2014 – O ANO DA AGRICULTURA FAMILIAR E CAMPONESA

O ANO INTERNACIONAL DA AGRICULTURA FAMILIAR E CAMPONESA

SUNDERHUS; Adolfo Brás[1]

A história e a riqueza do mundo rural podem ser ditas e vividas em um mundo trabalhado por mãos de homens e mulheres, que constroem o destino de sua gente e de sua terra com a sua cultura, com o seu saber, com a sua experiência, pela convivência de base familiar e comunitária, pelo seu espirito de solidariedade, de sua crença e de sua fé. Isto nos indica que a sua essência e plenitude existe, não no fato de ser gerador de trabalho e riqueza, mas em ter sua centralidade no ser humano e nas suas relações de convivência, que se associam e se transformam, gerando e distribuindo convivência social e produtiva, trabalho, empregos e riqueza.

Por tudo isso o ano de 2014 foi declarado pela Agência das Nações Unidas para Alimentação e a Agricultura – FAO como o “Ano Internacional da Agricultura Familiar”AIAF. Distinção que nos motiva a pensar e a criar as condições para que seja visível a sociedade rural e urbana de cada comunidade do Estado do Espírito Santo os múltiplos papeis que a agricultura familiar e camponesa desempenha, dentre os quais destacamos: produção de 80% dos alimentos que chegam as nossas mesas pelo menos três vezes ao dia e, sobretudo como guardiã incondicional dos ecossistemas e da biodiversidade. Toda esta riqueza e diversidade cultural social e ambiental produzem e reproduzem alimentos, respeita e valoriza o gênero a geração e as etnias, gera riqueza e trabalho no esforço de que sua distribuição seja de forma equitativa e justa na sociedade.

A agricultura familiar e camponesa apresenta-se como uma realidade viva cujos valores estão centralizados no ser humano e na família rural, com a gestão da unidade de produção sendo exercida pelos membros da família de forma compartilhada e com autonomia, adotando um jeito diferente de produzir, comercializar, vender e trocar os seus produtos. Dentro destes princípios está agricultura busca estabelecer relações de trabalho e de comercialização sem explorar ninguém, sem querer levar vantagem e com respeito as pessoas e ao meio ambiente. A sua ação estabelece relações de natureza associativa e cooperativa, fortalecendo o grupo comunitário local. Esta agricultura e norteada por valores como o do compartilhamento do saber, da autonomia do trabalho individual e coletivo, tendo o ser humano como seu elemento central.

A agricultura familiar e camponesa é a protagonista de sua história, que busca o estabelecimento de uma matriz tecnológica social, produtiva e econômica com respeito ao meio ambiente, fortalecendo-se nos princípios da cooperação e na possibilidade de uma sociedade mais justa e igualitária. Portanto, celebrar o ano de 2014 como um marco referencial à Agricultura Familiar é fomentar que a cidade precisa de terra para crescer e, a roça, precisa da terra para viver e produzir vida.

Lá na roça a agricultura é uma forma de fortalecimento de laços de vizinhança e de vida comunitária, que com criatividade e com sua organização social e produtiva, vencem as dificuldades impostas pela modernidade que consome a cidade, podendo estas, ser superadas. Assim chamamos de agricultores e agricultoras as pessoas que praticam a arte de plantar. Chamamos de famílias agricultoras aquelas que reunindo homens e mulheres, em suas diversas gerações promovem um sistema de produção em unidades familiares rurais ou em pequenos espaços peri urbanos. E sabem por que ainda existe agricultura familiar? Por que a agricultura familiar não desapareceu? A resposta está na mesa do povo. Tanto a população da cidade quanto a do campo quer diversidade de alimentos, em quantidade e qualidade. A agricultura familiar sobrevive há tanto tempo porque está baseada numa relação de harmonia entre as famílias produtoras, com a natureza e numa relação direta com os consumidores. Neste processo a terra não é vista como simples mercadoria, mas sim como recurso de trabalho, de sustento e chão onde as famílias rurais criam seus filhos, cultivam suas amizades e definem suas relações sociais produtivas e comerciais.

Seja no meio rural ou em espaços peri urbanos, a agricultura familiar e camponesa, necessita de muita sensibilidade e compromisso por parte das pessoas que a desenvolvem e por parte dos gestores públicos, que tem a responsabilidade de fomentar as políticas públicas locais. Portanto, celebrar o ano de 2014 como o Ano Internacional da Agricultura Familiar nos convida a construir um projeto de forma que possa libertar o agricultor familiar e camponês para os direitos e necessidade enquanto cidadão, de forma transparente e comprometida com a realidade da unidade de produção familiar, com suas relações sociais, de produção e representatividade, para que possamos ter como resultado a sustentabilidade no mundo rural.

[1] Engenheiro agrônomo

CREA – ES 2146 D / 11ª Região

Graduação em Agronomia – UFES, Alegre – ES

 

 

 

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