A PRODUÇÃO DE ALIMENTOS NA ROÇA

O CENÁRIO RUSTICO DA ROÇA E DOS ALIMENTOS

SUNDERHUS; Adolfo Brás[1]

Produzir alimentos.

Ao produzir a sua alimentação a família rural se reconhece e são reconhecidos enquanto agricultores e agricultoras. Essa é a identidade do agricultor e a certeza do seu pertencimento ao mundo rural, sentimento este presente no sentir o orgulho de mostrar que o que comem e fruto do resultado de seu trabalho na terra.

No entanto uma realidade se faz cada vez mais presente no dia a dia da família rural: alguns indicadores de pesquisa nos dão conta de que as famílias rurais vem diminuindo a produção de alimentos para o próprio consumo.

Já vemos no meio rural um grande número de agricultores e agricultoras comprando uma boa parte, senão a grande parte da alimentação familiar em estabelecimentos comerciais. Não raro as frutas e verduras são comprados de “feirantes” distantes do meio rural, ou são adquiridas diretamente em padarias, quitandas, quilões e supermercados. E muitos alimentos são substituídos por seus “derivados modernos” onde encontramos: margarinas, enlatados diversos (extrato de tomate, pimentas vermelhas), os refrigerantes, os embutidos que são largamente encontrados nas mesas dos agricultores e já incorporados ao habito alimentar e ao cardápio diário das famílias rurais.

E por que esta mudança? O que está contribuindo para a redução da produção de consumo de alimentos próprios da roça?

Primeiro sem dúvida alguma o apoio ao crescimento da produção dos cultivos comerciais de monoculturas para o atender ao mercado consumidor urbano que consome o tempo de trabalho e o espaço produtivo antes dedicado a produção de alimentos para o consumo da família. Outro fator fundamental e a diminuição do número de pessoas nas famílias rurais, ou seja hoje temos famílias cada vez menos numerosas, associada ao fato dos filhos estarem saindo mais cedo para trabalhar e as mulheres exercendo atividades fora da agricultura, tudo isto gerando “menos braços e força de trabalho na roça”. Neste contexto vale ressaltar que as mulheres na roça sempre foram as responsáveis pela produção de alimentos para o consumo próprio das famílias através das hortas, da criação dos pequenos animais e da transformação e conservação dos alimentos.

Outro fato que tem somado e a perda de mão de obra e das precárias condições sócio econômicas do meio rural, que refletem em uma baixa qualidade e expectativa de vida, principalmente na visão dos jovens, somando-se o fato do envelhecimento rural e em especial a busca por melhores oportunidades de renda, o que leva a venda da força de trabalho. Soma-se a todos estes fatores outros, não menos importantes, que não podem ser desconsiderados tais como: a facilidade de acesso aos mercados; a comodidade na aquisição de alimentos prontos; a alteração dos hábitos alimentares cada vez mais presentes no rural.

Desta forma o desafio e o de resgatar é fortalecer a produção de alimentos para o consumo próprio das famílias rurais, não pelos simples fato de atender as necessidades nutricionais das pessoas, mas pela garantia de sua segurança alimentar que é expressa não pelas condições sócio econômicas mas pela sua cultura, pelos seus hábitos culinários, pela sua identidade e pertencimento social e de suas relações em família e em grupos.

Ou seja passamos a exercer não somente a visão do alimento pelo alimento e sim a enxergar os alimentos em suas várias dimensões.

[1] Engenheiro agrônomo
CREA – ES 2146 D / 11ª Região
Graduação em Agronomia – UFES, Alegre – ES

 

 

 

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