A SUPERAÇÃO DAS DIFICULDADES

NAS DIFICULDADES ENCONTRAMOS NOSSA CAPACIDADE DE SUPERAÇÃO

SUNDERHUS; Adolfo Brás[1] 

Nos momentos de dificuldades descobrimos nossa capacidade de superarmos os obstáculos. Este e um ditado popular muito usado individualmente, mas, sobretudo no meio “político” para se construir “politicas”. Assim nascem os grandes chavões das administrações públicas em todos os níveis. “Crescer para se sustentar”. “Crescer para se desenvolver”. E vai por ai dentre outros, muitos.

Sendo verdadeiro de que somos capazes de superarmos os obstáculos e mais, de fazermos isto de forma individual, imagina o que podemos conquistar de forma coletiva. Não podemos ficar na dependência de uma única fonte seja ela de recurso financeiro ou de conhecimento, para vencermos este paradigma negativo. Nem será somente ela, a fonte, capaz de criar as oportunidades para construirmos novas possibilidades.

Talvez este seja o caminho que agora neste momento esteja sendo traçado para superarmos nossas dificuldades. E me refiro a nós como sendo parte indivisível do município e do estado. O que me levou a escrever algumas linhas sobre este tema e o fato de estar vivenciando logo após o resultado das eleições uma onda de lamentações e choros com o que foi deixado ou com o que ficou por fazer na grande maioria dos municípios. Lamentável que esta seja a visão daqueles e daquelas que colocaram o nome a disposição para servir a sociedade. Alias esta e a função publica: servir a sociedade, ou seja, ao pé da definição significa “cumprir deveres ou funções”; “estar a serviço de”; “ser útil a”. Eu tenho plena certeza de que todos e todas que se propuseram estejam cientes deste conceito, ou melhor, que agora passa a ser um princípio e um valor.

Então para além da choradeira os esforços deveriam e devem ser encaminhados para atitudes proativas, olhando não para trás, mas para frente, pois como no carro o retrovisor traseiro e pequeno o da frente e grande e largo, assim também e na vida. Olhar para frente no coloca no momento mais oportuno que é o de construir novas possibilidades, ou como se diz no popular: “fazer do limão uma bela limonada, a ser saboreada por todos e todas”.

A sociedade não esta afim de grandes projetos que comprometam as próximas gerações e ao seu próprio futuro. Outra coisa, não precisamos de projetos que nos deixam um amontoado de produção com subprodutos nada sustentáveis e ao mesmo tempo vulneráveis ao mercado exterior e que não geram trabalho a sociedade local e não estão comprometidos com o ganho equilibrado de receitas públicas além de estarem longe de garantir o desenvolvimento justo e solidário e a divisão o mais justa e igualitária das receitas geradas oportunizando diminuirmos as desigualdade locais e regionais.

Não precisamos de obras milionárias. Precisamos das coisas simples e essenciais para termos qualidade de vida como educação comprometida com a formação de cidadãos; direito a saúde pública de qualidade e em quantidade; produção de alimentos a partir de uma matriz tecnológica livre de veneno e de agressivos químicos. E para tanto os investimento necessariamente não precisam ser milionários. Precisamos ter sim o olhar orgulhoso comprometido com estas causas dentre outras de acordo com a realidade e a necessidade expressa pelo cidadão e cidadã, e não pela vontade política local.

Diante de tanto trabalho acredito que os atuais chefes do executivo municipal não possa se dar ao luxo de ficar lamentando o que recebeu ou que não tem isto ou aquilo, fonte de recurso ou infraestrutura para servir a sociedade. A grande maioria dos municípios está situada, com exceção da região metropolitana, em áreas essencialmente agrícolas. Ou será que esta minha percepção esta equivocada. Sendo verdadeira acredito que a origem do interior da roça, da roça sim, deve brilhar ao olhar atento destes gestores públicos e não se jogar nos braços do progresso e do crescimento a qualquer preço a serem chamados de “cidades”.  Assim o comprometimento com a roça, com o agricultor e com sua família é fundamental para sua permanência com dignidade e sustentabilidade no meio rural, na roça, mantendo a identidade e o pertencimento local.

Assim entendo que o processo de negociação que deva se estabelecer para um exercício público municipal comprometido com o desenvolvimento local sustentável deve estar centrado não em negociações tendo como elemento principal o capital e o lucro, mas sim a partir da construção do capital social e do comprometimento com a participação popular na gestão compartilhando poder, obrigações e responsabilidade. Para tanto e preciso investir e incentivar as potencialidades produtivas locais seja elas no meio rural ou no meio urbano criando as condições para que possamos diminuir a distancia que nos separa da conquista dos nossos objetivos pessoais e coletivos. Assim investir na agricultura sem veneno, no atendimento ao agricultor familiar, na implantação de agroindústrias familiares e no agroturismo e uma atitude proativa para transformação do mundo rural. Assim como investir em transporte coletivo de qualidade e em quantidade, em segurança pública eficaz e eficiente também são opções que elevam a qualidade de vida deixam claro o comprometimento publico com a sociedade.

Neste entendimento tenho a clareza de que os gestores públicos que agora assumiram estão como diz no popular “com a faca e o queijo na mão” para darem uma sacudida forte de natureza social produtiva econômica política e ambiental em sua forma de gestão partindo do compartilhamento deste poder com a sociedade. Ou seja, esta na hora de vencer o que velho habito e costume de governar a partir da sua vontade e para determinados grupos e elites econômicas, governando para todos e todas de fato.


[1] Engenheiro agrônomo
CREA – ES 2146 D / 11ª Região
Graduação em Agronomia – UFES, Alegre – ES, Brasil

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