar usando como insumos estercos e sementes próprias não tinha acesso ao credito. Fica assim evidente a contrapartida pública estatal de favorecimento as multinacionais e as grandes indústrias produtoras dos “insumos modernos”.

Como resultado depois de 20 anos de uso dos “insumos modernos” temos como avanço milhares de agricultores, trabalhadores e suas famílias saindo da roça por endividamento pelo crédito formando as favelas nas cidades e os sem terra. Os demais ficaram no campo mas dependentes do pacote imposto pela “revolução verde” e pela “agricultura moderna” pelo uso de sementes hibridas, adubos solúveis, venenos e máquinas agrícolas com implantação de uma lógica muito simples: tornaram os agricultores dependentes, viciados no pacote tecnológico e como todo vicio e difícil de ser combatido, tirado de cena.

OS RISCOS ASSUMIDOS

O uso e a dependência deste “pacote tecnológico” pelo agricultor faz com que a cada dia surjam novas “pragas e doença” nas lavouras, e o agricultor não sabe ao certo o por que. No entanto surge imediatamente  a presença das multinacionais através de seus braços locais na pessoas dos vendedores de insumos profissionais com o firme proposito de realizarem “bons e favoráveis negócios”. Estes trazem sempre uma nova “receita” de venenos para serem aplicados nas lavouras dos então chamados “defensivos agrícolas” ou “remédio”, difundindo e fortalecendo sua aquisição, manuseio e aplicação.

Estes agressivos químicos – adubos solúveis e venenos matam todos os insetos desde aqueles que causam prejuízos a lavoura até os seus inimigos naturais provocando serio desequilíbrio ambiental como: solos fracos e pobres, necessitando cada vez mais de adubos químicos solúveis e mais venenos.

No advento da agricultura química existiam poucos insetos e doenças prejudiciais as lavouras. Hoje temos centenas surgidas em sua maioria pelo desequilíbrio ambiental provocado pelo uso de venenos e adubos químicos solúveis e pelas monoculturas. Esta causa se deve ao fato de que os adubos químicos e os venenos são responsáveis pela diminuição da resistência natural das plantas tornando-as mais atrativas ao ataque de insetos e doenças pois a vida nos solos esta contaminada, na mesma forma que em águas de rios, córregos e nascentes. Neste víeis os agricultores experimentam esta contaminação – intoxicação em diversos níveis pelo manuseio uso e aplicação do veneno e o consumidor fica exposto a partir da compra de alimentos contaminados.

OBSERVAÇÕES E CONCLUSÃO

Não preciso disfarçar a minha angustia e o meu objetivo quando escrevo sobre este tema. Busco fazer a minha parte que precisa ser reforçada pela parte de cada um que entende ser o uso dos venenos e adubos químicos nocivos para sustentabilidade de uma vida com qualidade e para qualidade de vida. Não escondo também que de forma individual estou procurando lutar pelo  meu futuro e de forma coletiva criando a oportunidade que de forma coletiva possa contribuir para garantia do futuro das próximas gerações e de forma individual novamente de meus filhos e netos que viram tenho certeza. Luto sim para não perder a esperança e a vontade de lutar para viver e pela vida. Busco também provocar em você que esta lendo o terraeprosa provocar esta mudança de comportamento em nome das gerações futuras e de sua própria geração.

Não posso mais admitir a omissão ou a ignorância de fatos e a maldade que estamos novamente presenciando pelo uso de agrotóxicos – venenos nas lavouras e nas pessoas. Como agrônomo luto por termos um ambiente em equilíbrio não um “meioambiente” mas sim um ambiente inteiro e completo com suas riquezas e diversidades. Ai fica a pergunta até quando teremos fala apenas de “meioambiente”? O que teremos do ambiente no futuro e para as futuras gerações. E tudo isto passa diante de nosso olhar todos os dias assim não da para passar despercebido, esta acontecendo e desta forma qual será nossa atitude: a de acomodação, de continuarmos agindo da mesma forma ou de um novo olhar, uma nova tomada de atitude. Um novo comportamento.

Posso não ter soluções, mas quais são as que você tem? Como reparar o acumulo de exclusão social produtiva e econômica a que foram submetidos centenas de milhares de agricultores familiares e de trabalhadores rurais? Como recuperar o legado de destruição ambiental que a “agricultura moderna” nos proporcionou? Como salvar vidas diante da ação devastadora dos agrotóxicos – venenos a que estão novamente submetidos as centenas de milhares de agricultores e trabalhadores rurais?

Como ressuscitar o saber do agricultor familiar frente a prepotência de pesquisas excluidoras deste conhecimento e voltadas para atender aos interesses das multinacionais do veneno, dos agressivos químicos? Se não podemos recuperar pelo menos podemos nos unir para que cesse por aqui esta realidade! Somos profissionais, homens de negócio, legisladores e detentores de mandatos executivos. Mas antes de tudo isto somos cidadãos, pais e mães, irmãos e irmãs, filhos e filhas.

Sou apenas um agrônomo que faz parte dos três milhões quinhentos e doze mil seiscentos e setenta e dois habitantes do Estado do Espírito Santo. Tenho a plena consciência de que sou apenas um ponto mas tenho também a certeza de que a mudança de comportamento e de atitude começa por um ponto dentro de cada um de nós, de mim e de você. E este fato nenhum governo ou governante ou ideologia pode mudar ou tirar de mim e de você. O problema dos agrotóxicos – venenos atingem a todos os profissionais das ciências agrárias, agricultores, consumidores como se fossemos e o somos, um único Estado. E este fato não me permite a cegueira oportuna dos fatos; e apesar de ter medo também não me permite ter medo, pois estou partilhando pensamentos, propostas, ideias e ideais com aqueles que precisam como eu, deixar sua contribuição para alimentar este processo de mudança que ser faz necessário. Não possa deixar me levar por expressos como: isto não e problema meu! Não posso deixar de pensar que a mudança de atitude e de comportamento faz a grande, faz toda diferença na busca de soluções para enfrentarmos os problemas causados pelo uso dos agrotóxicos – venenos.

Um fato e claro e evidente: todos foram ensinados, por nossos pais a respeitarmos uns aos outros. A assumirmos nossas bagunças, nossos erros. A não maltratar ou prejudicar outras criaturas. A dividir a compartilhar e a não sermos egoístas, mesquinhos ou avarentos. Assim fica a pergunta: por que fazemos justamente tudo o que nos ensinaram a não fazer?

Precisamos ver o nosso semelhante como a nos mesmos. Assim nos e dado a oportunidade de construirmos um mundo em que nossas gerações iram viver e fazer novas e vitoriosas construções sociais, econômicas, produtivas, ambientais e políticas. Devemos ser capazes por nossas deliberações e ações promovermos espaços de conforto e bem estar social aqueles que viram depois de nós. E preciso colocarmos e assumirmos esta prática em nossa agenda como meta e compromisso diário e prioritário, pois somos aquilo que fazemos e não aquilo que dizemos.


[1] Engenheiro agrônomo
CREA – ES 2146 D / 11ª Região
Graduação em Agronomia – UFES, Alegre – ES, Brasil
ÁREAS DE ATUAÇÃO
1-         Organização Social e Redes Solidárias
2-         Microfinanças sociais
3-         Análise de Cadeias Produtivas
4-         Custo de Produção dos Arranjos Produtivos Locais
5-         Projetos Captação de Recursos – Agropecuária
6-         Projetos de Recuperação Ambiental

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