A VIOLAÇÃO DA AUTONOMIA DE PRODUÇÃO DOS AGRICULTORES FAMILIARES E CAMPONESES

TRANSGÊNICOS: VIOLAÇÃO DOS DIREITOS DOS AGRICULTORES FAMILIARES E CAMPONESES E DO DIREITO A SAÚDE DOS POVOS

SUNDERHUS; Adolfo Brás[1]

As sementes transgênicas representam a quebra do equilíbrio ambiental e social para agricultura familiar e camponesa e põe em risco as políticas públicas de inclusão social, produtiva, econômica e ambiental para este segmento social e produtivo. Matam a biodiversidade natural, não é uma prática que tem como pauta a discussão com as famílias dos agricultores e camponeses portanto, estão longe de serem democráticas, provocam contaminações nas lavouras vizinhas, contaminam as águas e geram graves consequências para a saúde humana e para saúde pública.

O seu uso traz incertezas de toda ordem em especial a de que não apresentam segurança aos agricultores familiares e camponeses de que vão plantar uma semente dita “convencional” e não vão colher produtos transgênicos, colocando em risco a histórica relação de respeito e credibilidade da comercialização direta aos consumidores em espaços como feiras livres. O seu uso tem o objetivo de introduzir no campo a patente privada das sementes, tirando a autonomia dos agricultores familiares e camponeses e da originária agricultura dos povos e comunidades tradicionais sobre os seus plantios e sua sustentabilidade produtiva, econômica e ambiental.

Diversos especialistas têm apresentado dados que tratam deste tema sob a ótica da perca da autonomia de produção e dos desafios para a saúde pública, pois a contaminação das lavouras onde são usadas as sementes tradicionais dos agricultores familiares e camponeses – sementes crioulas, se dará pela ação do vento e a recomendação que se tem como segura e muito simples “é necessário manter uma distância a ser seguida tecnicamente para que as plantações vizinhas não sejam contaminadas”. Fica claro que há por parte das empresas das sementes transgênicas um grande desconhecimento de como geograficamente situam-se os agricultores familiares e camponeses ou simplesmente e um fato incontestável que o que se quer e tomar mais um pouco de que já se destruiu com a “revolução verde”, ou estamos vivendo um novo momento desta “chamada revolução na agricultura”.

Outro dado que nos salta aos olhos e que estudos envolvendo este tema nos alertam para que o consumo de alimentos transgênicos pode ocasionar alterações de forma comportamental e reprodutiva, inclusive o aparecimento de tumores cancerígenos em animais, ficando evidente que esta prática pode ser mais um novo capítulo montado a serviço de uma “nova revolução verde” causando graves consequências a saúde pública, pois em relação a saúde humana não há resultados concretos, mas a falta de pesquisa sobre o tema pode expor a atual geração e as próximas a produtos de uma “tecnologia” que sequer sabemos dos seus impactos sobre o meio ambiente, sobre a saúde humana e sobre a sustentabilidade da produção de alimentos. Não podemos mais permitir que novamente sejam empregadas as mesmas estratégias da infame “revolução verde” que, no objetivo de vender os agressivos químicos – venenos e adubos solúveis, foram usados a fala maldosa e intencionada de que tal mudança seria para “combater a fome no mundo” e trazer aos agricultores “mais riqueza”. O tempo passou, o paradigma desta traiçoeira propaganda nos trouxe um aumento da miséria no campo, a expulsão dos agricultores e agricultoras de suas terras, a fome no mundo aumentou a medida que está impregnou e transformou a agricultura tradicional e alimentou a mente e os objetivos dos agricultores para a visão do lucro a qualquer preço, a qualquer custo familiar e social.

[1] Engenheiro agrônomo

CREA – ES 2146 D / 11ª Região
Graduação em Agronomia – UFES, Alegre – ES, Brasil

 

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