ESQUERDA…EM QUE DIREÇÃO?

ESQUERDA…QUE ESQUERDA E EM QUE DIRE-ÇAO?

SUNDERHUS; Adolfo Brás[1]

Um dos grandes questionamentos que se faz hoje diz respeito a que esquerda, de que esquerda tanto se fala? Hoje mais do que nunca vivemos de um passado em que a esquerda infringiu uma forte derrota a direita no campo político eleitoral. Mas e agora: novamente a esquerda precisa se mostrar verdadeiramente para infringir, não uma nova derrota ao sistema político eleitoral, mas sim, resgatar seu ideal e sua luta para salvar, o exercício da democracia e da liberdade dos povos. Efetivamente exercer o seu amplo sentido, tirando do papel, as promessas de justiça social e igualdade e promover o seu exercício e cidadania plena, a luz da constituição.

E necessário que a esquerda saia do esconderijo aconchegante do socialismo e passe a ser a companheira real da democracia e que se fundamente no exercício dos direitos e das oportunidades garantidas no texto já desbotado, mas ora vigente da constituição, em seus princípios democráticos, de igualdade e de justiça social. E isto só vai acontecer pela luta aberta dos cidadãos e cidadãs, nas ruas, nos bairros, nas organizações sociais e pelas religiões novamente exercendo o papel de formar cidadãos, e não repetidores de falas gravadas.

No regime capitalista o papel da esquerda não pode ser aquele da acomodação e da impotência pela busca do poder. As recentes crises sociais, econômicas do século XIX – XX precisam ser compreendidas a luz das diferenças que a formaram, para que as esquerdas saiam da estagnação que estão vivendo e que se renovam no seu ideal e nos seus valores, enquanto estratégia de ação e luta contra o processo conservador do capitalismo, rompendo com seus grupos e guetos idealistas e em causas confusas, corporativistas e individualizadas.

Desta forma estes grupamentos individualizados da esquerda corporativa precisam se afastar dos cenários políticos conservadores e centralizadores de poder e de espaços, para se firmarem novamente junto aos movimentos sociais que trazem a voz da sociedade pela luta e defesa dos direitos construídos e garantidos pela constituição em seus diferentes níveis como: direito a terra e ao teto; ao lazer e a educação; a saúde pública de qualidade; a segurança libertadora do cidadão; a inclusão na sociedade das classes de maneira formal pelo direito ao trabalho e a qualidade de vida.

A esquerda precisa não simplesmente derrotar a direita. Precisa ir além da derrota que já lhe infringiu, no campo das ideias, no terreno da cultura política e da prática e do exercício da construção e implementação de políticas públicas estruturantes e transformadoras. Tudo isto já fizemos. Mas precisamos viver agora uma esquerda comprometida com um valor maior: salvar a democracia, de forma realista e ao mesmo tempo radical, vivendo e compreendendo sua dimensão e complexidade. É preciso dar efetividade às promessas de justiça e igualdade social e econômica que estão nas cartas magnas, pois somente assim terá valido a luta pelos direitos tão duramente e sofridamente conquistados ao longo de todos esses anos.

Portanto, não basta à esquerda simplesmente derrotar a direita. E preciso vencer com determinação as barbaridades que se impõem a sociedade com a roupa da democracia e do socialismo. Pois a democracia e o socialismo são parte integrante de um programa de direitos e de oportunidades construídos a partir do saber e do conhecimento dos cidadãos e cidadãs, através de lutas abertas e respaldadas por um único víeis: a da constituição vigente e das praticas democráticas e solidarias dos povos.


[1] Engenheiro agrônomo
CREA – ES 2146 D / 11ª Região
Graduação em Agronomia – UFES, Alegre – ES

 

 

 

Um comentário sobre “ESQUERDA…EM QUE DIREÇÃO?

  1. Essa é uma reflexão que precisa ser feita de forma urgente… A esquerda perdeu sua identidade ao tornar-se situação, justamente porque esquerda era sinônimo de oposição, e hoje, em âmbito federal (e em diversos municípios e estados) ela não é mais a oposição, mas sim a situação… Como essa esquerda deve se portar agora é que é a grande questão e a mesma ainda tem uma grande dificuldade de se adaptar a essa nova realidade… Mas, essa dificuldade não reside apenas no âmbito partidário, mas também está presente na atuação política individual, onde muitos membros ainda não entenderam que a posição mudou e que por isso precisam mudar e alinhar os discursos…

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