UM NOVO MOMENTO SINDICAL

A CONSTRUÇÃO DE UM NOVO MOMENTO A PARTIR DO MOVIMENTO SINDICAL

SUNDERHUS; Adolfo Brás[1]

A classe de trabalhadores e trabalhadoras e servidores públicos do Estado estão vivendo sob um verdadeiro fogo cruzado. De um lado o Estado que não reconhece os direitos sociais e econômicos desta categoria e de outro lado as direções sindicais que perderam o sentido de seu movimento, de sua natureza. Ou seja se faz presente um momento de vícios que historicamente tem impregnado e consumido a verdade e a vontade de se construir um novo momento.

O movimento sindical tem em sua essência e natureza a busca da igualdade social e a melhoria de vida para classe trabalhadora e da sociedade, pelo resultado da ação destes servidores e servidoras. Mas para que isso se traduza em verdade e em realização é necessário que o movimento sindical desenvolva ações de natureza prática para que haja um acumulo dos aspectos culturais, políticos e sociais, no sentido de que, o serviço oferecido, apresente-se como uma realidade ampla e significativa de atendimento à sociedade. Urge a necessidade de uma ampla transformação neste movimento, para satisfação dos cidadãos e para elevação da estima e da tomada de consciência dos servidores e servidoras, que desta forma se posicionam de mãos dadas para um novo debate social sobre a importância do Estado e do movimento sindical.

Dentro deste víeis não podemos desconsiderar que o trabalho e suas formas de relação mudaram. E esta mudança provocou profundas alterações nos valores referenciais da sociedade em relação ao serviço público e ao movimento sindical. Desta forma não podemos admitir que o movimento sindical não mudou, e se não mudou, e hora desta mudança. As fortes transformações sociais e do mundo do trabalho não permitem que o movimento sindical fique parado no tempo, que os sindicatos continuem adotando uma política ultrapassada que já não atende as demandas da nova classe trabalhadora. Em que pese esta teimosia o resultado será único: o esvaziamento dos sindicatos, pois em persistir este modelo sindical não haverá representatividade para a nova realidade que enfrentam os trabalhadores e trabalhadoras, em especial as do serviço público.

Outro fator a ser observado é o de que em persistir este modelo, tendo como base uma agenda meramente econômica e pessoal, quem certamente nadara de braçadas largas e o capital, oportunizando e fortalecendo o poder do Estado individual e corporativo, oprimindo ao servidor e servidora público.

Como vencer e construir uma nova realidade diante deste quadro? Não é uma resposta difícil de ser encontrada e praticada. E preciso acima de tudo querer mudar de comportamento tendo como elementos balizadores a presença do movimento sindical em suas bases junto das associações e do seu quadro de associados/as. Um dos exemplos mais contundentes que o movimento sindical tem se afastado desta sua premissa e o fato que levou, e tem levado, a própria população a tomar as ruas, num movimento claro cobrando mais representatividade. O movimento sindical faz parte desta institucionalidade de representação social dos trabalhadores e trabalhadoras e não pode permitir que sua imagem seja enfraquecida. Não se pode permitir ao movimento social assinar sua própria sentença de inanição e morte.

Para isto e preciso uma ampla reforma social e política no movimento sindical e quando digo ampla, e no sentido de que a “sujeira” não pode ser colocada por “debaixo do tapete”. E preciso andar e aprender a andar de acordo com o novo pensar, com a vontade coletiva. O momento que vivemos nos chama para construirmos novos paradigmas tendo como base a sustentabilidade das pessoas e da sociedade e desta forma não dá para tirar o pé do acelerador. A solução não está em repetir o Estado que temos, que só pensa em crescer, como se crescer possa sustentar um corpo saudável. E preciso agir dando alimento aos “famintos” e abrigo aos “desabrigados”, não somente aos literalmente inseridos nestes conceito, mas também aqueles/as que são alijados do alimento e do abrigo de seus direitos pelo Estado, sejam eles de natureza social, de renda, de justiça e de igualdade.

Precisamos portanto estar de mãos dadas para construirmos um novo momento sindical que possa ter forças para exigir um novo Estado, mais coletivo, presente e com oportunidade para todos. E este momento precisa se estabelecer dentro de debates e de um olhar, olho no olho, para que a nova verdade construída possa ser forte em sua atitude, estabelecendo assim um senso comum. Pode alguns ainda imersos em um passado que não mais cabe no novo momento, teimar em dizer que não é tão simples assim.  Cabe dizer então que não podemos pairar nesta visão rasa e rasteira que a solução de um problema que atinge de forma descomunal a classe trabalhadora e a sociedade não e tão fácil assim. Estamos diante de uma classe trabalhadora e de uma sociedade que se vê cada dia mais achatada pelo volume de violência a que está submetida em todos os sentidos e aplicações desta palavra. E se o Estado não tem pressa em discutir, cabe ao movimento sindical exercer esta ação com mais velocidade, uma discussão ampla e aberta, exigindo participação e um maior comprometimento do Estado. Basta para isso sentar ao banco da praça – mesa de negociação, e com a rica diversidade de saberes, ideias e conflitos estabelecer um novo dialogo, construindo uma nova solução.

E difícil de digerir. E difícil de engolir certas afirmações quando ainda teimamos viver no mundo em que queremos, pelo simples fato da acomodação e do conforto. Este novo momento traz a necessidade de sangrarmos nossas vaidades e sair da nossa zona de conforto. E um assunto difícil de ser digerido pelos gestores públicos – de Estado e do movimento sindical, que historicamente tem preferido tomar suas decisões de forma centralizada em seus confortáveis espaços de poder.

Cabe portanto ao novo movimento sindical provocar as mudanças e a construção deste momento, pois estar junto com a sociedade, com o trabalhador e com o servidor público, ser conhecedor e estar próximo dos seus sofrimento e das suas necessidades é prerrogativa do movimento sindical, que dela não pode abrir mão e nem se afastar.

Este estar junto permite ao movimento sindical vencer o processo centralizador do Estado pois, sem a participação e sem o protagonismo da sociedade não teremos a garantia da continuidade do novo pensar, ou seja, novamente estaremos reproduzindo as mazelas e os vícios históricos que impregnam a consomem a verdade e a vontade de se construir um novo momento. Este ciclo precisa ser interrompido, e o será!

[1] Engenheiro agrônomo
CREA – ES 2146 D / 11ª Região
Graduação em Agronomia – UFES, Alegre – ES

 

 

 

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