A REPRODUÇÃO SOCIAL – PARTE IV

A REPRODUÇÃO SOCIAL

Ladislau Dowbor[1]

A EROSÃO DO ESTADO – NAÇÃO

O dilema ao nível da nação fica bastante claro ao examinarmos as tentativas de se implantar no Brasil uma política de juros capaz de conter o consumo e a inflação: a elevação da taxa de juros, normalmente uma iniciativa soberana tomada pelo Banco Central, levou a partir de 1995 a um afluxo impressionante de capitais internacionais à procura de altas remunerações. Tratando-se de capital especulativo extremamente volátil, não reforça a capacidade de investimentos no país, e leva pelo contrário a uma drenagem sistemática de recursos nacionais pela alta remuneração conseguida, tornando a posição insustentável. Vemos aqui claramente os limites de políticas institucionais que continuam sendo de âmbito nacional quando as dinâmicas financeiras já são mundiais.

Há aqui indiscutivelmente um processo de erosão de soberania. Indo-se um pouco mais além, constatamos que esta erosão transforma também a nossa cidadania. O dito popular “quero votar para Presidente dos Estados Unidos” assume aqui todo o seu sentido: somos excluidos das decisões que ultrapassam o nível nacional. Alain Bihr se refere corretamente à necessidade, neste sentido, de se “dissociar o exercício da cidadania do quadro estreito da nacionalidade no qual este tem sido mantido”.[2]

Por outro lado, em termos internos, o Governo central vê o seu papel profundamente alterado pela própria aceleração das transformações econômicas e sociais. Frente a mudanças tecnológicas e de relações sociais de produção extremamente rápidas, o Estado tradicional faz figura de dinossauro, amplamente ultrapassado por uma dinâmica que exige respostas rápidas e flexíveis a situações diversificadas e complexas.[3]

Isto pode ser visto simplesmente como um problema “estreito”, de eficiência administrativa. Na realidade, quando as decisões são formalmente colocadas em níveis institucionais onde o cidadão não pode influir sobre o seu curso de maneira significativa, é a própria racionalide política que se vê colocada em cheque. Esta deterioração, ou crescente inadequação das estruturas tradicionais do Estado, tem alimentado uma visão simplista de privatização generalizada: liquidando-se o paciente, desaparece o  problema.

Foi-se o tempo das sociedades relativamente homogêneas, com proletariado, campesinato e burguesia, e uma visão de luta de classes relativamente clara. A sociedade moderna é constituida por um tecido complexo e extremamente diferenciado de atores sociais. Assim, políticas amplas tornam-se desajustadas, reduzindo-se a competência das decisões centralizadas. Como a intensidade das mudanças exige também ajustes frequentes das políticas, é o próprio conceito da grande estrutura central de poder que se vê posto em cheque. Situações complexas e diferenciadas, e que se modificam rapidamente, exigem muito mais participação dos atores sociais afetados pelas políticas. Exigem, na realidade, sistemas muito mais democráticos.[4]

A implicação prática deste raciocínio, é que se torna essencial a readequação de como se hierarquizam os diversos espaços institucionais. Neste sentido, por exemplo, o nível central de decisão do país tem  de se preocupar com a coerência  das grandes infraestruturas econômicas, com os equilíbrios macroeconômicos, com as desigualdades regionais, com a inserção do país na economia mundial, com os eixos tecnológicos de longo prazo. Problemas mais específicos terão de ser transferidos para espaços de decisão mais próximos do cidadão.

Finalmente, conforme veremos em detalhe mais adiante, constituimos hoje dominantemente sociedades urbanizadas. Com isto constituiu-se um tecido social organizado, a cidade, frequentemente maior inclusive do que muitos dos Estados-nação herdados do passado. Foi-se o tempo em que tudo tinha de ser feito na “capital” porque aí estavam localizados o governo, os técnicos, os bancos, enquanto o “resto” era população rural dispersa. E a tendência natural é para as cidades assumirem gradualmente boa parte dos encargos antigamente de competência dos governos centrais, completando assim a transformação do papel do Estado-nação na hierarquia dos espaços sociais.

A frase de um relatório das Nações Unidas resume bem o problema: “o Estado-nação tornou-se pequeno demais para as grandes coisas, e grande demais para as pequenas.”[5]

OS REGIONALISMOS

Uma sociedade mais global pode ser muito menos “pasteurizadora” das culturas nacionais do que as tradicionais nações. Nos tempos da Espanha fechada, aparecia como uma ameaça à “integridade nacional” uma região ter as suas particularidades, uma escola valorizar linguas locais. Numa Espanha integrada ao espaço europeu, já não há apenas um problema de bascos na Espanha, mas também o dos bretões e dos corsos na França, dos flamengos e walons na bélgica, de lombardos na Italia e assim por diante. No espaço europeu, a pluralidade cultural, a revalorização de tradições e costumes locais ou regionais, não ameaçam mais a nacionalidade de ninguém, e não é surpreendente a Espanha inserida na União Européia adotar o regime de autonomias regionais, ou a Escócia buscar adotar um parlamento próprio.

Neste sentido, e na linha das análises de John Naisbitt, a multiplicação de “nações”, de regiões com os seus particularismos, pode ser perfeitamente coerente com a própria globalização e com as novas funções mais atenuadas do Estado-nacional.[6]

É bastante natural, neste contexto de profundo e rápido reordenamento da expressão espacial da reprodução social, que se reforce a confusão. Numa Iugoslávia criada artificialmente por acordos e interesses internacionais, não há nenhuma razão para que não voltem a existir pequenos países que têm tradição milenar, como a Bósnia ou a Sérvia, de toda forma integrados num espaço econômico mais amplo. O absurdo, é a transformação de uma válida revalorização de culturas e tradições, numa volta tardia aos nacionalismos fascistas característicos das décadas de 1920 e 1930, para os quais já não há sequer espaço econômico.

É o próprio conceito de nação que tem de ser revisto. A expressão e vivência do sentimento de identidade são absolutamente vitais para o ser humano, e esta identidade é com um grupo, com tradições, com valores, com uma lingua ou um dialeto, com roupas, com cultura no sentido amplo: não se materializa necessariamente na existência de um exército, de uma polícia política e de guardas nas fronteiras. E não se vê necessariamente afetada pelo tipo de aparelho de música ou pela marca do carro utilizado.

De certa maneira, é a visão centrada na “economia nacional” que nos dificulta a compreensão mais profunda das dinâmicas culturais que estão no centro dos processos nacionais.

O PAPEL DAS METRÓPOLES

É necessário insistir, antes de tudo, no fato das metrópoles constituirem um fenômeno recente. Somos a primeira geração a conhecer cidades de 15 ou 20 milhões de habitantes, megalópoles com um conjunto de novos problemas e novas determinações.

Os grandes espaços metropolitanos constituiram-se em geral na continuidade do processo de urbanização que resultou da industrialização e das transformações do espaço rural. Hoje, no entanto, a indústria entrou no mesmo ciclo de redução de volume de emprego pelo qual passou a agricultura, e problemas tanto sociais como ambientais empurram as empresas para centros menores.

O Rio de Janeiro é característico de uma cidade que não teve a visão da sua transição. Foi capital, e com a criação de Brasilia perdeu boa parte das suas atividades econômicas ligadas à função administrativa. Foi um grande centro industrial, mas naturalmente a indústria foi migrando para o vale do Paraíba e outras regiões, pois grandes cidades já não constituem uma base adequada para as atividades industriais. Com a perda do papel de Capital e a redução da base industrial, o porto também perdeu parte de sua importância. Assim, o “tripé” econômico que sustentava o Rio de Janeiro murchou, deixando suspenso um cogumelo demográfico de mais de 8 milhões de pessoas, com toda a dimensão explosiva do problema.

As metrópoles surgiram com funções centralizadoras relativamente aos espaços nacionais que as geraram. Hoje, este papel de “dreno” de amplas bacias econômicas internas tende a ser substituido pelo papel de elo numa rede internacional de “cidades mundiais”, na expressão de John Friedmann.[7]

A cidade de Shanghai, por exemplo, organizou em 1993 uma reunião internacional sobre o seu próprio futuro, optando claramente pela importância do seu papel de “âncora” de atividades econômicas internacionais, e definindo eixos prioritários de ação nas áreas de criação de um polo tecnológico internacional, de infraestruturas portuárias modernas, e de uma base sofisticada de telecomunicações. O departamento de relações internacionais da cidade de Shanghai já operava na época com 140 técnicos e funcionários. Assim Shanghai prepara a sua transição de centro industrial da provincia, para o de ponte entre o tecido econômico nacional e a economia global.

O Rio de Janeiro, num modelo menos preocupado em atrair fábricas de automóveis e mais preocupado em articular os espaços do seu desenvolvimento, teria claramente um imenso papel a jogar como centro turístico internacional, em particular de turismo de convenções e turismo de negócios em geral, combinando o turismo cultural com os serviços comerciais internacionais hoje em franca explosão. Trinta anos de atrazo nestas opções levam hoje a uma situação de difícil reversão, pela própria deterioração social gerada. São Paulo é a primeira cidade brasileira a ter incluido na sua Lei Orgânica o papel das relações internacionais, mas a compreensão desta sua dimensão ainda se resume em buscar “recursos externos”.[8]

O fato importante é que a economia global não existe no ar, enraiza-se em “pólos” concretos. Por outro lado, muda a composição técnica da produção, com maior peso para serviços. Outro fator importante, reforça-se o tecido de cidades médias ou grandes, que assumem boa parte do papel de subcentros de bacias econômicas, mudando o contexto nacional de reprodução econômica das metrópoles. Assim as metrópoles passam a desempenhar um novo papel, devendo redefinir os seus espaços.

A CIDADE COMO BASE DA ORGANIZAÇÃO SOCIAL E POLÍTICA

A realidade brasileira nos oferece excelente base para analisarmos a evolução do papel do espaço urbano. Em 1950, o país era esmagadoramente rural. Em pouco mais de uma geração, de forma intensa e caótica, tornámo-nos um país de 80% de população urbana. Provocado mais pela expulsão do campo do que pela atração das cidades, este êxodo rural obedeceu à tripla dinâmica da tecnificação, da expansão da monocultura e do uso da terra como reserva de valor.

O mesmo processo que gera esta situação explosiva abre oportunidades. A população urbanizada é organizável, e os espaços locais podem abrir uma grande oportunidade para a sociedade retomar as redeas do seu próprio desenvolvimento. O mundo urbano moderno está literalmente fervilhando com as novas iniciativas de organização social e com as novas tecnologias urbanas. Depois das iniciativas pioneiras de Lajes, ainda nos anos 80, passamos hoje para experiências consolidadas como as formas descentralizadas de gestão de saúde, a elaboração participativa dos orçamentos municipais, particularmente amadurecidas em Porto Alegre e em Santo André mas atualmente presentes em grande parte dos municípios populosos do país. Multiplicam-se hoje práticas de incubadoras de micro-empresas, de crédito comunitário, de renda mínima e outros processos renovadores. Assistimos a um processo onde as cidades aboliram a visão de terem administrações limitadas à cosmética urbana, e buscam parcerias e novas articulações  sociais para recuperar tanto o seu espaço econômico como a dimensão da cidadania local.

Não que as iniciativas locais sejam suficientes. Não se fazem aeroportos internacionais com gestão local e tecnologias alternativas. No entanto, sem sólidas estruturas locais participativas e democratizadas, não há financiamentos externos ou de instituições centrais que produzam resultados. De certa forma, a cidade está recuperando gradualmente um espaço de decisão direta sobre a “polis”, recuperando a dimensão mais expressiva da política e da democracia.[9]

As cidades, por sua vez, têm de ser recolocadas no espaço rural a que pertencem. Desta maneira, seria mais correto falar em espaço local do que espaço urbano. Empolgado com a sua recente urbanização, o ser humano esquece a que ponto está vinculado ao campo que cerca as cidades, e um elemento essencial do desenvolvimento urbano será a reconstrução da relação cidade campo, já não a partir do campo, na visão clássica da reforma agrária, mas a partir da própria cidade.

A tendência para um reforço generalizado da gestão política nas próprias cidades representa uma importante evolução da democracia representativa, onde se é cidadão uma vez a cada quatro anos, para uma democracia participativa, onde grande parte das opções concretas relacionadas com as condições de vida e a organização do nosso cotidiano passam a ser geridas pelos próprios cidadãos.

Numa série de países com formas mais avançadas de organização politica, como os paises escandinavos, dois terços ou mais dos recursos públicos são geridos pela própria sociedade, de forma participativa, ao nível dos  municípios. Isto implica, uma vez mais, mudanças institucionais: além do prefeito e de uma câmara de vereadores, as cidades passam a se dotar de formas diretas de articulação dos atores sociais do município, com a criação de um forum de desenvolvimento, participação de empresários, de sindicatos, de colégios ou universidades e assim por diante.

Ultrapassando a tradicional dicotomia entre o Estado e a empresa, o público e o privado, surge assim com força o espaço da sociedade civil organizada, e as nossas opções se enriquecem. Além disso, o surgimento dos sistemas modernos de comunicação muda radicalmente o conceito de isolamento da pequena cidade, permitindo uma nova dinâmica de articulação dos diversos espaços.

Em outros termos, a cidade aparece hoje como foco de uma profunda reformulação política no sentido mais amplo. Não que o nível local de organização política substitua transformações de gestão política que têm de ser levadas a efeito nos níveis do Estado-nação e mundial: mas comunidades fortemente estruturadas podem constituir um lastro de sociedade organizada capaz de viabilizar as transformações necessárias nos níveis mais amplos. Não há democracia que funcione com uma sociedade atomizada.

O RESGATE DA DIMENSÃO COMUNITÁRIA

Com o breve e recente intervalo gerado pelas transformações capitalistas, em que se gerou a sociedade desarticulada ou atomizada, o ser humano sempre viveu em comunidades. Como bem levanta Renato Ortiz, acostumámo-nos a considerar como positivo tudo o que vai do pequeno para o grande: o clan, a tribo, a aldeia são coisas do passado, a modernidade trouxe a nação, o futuro aponta para o espaço global, a sociedade anônima de bilhões de habitantes da espaço-nave terra.[10]

É melhor ser cidadão local ou cidadão do mundo? A pergunta não tem sentido na medida em que a cidadania tem hoje de se exercer em diversos níveis de espaços articulados. Transferir a cidadania para níveis cada vez mais amplos, e cada vez mais distantes do cidadão, é transferir o poder significativo para mega-estruturas multinacionais, enquanto se dilui a cidadania no anonimato. Em nome do individualismo, liquida-se o espaço de expressão social do indivíduo.

Na excelente formulação de Milton Santos, “o que globaliza separa; é o local que permite a união”. Uma dimensão extremamente prática deste processo nos é dada pelo exemplo cotidiano do dilema da solidariedade. Encontrar um amigo, um velho conhecido, mendicando na rua, nos transtorna. E no entanto, nos acostumamos a ver crianças pequenas saltitando entre carros numa avenida movimentada, ou uma pessoa deitada na calçada, e seguimos adiante. O tempo urge, e além de tudo são tantas desgraças…[11]

Não é que o ser humano agora seja menos solidário: ninguém se solidariza com o anonimato. Generais programam tranquilamente bombardeios que possam coincidir com os horários da mídia, e o mundo assiste impassível à destruição ao vivo de seres humanos, mascando chiclete ou comendo pipoca. A humanização do desenvolvimento, ou a sua re-humanização, passa pela reconstituição dos espaços de relações humanas concretas.

O próprio resgate dos valores e a reconstituição da dimensão ética do desenvolvimento exigem que para o ser humano o outro volte a ser um ser humano, um indivíduo, uma pessoa com os seus sorrisos e suas lágrimas. Este processo de reconhecimento do outro, não se dá no anomimato. E o anonimato se ultrapassa no circuito de conhecidos, na comunidade.

Em termos econômicos, o grande argumento é que o espaço pequeno não é “viável”. Na realidade, a mesma dinâmica que nos levou aos espaços globais nos fornece as tecnologias para a reconstituição de uma humanidade organizada em torno a comunidades que se reconhecem internamente, mas também interagem, comunicam com o resto do mundo, participam de forma organizada de espaços mais amplos.[12]

A busca da reconstuição do tecido social é sentida nas mais variadas áreas. É curioso este novo espaço de nome monstruoso, as “ONG’s”, que se definem absurdamente como organizações não-governamentais. Na realidade, trata-se de um setor não governamental e não empresarial, forma direta de organização das comunidades em torno dos interesses difusos e transindividuais.[13]

Não há dúvida que para muitos o tema da comunidade “cheira” a passado, a bom selvagem de Rousseau. Na realidade, basta atentar para o fato da pessoa hoje, para ser cidadão, precisar pertencer a uma instituição, ter um emprego, para sentir a dimensão da perda de cidadania ao se desarticular o espaço comunitário. Na linha dos aportes de John Friedmann, o “empowerment”, ou recuperação de cidadania, através do espaço local, do espaço de vida do cidadão, é essencial.[14] Caminhamos para a reconstituição das comunidades, em outro nível, incorporando e capitalizando as próprias tecnologias hoje desagregadoras.

OS ESPAÇOS ARTICULADOS

O indivíduo econtra-se, neste processo caótico mas poderoso de reordenamento dos espaços, desorientado. As novas tecnologias e a conectividade eletrônica abrem novos canais de articulação social em torno aos espaços do conhecimento compartilhado. Por outro lado, assistimos à dramática marginalização de dois terços da humanidade, no que tem sido chamado de modernização desigual.

Citando ainda Milton Santos, a base da ação reativa é o espaço compartilhado no cotidiano. Este espaço tem de ser reconstituido, não numa visão poética de um small is beautiful generalizado, e sim através da rearticulação dos espaços locais com os diversos espaços que hoje compõem a nossa sociedade complexa.[15]

Esta rearticulação passa por uma redefinição da cidadania, e em particular por uma redefinição das instituições para que os espaços participativos coincidam com as instâncias de decisões significativas. As hierarquizações tradicionais dos espaços já são insuficientes, ou inadequadas. Precisamos de muito mais democracia, de uma visão mais horizontal e interconectada da estrutura social.

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[1] Ladislau Dowbor, é doutor em Ciências Econômicas pela Escola Central de Planejamento e Estatística de Varsóvia, professor titular da PUC de São Paulo e da Universidade Metodista de São Paulo, e consultor de diversas agências das Nações Unidas. É autor de “A Reprodução Social”, editora Vozes 1998, e de numerosos trabalhos sobre planejamento econômico e social. Foi Secretário de Negócios Extraordinários da Prefeitura de São Paulo. E-mail ladislau@ppbr.com; home-page  http://ppbr.com/ld
[2] – Alain Bihr, Le Monde Diplomatique, junho 1995
[3] – A tecnologia é um acelerador do tempo. E em termos sociais, tempo e espaço são estreitamente associados: quando produtos como informação comercial ou financeira, ou imagens de noticiário ou de diversão, dão a  volta ao mundo em segundos, o tempo passa a reordenar o espaço.
[4] – É compreensível que a inadequação do Estado que herdamos, para enfrentar os novos problemas, seja se certa maneira aproveitada para uma ofensiva do setor privado, que busca se apropriar para fins de lucro de setores que devem ser organizados segundo critérios de interesse público. Esta ofensiva do setor privado, no entanto, não justifica atitudes defensivas por parte de forças progressistas.  O fato da alternativa simplista oferecida no quadro do neoliberalismo ser nefasta não afasta a necessidade de transformar o Estado, que continua real.
[5] – UNDP, Human Development Report 1993, p. 5
[6] – Ver John Naisbitt, Paradoxo Global, Editora Campus 1994
[7] – Ver John Friedmann, The World City Hypothesis, in Development and Change, jan. 1986
[8] – Ladislau Dowbor, São Paulo, cidade Mundial, Economia e Cultura, Nº4, 3º Trimestre 1992; é interessante notar que o papel que já exerceram na Renascença cidades como Veneza, se aproxima bastante do novo papel das metrópoles.
[9] – É significativa neste sentido a dimensão que assumiu a Cúpula das Cidades (Habitat II), Istanbul 1996, avaliando as novas dimensões das políticas urbanas, e o peso que as reuniões de prefeitos tiveram no Forum Social Mundial de Porto Alegre em 2001.
[10] – ver Renato Ortiz, Cultura, modernidad e identidades, Nueva Sociedad, Mayo/Junio 1995
[11] – Não se trata aqui de voltar à comunidade primitiva, à “tribo”: o espaço micro-social pode ser tão opressivo, ou mais, do que o espaço global que não controlamos. As novas tecnologias e a mudança dos referenciais de espaço permitem que o ser humano participe simultaneamente de diversas dimensões. É a liquidação do espaço local, em vez de sua articulação com os demais, que questionamos aqui.
[12] – Pierre Lévy traz no seu  L’intelligence Collective, La Découverte, Paris 1994, um aporte decisivo para se entender melhor como as novas tecnologias do conhecimento podem contribuir para a rearticulação dos espaços do desenvolvimento: ”A imagem dinâmica que emerge das suas competências, dos seus projetos e das relações que os seus membros mantêm no espaço do conhecimento constitui para o grupo coletivo um novo modo de identificação, aberto, vivo e positivo. Novas formas de democracia, mais adaptadas à complexidade dos problemas contemporâneos do que as formas representativas clássicas, poderiam assim nacer”. (p.33)
[13] – ver Fábio Konder Comparato – A nova cidadania – Lua Nova, 1993, nº 28/29; o Human Development Report 1993 das Nações Unidas faz um balanço mundial das ONG’s que envolviam cerca de 100 milhões de pessoas no início dos anos 1980, e mais de 250 milhões atualmente. Hoje se agregam as CBO’s, Community Based Organizations, igualmente em fase de expansão extremamente rápida. Com a amplitude e diversificação deste tipo de organizações, O Human Development Report de 1997 sugere a utilização do conceito mais amplo de organizações da sociedade civil.  
[14] – John Friedmann, Empowerment: the Politics of Alternative Development, Blackwell, Cambridge 1992
[15] – Octávio Ianni exprime esta idéia de forma mais poética: “O todo parece uma expressão diversa, estranha, alheia às partes. E estas permanecem fragmentadas, dissociadas, reiterando-se aqui ou lá, ontem ou hoje, como que extraviadas, em busca de seu lugar” – Otávio Ianni, A Idéia de Brasil Moderno, Brasiliense 1992, p. 177

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