POLÍTICA E LIBERDADE!

POLÍTICA… LIBERDADE. ESTE É O SENTIDO!

SUNDERHUS; Adolfo Brás[1]

Política e liberdade. Este e o sentido desta palavra: LIBERDADE. A ideia de política remonta de externar o pensamento sobre a coisa pública e vem de muitos anos da Grécia considerada o berço da democracia. E estes conceitos nasceram intimamente ligados a idéia de liberdade que para este povo berço do espírito democrático era sua própria razão de viver.

Um fator importante na construção de todo processo democrático e de políticas reside na observação de que o homem e a mulher enquanto cidadãos de uma sociedade apresentam-se com uma forte pluralidade de idéias, necessidades, objetivos. Assim a política deve conviver, e os políticos, com uma função de fundamental importância que é a de regular o convívio dos diferentes e não dos iguais. Ou seja, desta forma deve-se ter a convicção de que não há distinção entre política e liberdade e estas duas vivem associadas à capacidade do ser humano, homem e mulher e da sociedade de agir em público.

Vivemos, no entanto em nossa modernidade com o ser humano não conseguindo pensar e agir desta maneira.

Hannah Arendt nos diz: “A politica assim aprendemos, é algo como uma necessidade imperiosa para a vida humana e, na verdade, tanto para a vida do indivíduo maior para a sociedade”.

Desta forma podemos evidenciar como objetivo e meta da política relaciona-la com a aspiração da sociedade moderna: a busca da felicidade. A busca da qualidade de vida e da vida com qualidade. Ou seja, a política tem como objetivo maior a garantia da vida no seu sentido mais amplo.

Neste sentido a sociedade precisa estar atenta aos fatos que acontecem todo dia em relação a política e aos políticos. Sobretudo quando estamos nos aproximando de mais um importante momento que são as eleições municipais onde cada cidadão e cidadã, cada jovem e idoso estará escolhendo, elegendo aqueles que nos representação na condição pública, lembrando que a eleição democrática de representantes da sociedade escolhidos pelo seu povo organizado tem como objetivo oportunizar um futuro melhor do que este vivido até agora sem brutalidades políticas. E o momento para resgatarmos de volta a ética, a moral e o respeito da política e dos políticos.

No entanto nos deparamos com uma grande dificuldade que precisa ser vencida: a de que verdadeiramente não e fácil discutir a questão da política nos dias de hoje, pois estamos vivendo um paradigma de forte desconfiança do homem pelo homem no poder. Embora este fato seja relevante um outro deve estar a frente deste que é o de que o homem a mulher é um ser essencialmente político. A sociedade é a forma de organização mais madura da política. Todas os atos e ações que praticamos seja em família, no convívio com amigos, no trabalho, nos momentos de descontração e lazer, todos são atos essencialmente políticos. Pois são tomadas de decisões e o tomar decisão e um ato de natureza política. O tomar decisões gera consequências e assim somos responsáveis por elas. Ser omisso e também uma tomada de decisão e portanto um ato político, assim ao assumirmos este posicionamento de omissão em qualquer momento de nossa vida estamos dando a oportunidade a que outro ou outros tomem esta decisão por nós. Ou seja, a nossa omissão pode gerar oportunidades a fatos que são julgados negativamente por nós e aqui não se trata de dizer se somos culpado ou não mas sim de evidenciarmos a nossa omissão.

Assim podemos tomar a decisão de jogar lixo nas ruas ou não. Podemos tomar a decisão de fazer parte ou não da associação de nosso bairro. Podemos ou não tomar a decisão de fazer parte de um trabalho de natureza voluntariada em uma causa que “acreditamos”. Podemos ainda votar em um político corrupto ou votar em um político bom.

Neste sentido precisamos sair da inercia de nossa acomodação. Estamos muito parados, visivelmente parados no que diz respeito aos esforços que deveríamos ter para se opor a este estado de coisas que se manifestam todo dia na política e sobre os políticos. Defino os políticos como “candidatos eleitos a assumir desafios”.

No entanto estamos vivendo nestas ultimas quatro décadas um distanciamento dos políticos em assumir desafios. Vemos muito que o desafio a que estão dispostos e o de sua vontade próprio em atender suas vaidades pessoais ou de determinados grupos políticos e econômicos ficando no esquecimento os propostos que foram e estão postas pela sociedade e pelo seu conjunto de cidadãos: sistema de transporte coletivo com dignidade; a mobilidade urbana dos pedestres, dos veículos e para os que têm algum tipo de deficiência; o saneamento básico; com a inclusão social e produtiva; com a oportunidade de práticas alternativas de geração de trabalho e inclusão produtiva; com a segurança pública; contra a violência à jovens e mulheres dentre inúmeras outras como o direito a creches públicas; a escolas mais estruturadas e preocupadas com o processo educacional para o desenvolvimento sustentável das gerações; praças públicas; vias públicas; habitação e ao direito de todo cidadão e cidadã de exercer sua cidadania com dignidade e liberdade.

Precisamos vencer o paradigma estabelecido por uma confusão coletiva que a de que política e o simples ato de votar. Fazemos política e vivemos a política todos os dias quando tomamos atitudes em nossa família, em nosso trabalho, quando estamos conversando com grupo de pessoas em uma mesa do bar bebendo uma cervejinha e até mesmo assistindo uma partida de futebol do nosso time. Fazemos política quando em qualquer ambiente exigimos nossos direitos de cidadãos enquanto consumidores. Somos essencialmente seres políticos quando nos indignamos ao vermos crianças fora de escolas e sendo exploradas nas ruas até pelos próprios familiares ou quando as vemos serem esquecidas em instituições públicas que tem a função de proteção e acolhimento.

Somos seres de uma forte essência política quando nos incomodamos com jovens que chegam ao mercado de trabalho saturado com milhões de desempregados. Somos políticos quando discutimos ou apoiamos ou somos omissos na luta de milhões de trabalhadores e trabalhadoras por um pedaço de terra. Vivemos a essência da política quando nos indignamos contra o uso de agrotóxicos envenenando agricultores e agricultores e contaminando os alimentos que serão servidos em escolas, creches, hospitais e aos consumidores. Enfim somos e vivemos enquanto seres políticos quando tomamos atitudes e omissões na luta de todas os excluídos e quando nos manifestamos por construirmos uma sociedade mais inclusiva.

Assim vivemos nesta dualidade constante: atitudes e omissões. São parte integrantes de nossa ações política perante a vida. Somos portanto responsáveis diretos pela luta por justiça social e por uma sociedade verdadeiramente justa, igualitária e democrática para todos e todas.

Assim acredito que estamos vivendo um bom momento para construirmos uma excelente bandeira a ser levantada e carregada agora e depois das eleições municipais, por nos da sociedade e pelos eleitos aos cargos executivo e legislativo municipal. Precisamos aproveitar este rico momento político que estamos vivendo e sermos essencialmente políticos na verdadeira concepção da política construindo oportunidades de discutir um plano de prioridades com propostas mais realistas, técnicas, de caráter social, produtivo, econômico e com comprometimento efetivo na essência da política, através de seus destinatários e do controle social exercido pelos cidadãos e cidadãs organizados.


[1] Engenheiro agrônomo
CREA – ES 2146 D / 11ª Região
Graduação em Agronomia – UFES, Alegre – ES, Brasil
ÁREAS DE ATUAÇÃO
1-         Organização Social e Redes Solidárias
2-         Microfinanças sociais
3-         Análise de Cadeias Produtivas
4-         Custo de Produção dos Arranjos Produtivos Locais
5-         Projetos Captação de Recursos – Agropecuária
6-         Projetos de Recuperação Ambiental

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