A DIVERSIDADE SOCIAL

APRENDENDO COM AS OPORTUNIDADES

SUNDERHUS; Adolfo Brás[1]

Na vida passamos por períodos diversos e distintos em que se apresentam situações de toda natureza da sua diversidade social, produtiva, econômica e política até a perplexidade extrema de atos e ações por nos cometidos, sendo que estes caminhos na grande maioria das vezes ocorrem em espaços de tempo tão curtos que mal percebemos que situações como estas são possíveis de acontecer com todo e qualquer cidadão, sobretudo àqueles se aventuram a sair seu habitat natural, do seu ambiente de conforto.

Parando para refletir sobre este contexto podemos verificar e identificar ao nosso redor uma infinidade de situações que julgamos incabíveis mais que estão ocorrendo a todo dia, a todo instante e pasmem em um Estado que historicamente tem acumulado significativos ganhos e crescimento econômico tornando-se rico, mas ao mesmo tempo desprezando uma parcela grande de sua população durante este mesmo período histórico de crescimento e acumulação de riquezas e poder. Soma-se a esta realidade o drama diariamente vivido por capixabas sem escolaridade, sem segurança e que a todo o momento se veem obrigados a criar, inovar e improvisar situações para sobreviver, e ai alguém vem e diz: “o capixaba e empreendedor”, como se estivesse tecendo elogios e valorização, que acredito até que seja, mas estas “falas” não veem acompanhadas de comprometimento público para resolução das necessidades básicas desta população e soam mais como algo de que “falando dei minha contribuição de estimulo” e para por ai e só ai.

A perplexidade se torna maior ainda no momento em que estas falas “motivadoras” passam a ter sentido e serem perfeitamente “absorvidas como verdades absolutas” pela sociedade e pelo conjunto dos cidadãos quando aqui colocamos como ponto de comparação também extremo todas as atrocidades e negligencias cometidas pelas nações “desenvolvidas” no decorrer do século XX que adotaram o jogo do ganha-ganha ou perde-perde, ou do pior perder para ganhar. Esta pratica no mínimo e assustadora. Este elemento assustador transforma-se em uma visão aterradora quando nos deparamos com a manutenção de atitudes desumanas que ferem a integridade física e o intelectual das pessoas e de uma sociedade  dos seus direitos básicos gerada por uma violência domestica e coletiva quando nos dizemos seres humanos crentes e tementes a Deus e nos  intitulamos cristãos. Como justificar estes atos e ações!

Neste víeis podemos arriscar que e necessário no mínimo um ajuste de nossas ações e atitudes de nossa consciência critica formadora e transformadora de novos conceitos e paradigmas. Se aceitarmos estas práticas estamos afirmando que dar esmola a quem pede ou um presente a alguém estará resolvendo estas dividas histórica que hoje parece não serem de consciência, pois parece que esta – a consciência, não existe. Desta forma diversos subterfúgios constitucionais ao amparo legal são fortemente institucionalizados e caem na preferencia de busca da sociedade na aceitação desta prática, haja vista somente como exemplo didático e ilustrativo a barganha política por emendas parlamentares e incentivos financeiros e fiscais que estão longo de serem soluções a resolver as causas estruturantes dos graves problemas que sofrem a sociedade.

O ter consciência exige de cada um de nós, sociedade e poder público a capacidade de percepção e análise local e coletiva. Nossa geração sofreu uma “educação” vendo a miséria como um castigo, ou na simplificação da luta de classes e não como resultado de ações de quem poderia mudar esta situação e neste contexto insere-se o comprometimento ou a falta deste por parte das políticas públicas neste breve contexto histórico.

Vivemos no Espirito Santo como sendo o Estado, o “cara” que na última década têm experimentado um forte crescimento econômico de forma extraordinária gerando riquezas e poder político que ganhando uma roupa nova passando a figurar como um processo de “desenvolvimento” sedimentado em um forte complexo industrial que vem sendo montado e fortalecido com incentivos públicos a cada ano. No setor agropecuário da mesma forma vemos ganhos e aumento de produtividade com fortes ganhos econômicos pelo aumento significativo da produção caminhando fortemente para o mercado exportador. Mas neste mesmo Estado seja no meio urbano ou rural ainda vemos milhares de famílias que sequer conhecem e tem acesso à distribuição desta riqueza; grupos de homens e mulheres convivem e catam lixo produzido por esta riqueza para sobreviverem. Drogas invadem de forma agressiva este mundo urbano e rural. O processo de favelização se acentua ano a ano nas regiões metropolitanas teoricamente “mais evoluídas” e com “maiores oportunidades”. A busca por este “eldorado” que a cada 60 dias geram um milionário (A Gazeta, 30/11/2011, pág 33) forjado pelo aquecimento da economia capixaba nos setores do petróleo, financeiro e da construção civil sendo este crescimento um fenômeno que esta se verificando não só no Espírito Santo, mas uma realidade do Brasil (19 pessoas se tornam milionárias por dia).

E assim caminha nossa sociedade capixaba e suas políticas públicas. E este crescimento concentrado resulta em uma situação que tem se agravado com os cortes de investimento em projetos que proporcionam um resgate social. Esta busca por melhores condições tem proporcionado um crescente processo de migração seja dentro do próprio Estado (do rural para o urbano e entre os municípios de “menor” oportunidade para os de “maior” oportunidade) ou de outros Estados que tem como horizonte este novo e tão propalado “eldorado”, gerando fortes contrastes como um gigantesco processo de favelização nos chamados “polos atraentes” de oportunidade.

Precisamos resgatar nossas lembranças históricas do em que os escravos foram libertos sem qualquer iniciativa de políticas públicas de assistência de natureza social e de inclusão produtiva e econômica e dos seus direitos políticos, sobretudo as mulheres. Contamos ainda com o descaso aos trabalhadores e trabalhadoras do campo que foram dispensados de seus postos de trabalho enquanto proprietários rurais geradores de renda e trabalho e se viram desamparados ao longo de estradas formando enormes filas que hoje tentam a toda sorte de políticas públicas estabelecerem um processo democrático de volta a sua origem como família rural.

Neste contexto histórico podemos entender perfeitamente a necessidade do estabelecimento de políticas públicas compensatórias, mas não podemos abrir mão de estratégias e ações proativas, incluidoras e emancipatórias. Só não podemos admitir a volta e a manutenção de políticas assistencialistas e geradoras de exclusão com concentração e riqueza, renda e poder. Precisamos sair de uma situação de doença e caminharmos a rápidos e largos passos para uma sociedade sadia e de igualdade e justiça social, econômica e política.

Fica assim muito evidente o entendimento de que historicamente apesar de todo crescimento e riqueza erramos muito no sentido do desenvolvimento sustentável e na distribuição das riquezas geradas por este crescimento. E fácil também avaliarmos este contraponto do capital, pois fortemente buscou se salvaguardar na contextualização do radicalismo ideológico carimbando uns e outros e ao mesmo tempo usando esta retorica para não fazer nada ou desenvolver ações compensatórias e pontuais claramente excluidoras de processos de emancipação para sociedade pois o modelo proporcionou uma ausência de políticas de desenvolvimento às populações mais pobre e em maior vulnerabilidade.

Assim temos de um lado um Espírito Santo rico cuja riqueza não teve um processo de distribuição buscando oportunizar as condições de socialização e emancipação das populações mais carentes. Assim passamos a experimentar um plano não assistencialista e compensatório. Estamos começando a sentir a execução de programas, projetos e ações que permitam o desenvolvimento e a qualificação profissional, social, educacional e de segurança no meio urbano e rural do Espírito Santo tendo como foco as famílias em maior vulnerabilidade. No entanto precisamos compreender algumas afirmações de geração de riqueza para não imaginarmos ou prospectarmos sonhos de que em levando as oportunidades as classes mais pobres todos ficarão mais ricos, haja vista o víeis de entendimento do termo riqueza.


[1] Engenheiro agrônomo
CREA – ES 2146 D / 11ª Região
Graduação em Agronomia – UFES, Alegre – ES, Brasil
ÁREAS DE ATUAÇÃO
1-         Organização Social e Redes Solidárias
2-         Microfinanças sociais
3-         Análise de Cadeias Produtivas
4-         Custo de Produção dos Arranjos Produtivos Locais
5-         Projetos Captação de Recursos – Agropecuária
6-         Projetos de Recuperação Ambiental

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