HUMANIDADE – O RISCO DA INSUSTENTABILIDADE

 A INSUSTENTABILIDADE SOCIAL E AMBIENTAL

SUNDERHUS; Adolfo Brás[1]

Água… Alimentos naturais… Ambientes equilibrados… Solos sadios!

Esta busca e uma constante em nossa atualidade. Os recursos naturais água e solo já passam a ser entendidos como uma riqueza natural que pode se esgotar que poder ter um fim, seja pela quantidade seja pela sua qualidade em servir aos seres vivos. A busca por alimentos naturais, livre de agressivos químicos (venenos e adubos solúveis) e uma realidade cada vez mais forte e presente na vida das pessoas e faz parte da chamada “segurança alimentar” que para sociedade e um fator essencial para vida e para os governos uma política pública.

Para termos estes dois em excelência e preciso ambientes de convivência equilibrados. E aqui quando destes falamos nos expressamos não àqueles ambientes ligados à produção de água e alimentos que vem do meio rural, mas esta diretamente e na mesma medida envolvida o meio urbano, onde produzimos serviços e desequilíbrios sociais e ambientais. Assim produzir estas mudanças que são essencialmente comportamentais, temos que mudar hábitos e atitudes nas pessoas, nas instituições públicas ou privadas e naquelas de caráter representativo das organizações sociais e produtivas da sociedade.

As mudanças de natureza ambiental e social por nós experimentadas e vividas são inquietantes e aquelas que eram anunciadas para os idos de 2040/2050 já se apresentam fortes nos dias atuais, quatro décadas antes. Hoje vivemos uma guerra silenciosa causada pela água. Uma guerra silenciosa que atinge 60 países em conflitos deste o inicio da década de 90. Povos, pessoas e nações estão em guerra tendo como motivo a água, um bem finito e assim deve ser protegido. Só que esta proteção esta priorizando palco de intervenções bélicas onde se perde justamente a vida que tanto se quer preservar que se soma a continua perda de água. E o quadro torna-se cada vez mais agravante e assustador quando dados orientam que nos próximos 25 anos metade de população humana terão limitações serias e severas para acesso à água potável.

Neste víeis as inquietudes sociais também crescem na mesma proporção e intensidade. Estamos construindo uma sociedade que cada vez mais promove, vive e convive com maiores índices de exclusão. Estamos vivendo em uma sociedade onde os governos exercitando, nesta sociedade, um laboratório de experiências de políticas públicas alicerçadas em disponibilizar recursos públicos como forma de compensar sua incompetência no estabelecimento de políticas que realmente tenham como compromisso a inclusão social e produtiva capaz de gerar trabalho e renda e de natureza emancipatória e autogestionária. Neste víeis sociedade e governos encontram-se envolvidos em tarefas urgentes e pontuais que, de tão urgentes não param para refletir sobre o suicídio que esta sendo imposto ao atual estilo de vida em que estão a grande maioria das pessoas, sobretudo aquelas em maior risco/desigualdade social e econômico.

Continuamos apesar da convivência com estas realidades exercitando o aumento da produção, do consumo e da degradação ambiental com fortes consequências sociais e de sustentabilidade. Mesmo assim estamos sociedade e governo, preparados e prontos para justificarmos estes atos e ações, pois vale mais a criação de novos empregos, para atender cada vez mais pessoas com capacidade de consumir, de produzir resíduos e fazer mais pressão sobre os recursos naturais do que a da concertação da exclusão por políticas estruturantes de inclusão social e produtiva de promoção da justiça social e econômica e do enfrentamento a todas as formas e expressões de desigualdade.

Esta capacidade nos coloca como a espécie humana dominante e neste víeis de dominante pode exercitar toda e qualquer ação dominadora. Estamos assim nos transformando e nos aproximando rapidamente daquelas espécies tidas como pragas, pois estamos exercitando papel predatório, individualista e imediatista. Ou seja, queremos tudo, sempre mais e mais e sem regras, ou seja, a partir de nossas próprias regras, a do consumismo. Em que pese o exagero e a desproporção destas palavras daqui a pouco teremos o capitalismo instalando um processo industrial para produção de algum “praguicida humano” para combater esta “praga social” produto desta humanidade.

No entanto este modelo de “desenvolvimento” que estamos experimentando, já nos da prova de seu esgotamento pelo víeis gerador de exclusão social e de desigualdades que gera para uma pequena parcela da sociedade um ambiente de poder e dominação, que pela dominação e pelo poder gera processos de degradação propiciando uma crise de percepção das coisas que estão acontecendo ao redor do ser humano ofuscando a verdade que não permite visualizar a destruição dos sistemas naturais (sociais, produtivos, econômicos, ambientais, culturais, cidadania, políticos dentre outros) que fazem o ponto de equilíbrio para vida.

Geramos excedentes poluentes aos recursos hídricos e as águas que bebemos, ao ar que respiramos e aos solos que produzem os alimentos para servir a sociedade. Causamos desequilíbrios em nossas formas de orientação e organização social em especial aos processos de educação de natureza emancipatória, autogestionaria e de cidadania. Estamos gerando um “complexo educacional” pautado no analfabetismo ambiental, social, produtivo, econômico reproduzindo conceitos do individualismo e desprezando princípios associativos e solidários. Estabelecemos desta forma o enfraquecimento conceitual e educacional. Enfraquecemos na mesma medida e proporção a nossa capacidade de entendimento, de criar e recriar mecanismos para suportar as adversidades de forma coletiva. Criamos sim uma coletividade pautada em valores individualistas onde passa a ser importante o dito popular “farinha pouca, m eu pirão primeiro” estabelecendo um rico e largo caminho para a falta de ética moral cívica e política.

Diminuímos nossa capacidade de critica e de defesa de nossas necessidades pela simples aceitação de políticas de geração de trabalho que alimenta o processo de consumismo de disputa e de exclusão de classes. Como dizemos na ciência da agropecuária estamos diminuindo a capacidade de suporte de nossa sociedade pelas pressões produzidas por esta sociedade sobre si mesma e sobre os recursos naturais e sobre os conceitos e princípios da solidariedade e da justiça social e econômica. Se entendermos o estes valores, meio ambiente, solidariedade e justiça social e econômica como uma poupança pode-se afirmar que estamos vivendo à custa de um capital original natural onde vivemos exercitando continuada retirada sem fazermos o devido deposito necessário a sua sustentabilidade e longevidade a luz de nossas necessidade hoje e amanhã. Ou quando fazemos algum deposito a sua velocidade e infinitamente inferior a velocidade das retiradas. O balanço social, econômico, ambiental e de justiça, portanto e negativo. E negativa é a sustentabilidade deste sistema. Ou seja, podemos afirmar que exploramos os limites deste sistema dentro do entendimento da nossa ignorância a complexidade de suas relações e interações.

A consequência que se estabelece: perda da qualidade de vida e da vida com qualidade. E isto e para todos. Podem-se apresentar escalas diferenciadas entre os povos, entre grupos sociais e entre pessoas, mas e parta todos. Todos sofrem hoje e sofreram amanhã com a permanência desta brutalidade. E esta perda pode se expressar pela perda de nascentes de águas potáveis ao abastecimento humano, as necessidades da agricultura e da pecuária; ao desemprego que se aloja e se alicerça no mundo moderno formando um forte tecido de exclusão social produtiva e econômica; ao crescente índice de assaltos e roubos; ao empobrecimento do tecido social pelo rompimento com sua cultura, pela perda de sua identidade e de seus valores originais; pelo estabelecimento de disputas acirradas pela arrogância e pelo individualismo que assola o ser humano “civilizado”.

Estamos vivendo, portanto, um movimento que contraria ao que se estabelece para o desenvolvimento equilibrado de uma sociedade que é o proposito de vivermos em harmonia e em equilíbrio em nossos relacionamentos pessoais e com o ambiente que nos acolhe. Este desvio nos leva a uma forte colisão gerando uma forte insustentabilidade social econômica, ambiental, cultural e política e esta reversão hoje e o principal motivo de debates e de conferencias onde se estabelece o marco principal de enfrentamento ao maior desafio de nosso século que é aquele da sustentabilidade da espécie humano e de sua organização social e vivencia comunitária e em sociedade.

Quando paramos para reflexão e tomamos atitude e praticamos mudança de comportamento para o enfrentamento destes desafios, geramos novas e exitosas ferramentas de marco teórico, prático e político que nos permite o resgate de valores e a criação de novos paradigmas que estejam em harmonia com a ética, com a cidadania e com o respeito coletivo dos povos. Geramos nesta organização acordos, tratados, estruturas de desenvolvimento comprometidas com o ambiente em que vivemos e com nossas necessidades e construímos uma ideia e uma vontade de mobilização voltada para sensibilização e conscientização da sociedade.

Exercitamos assim uma ação educadora e emancipatória voltadas para resolução de conflitos sociais, produtivos, econômicos, culturais, ambientais e políticos capazes de promoverem o desenvolvimento dos talentos e habilidades das pessoas e dos governos, das competências e do real envolvimento de cada um e de suas coletividades, para conquista de uma mudança que trará sustentabilidade, qualidade de vida e vida com qualidade  a todos os seres vivos e ao planeta.


[1] Engenheiro agrônomo
CREA – ES 2146 D / 11ª Região
Graduação em Agronomia – UFES, Alegre – ES, Brasil
ÁREAS DE ATUAÇÃO
1-         Organização Social e Redes Solidárias
2-         Microfinanças sociais
3-         Análise de Cadeias Produtivas
4-         Custo de Produção dos Arranjos Produtivos Locais
5-         Projetos Captação de Recursos – Agropecuária
6-         Projetos de Recuperação Ambiental

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