O EXERCÍCIO DO PODER PELA SOCIEDADE

COMO EXERCER O PODER – UM CONTEXTO DA ATUALIDADE

SUNDERHUS; Adolfo Brás[1]

CONTEXTUALIZAÇÃO

Estamos diante de uma sociedade onde se vive o exercício do poder do mais forte. Este exercício se dá de formas as mais distintas pela força bruta em si e por si só; pelas armas onde a sociedade se sente refém de organizações criminosas e com forte influência social e política; pelo poder econômico com definição de classes sociais e econômicas pelo que ganham com exploração da mão – de – obra de trabalhadores e trabalhadoras. Como resultado destas afirmações e poder  temos a opressão e a exploração da grande maioria da sociedade e embora estes fatos se apresentem diários em nossas vidas outro fato que vivemos e o de darmos às costas para qualquer exercício de poder que possa se contrapor a estes fatos que se tornam uma verdade e um rotina em nosso dia – a – dia.

Estamos vivendo uma realidade traduzida por abrimos mão do nosso poder pessoal e apesar de toda sorte possível passamos a ceder este poder a alguém, outro para exercê-lo. E quando o fazemos “enriquecemos” este ato pela ação de que não precisamos nos responsabilizar pela sua utilização, pois o que fazemos de fato e na prática é deixar que o “outro, o alguém” decida sobre nossas vidas, sobre o nosso destino sobre nossa sustentabilidade enquanto sociedade.

Este fato e tão serio e verdadeiro que a partir desta decisão tomada não nós preocupamos mais com questionamentos da seguinte natureza. Quem ou o que esta decidindo nossas vidas, nosso destino? Por que abrimos mão do nosso poder, quais foram e quais são as razões que nos levam a tomar esta atitude? Assim uma ansiedade deve tomar conta de nossos pensamentos: construi, construímos enquanto sociedade crenças e valores como resultado de todas as experiências coletivas e individuais dos cidadãos e cidadãs que formam as melhores propostas, os melhores caminhos para nossa sustentabilidade e abrimos mão deste poder. Que fato gerador causa este descompromisso pessoal? Mas em tempo podemos ainda criar outras neste momento de nossas vidas. E necessário redescobrirmos a que serve nossas crenças, nossos valores, nossa identidade de cidadãos e cidadãs em nossas vidas.

Para re-conquistarmos o nosso poder, precisamos rever nossos hábitos e atitudes. Devemos nos desfazer daquilo que já não nos serve e recuperarmos o que ficou esquecido, perdido meio a nossa ansiedade e nossa busca individualizada e não coletiva da sociedade. Precisamos resgatar nossa autoestima do poder e exerce-lo mesmo que compartilhado com “outro, alguém”, mas dentro de uma nova lógica, mantendo nossas potencialidades e necessidades sempre atualizadas e disponíveis para serem empregadas em nossas ações no exercício do poder compartilhado de forma cotidiana.

COMO EXERCER O PODER HOJE

O exercício de fazer política e, portanto um ato de exercício do poder. A forma de exercer este poder no princípio só era possível quando as cidades eram pequenas e os problemas não eram tão complexos. O passar dos anos e dos séculos nos trouxeram uma rica experiência de acumulo de experiências positivas e negativas, mas inegavelmente experiências que se entendidas enquanto ensinamentos podem ser positivas na construção de novas formas de políticas. A grande questão esta na forma como se estabelece este novo poder: se por organização da sociedade ou se por imposição e invenção de classes dominantes para proveito próprio.

Historicamente um grupo sempre quer dominar o outro e neste sentido o primeiro passo e o de tirar o poder político de suas mãos ou de seu domínio e neste sentido esta disputa não deixa o povo participar, ou seja estabelece-se o poder de “um só” em nome da coletividade. Este tipo de poder se estabeleceu com muita força através dos reis, faraós, imperadores, enfim só um faz a política onde o povo tem que se submeter a todas as decisões tomadas por este “senhor” mesmo que estas contrariem as necessidades e aspirações desta sociedade. A história da humanidade nos da conta de que este regime esteve presente com muita força durante muito tempo sob este sistema político e de exercício do poder.

Mas mesmo com todo o poder as insatisfações foram crescendo e nos séculos XVII e XVII tanto na Europa como nos EUA esta mesma sociedade se insurge num movimento em que o entendimento se fortalece para mudança deste sistema político na construção de um novo paradigma com a participação do povo no poder. A democracia da Grécia antiga estava sendo reinventada com as pessoas querendo participar do poder e de sua construção.

No entanto, como tirar o poder do Estado e de novo levar este poder para praça pública. A sociedade agora era muito maior, com muito mais cidadãs e cidadãs e com muito mais problemas para resolver. Mais um fato era verdadeiro e que não voltaria atrás: o poder não pode mais se concentrar nas mãos de um só. Outro fato que nasce de forma muito forte: este poder precisava ser fiscalizado. Nasce assim a ideia de dividir o poder: ao invés de um só poder foi criado três instancias de poder: executivo, legislativo e judiciário que tiram a função de fiscalizar um ao outro e ao mesmo tempo serem poderes independentes, convivendo em harmonia e em equilíbrio. Ou seja, nenhum destes poderes poderia ser maior do que o outro nem dizer o que o outro deve fazer, ou seja se meter nas atribuições que não lhe diz respeito.

Assim se fundamenta a estrutura de poder das democracias modernas válidas até hoje para maior parte do mundo e o Brasil e uma delas. Ou seja, o processo de democracia e construído com os três poderes se equilibrando evitando abusos no exercício deste poder. A cada uma das instancias de poder e atribuído suas responsabilidades, suas obrigações e deveres e direitos.

Faltava agora tomar duas importantes decisões que dentre todas de elevado valor político e de poder. A primeira que seja garantir ao povo ser o dono deste poder. A segunda quem iria ocupar estes poderes e de que forma. Para atender esta tomada de decisão política e de poder decidiu-se que o povo deveria escolher e estabeleceu-se a eleição como forma desta decisão coletiva pelo cidadão e cidadã.

Portanto a eleição é o momento em que o nos o povo escolhemos aqueles que vão ocupar os poderes para agir em nosso nome. E neste caso não se trata de abrirmos mão do nosso poder pessoal ou coletivo para ceder este poder a “outro, a alguém” para exercê-lo. Mas sim temos uma diferença importante daquela da Grécia, da polis, pois construímos uma democracia representativa, diferente da democracia direta que é aquela em que o povo vai para praça pública decidir sem intermediários.

Construídos os processos de democracia ocorreu imediatamente outro problema. “Enriquecemos” o poder outorgado pela nossa ação de omissão com o processo democrático, pois acabamos nos acomodando com essa estrutura “política representativa da sociedade” e passamos a agir como se não precisássemos nos responsabilizar pela sua forma de gestão política. Deixamos na pratica que o “outro, o alguém” passe a cuidar de tudo em nossas vidas, sobre o nosso destino sobre nossa sustentabilidade enquanto sociedade. Nos esquecemos do principio básico que um filho não pode ser abandonado a sua sorte e se assim o for ele tomará as decisões que forem necessárias de acordo com sua visão e o seu entendimento do mundo que se apresenta diverso, conflitante e de interesses próprios e corporativistas. Ou seja esta nossa omissão na prática politica da democracia nos levou a dar um cheque em branco e com rico fundo construído a partir do trabalho diário dos cidadãos e cidadãs aos “representantes do povo”.

OS RESULTADOS DA DEMOCRÁCIA REPRESENTATIVA

De novo, como diz o ditado popular “nadamos, nadamos e morremos na praia”. E mais ou menos assim pois o dia – a – dia do exercício da chamada “democracia representativa” mais uma vez apresenta um grave e velho problema: a sociedade, os cidadãos e cidadãs acabam ficando de fora da política e transferindo esta atividade apenas para os eleitos e a participação da sociedade se da apenas e acaba reduzida durante o processo eleitoral, e mesmo assim as eleições propriamente ditas.

Precisamos sair da inercia política que estamos e exercermos o poder que nos cabe. Precisamos transformar este modelo politico incorporando elementos de participação direta do povo, pois afinal o poder pertence a sociedade e não aos eleitos. Primeiro precisamos acreditar e entender este fato para depois agirmos.

Não podemos apenas restringir nossas ações ao simples ato de elegermos “outro, alguém” para exercer o poder de representação da sociedade. Precisamos ir além de elegermos prefeitos, câmara de vereadores, assembleias legislativas e outros poderes. Devemos buscar formas de participação direta nas definições políticas e no exercício de poder em nosso bairro, no nosso município, no nosso estado e no país. Fazemos parte de uma republica federativa com um regime reconhecidamente democrático e neste espaço nos situamos e devemos exercer nossa ação política conquistando o compartilhamento do poder, pois a democracia participativa incorpora a democracia representativa os princípios da democracia direta fazendo com que a ação do poder público executivo, legislativo e judiciário se estabeleça de forma mais próxima da sociedade e das necessidades da população.

O exercício de nossa participação mais ativa no processo político e de compartilhamento do poder dificulta a prática da corrupção e nos apropria das condições de tomarmos decisões que podem influenciar positivamente a diminuição e o rompimento politico com esta pratica tão comum em nossos dias. Precisamos construir espaços de discussão e debates que permitam a interferência direta da sociedade nos processos decisórios sobre os problemas enfrentados no dia – a – dia pela sociedade. Ou seja vamos reverter a logica de apenas alguns poucos decidindo por um coletividade organizada e sabedora dos seus problemas.

Estabelecemos assim uma nova prática política onde todos passamos a exercer, a compartilhar o poder independente de termos mandato ou não. E aqueles que o tem, o mandato, passam a ser fortalecidos pela participação conjunta com a sociedade, não tendo medo de se expor em discussões coletivas com a sociedade. Passamos assim a vivermos uma nova realidade política onde todos e todas somos corresponsáveis pelas decisões que são tomadas e desta forma saímos daquele circulo vicioso de vivermos culpando alguém, o outro e passamos a viver um circulo virtuoso com ações e decisões compartilhadas.

Agindo desta forma conseguimos construir um novo local para vivermos. Conseguimos construir um bairro, uma cidade mais solidária e fraterna, mais saudável e amiga, mais justa e ética. Não teremos mais que se submeter aos interesses de uma minoria política ou econômica, mas sim, as ideias e aos anseios da maioria da sociedade e do seu conjunto de cidadãos e cidadãs.


[1] Engenheiro agrônomo
CREA – ES 2146 D / 11ª Região
Graduação em Agronomia – UFES, Alegre – ES, Brasil
ÁREAS DE ATUAÇÃO
1-         Organização Social e Redes Solidárias
2-         Microfinanças sociais
3-         Análise de Cadeias Produtivas
4-         Custo de Produção dos Arranjos Produtivos Locais
5-         Projetos Captação de Recursos – Agropecuária
6-         Projetos de Recuperação Ambiental

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