A RICA DIVERSIDADE DA ROÇA

A DIVERSIDADE DA ROÇA E DO ROÇADO

SABER HUMILDADE HARMONIA E BELEZA QUE PRODUZEM RIQUEZA SOCIAL PRODUTIVA E ECONÔMICA

SUNDERHUS; Adolfo Brás[1]

O olhar para agricultura nos convida a observar o que os agricultores e agricultoras familiares produzem, comem e ofertam para comercialização. Olhando para a produção e para o consumo familiar, vendo o que esta sobre a mesa das famílias rurais nossa imaginação exercita um olhar na dimensão do enxergar os alimentos em suas varias dimensões.

Quero retrata-las da forma como hoje vejo e defino o mundo rural que se apresenta em um mundo lá na roça e no roçado esculpido, talhado, pintado e bordado por mãos fortes e mágicas de mulheres e homens que pela sua história constroem e reconstroem o destino desta gente e de sua terra com a riqueza da sua cultura, da sua experiência, do seu saber, do seu talento, do seu trabalho fortemente envolvidos pela sua convivência familiar e comunitária e inspirados no seu espírito de solidariedade e de sua fé.

Assim e fácil entender quando nos expressamos ou defendemos de forma tão veemente a vocação da agricultura familiar e camponesa. Jamais a agricultura capitalista e das monoculturas dos latifúndios tem esta riqueza e esta identidade humana e humanizadora do meio rural.

Esta riqueza e cultura de produzir o próprio alimento fazem com os membros da família reconheçam sua identidade e seu pertencimento a este mundo rural – o mundo da roça, e inspira ao consumidor urbano reconhece-los como agricultores e agricultoras cuja responsabilidade vai para além da produção de alimentos fortalecendo o significado da responsabilidade pela segurança alimentar e nutricional das famílias da roça e da cidade. Este sentimento fica evidente pelo orgulho das famílias rurais em mostrar o resultado do seu trabalho na terra se transformando em alimentos que passam a fazer parte da vida do consumidor urbano como o leite e seus derivados, as hortaliças fresquinhas com seu colorido diversificado oferecem sabor inigualável e conferem toda uma beleza e harmonia aos diversos pratos. Ou seja, nesta rede social e produtiva em que se inserem a agricultura e os consumidores fica evidente a responsabilidade do agricultor e da agricultora familiar com a produção de alimentos saudáveis e equilibrados para nutrir o próprio agricultor, a sua família, o seu vizinho, e cada cidadão e cidadã do mundo urbano que cresce a largos passos, e que nestes mesmos passos, busca a alimentação equilibrada e saudável para sua qualidade de vida.

E aqui na roça tem de tudo, não falta nada. Este encantamento abre um bonito sorriso no rosto de cada agricultor e agricultora familiar e com orgulho, medido pela sua humildade, percorre com seu olhar atento, a roça e o roçado onde encontramos o arroz, o feijão, o milho que nos da o fubá e o milho verde, a mandioca, a banana, a couve folha, a cenoura, a taioba, o agrião, o tomate, a cebola, a galinha caipira e os seus ovos, o porco, o pato, o boi e a vaca, o leite, o queijo, o requeijão, a manteiga, a laranja, o limão, a goiaba, a carambola e tantos outros alimentos. Soma-se a todos eles a cultura e a culinária, o jeito especial das “nonas” e das gerações em preparar estes alimentos que ganham uma roupa nova “apelidada” carinhosamente de agroindústria artesanal rural. E que apelido maravilhoso, pois permitiu resgatar e valorizar a importância da mulher na vida rural, de forma social, produtiva e econômica capaz de gerar riqueza de conhecimento e de renda.

Não posso deixar de citar o matagal. Sim o matagal amigo e parceiro da agricultura familiar. Unido com o agricultor e agricultora familiar por fortes laços de relação ambiental, e este agricultor e sua família, o guardião fiel do meio ambiente, das sementes chamadas de “crioulas”. Com o seu olhar cuidadoso procura manter o equilíbrio da vida e para vida na roça e no roçado. Pode ser muito ou pode ser pouco, mas este matagal é um ideal aplicado ao conceito da agricultura familiar e que nela exerce um papel determinante que é o da oportunidade em se estabelecer, ou melhor, em se restabelecer  a agricultura verdadeira, sem os agressivos químicos da revolução verde que contaminam solo, a água e a vida dos produtores e consumidores. A associação e o equilíbrio deste matagal e do roçado e determinante para o estabelecimento do equilíbrio produtivo na unidade de produção familiar capaz de garantir o sustento da família e a geração de excedentes para comercialização de forma sustentável.

Assim é a agricultura familiar. Um mundo com saber identidade e pertencimento próprio. Um lugar onde se estabelece relações sociais e produtivas, pois e a partir da convivência das relações entre as pessoas, entre as famílias que se define a produção e a geração de renda.


[1] Engenheiro agrônomo
CREA – ES 2146 D / 11ª Região
Graduação em Agronomia – UFES, Alegre – ES

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