ANÁLISE DE SOLO E CALAGEM – EM QUE MOMENTO?

ANÁLISE DE SOLO E CALAGEM – DEVO FAZER? POR QUE FAZER?

SUNDERHUS; Adolfo Brás[1]

A acidez sem dúvida alguma é uma das grandes preocupações, ou deveria ser dos agricultores. De um modo geral, o pH médio dos nossos solos é de 5,1 e está longe do pH que podemos dizer de bom para a maioria das atividades produtivas. Corrigir esta deficiência faz a grande diferença para alcançar bons resultados em produtividade, produção final e retorno econômico. Diria que esta é a grande diferença entre realmente ser agricultor ou ser garimpeiro da terra.

Solo ácido é aquele cujo pH encontra-se abaixo de 7,0 e para cada cultura existe um pH ideal para atingirmos este sucesso, que não pode ser desconsiderada. Levando em consideração a cultura do café as suas melhores produtividades e produção final são obtidas quando o pH está na faixa de 6,0 a 6,5. Neste ponto é necessário fazer uso da calagem do solo pois esta prática contribui para o aumento da eficiência do uso dos fertilizantes com melhoria da produtividade, da produção final e da rentabilidade, do lucro do agricultor. Portanto, a utilização de calcário não é simplesmente uma prática a ser pensada. Se o agricultor quer realmente fazer de sua propriedade um lugar onde ele possa viver melhor e feliz, a calagem é uma prática que passa a ser obrigatória para todas as culturas onde a análise de solo apontar essa necessidade, isto é, quando o pH mostrar acidez no solo.

Efeitos benéficos da calagem

  1. Correção da acidez (elevação do pH);
  2. Neutralização do alumínio tóxico;
  3. Insolubilização do Manganês tóxico;
  4. Fornecimento de Cálcio e Magnésio;
  5. Aumenta a disponibilidade e aproveitamento do Fósforo, Potássio, Enxofre e Molibdênio, essenciais para as plantas;
  6. Melhoramento da estrutura do solo;
  7. Aumento na atividade dos micro-organismos do solo, que atuam na mineralização da matéria orgânica e na fixação do Nitrogênio do ar pelas plantas leguminosas (Feijão – Soja – Amendoim);
  8. Neutralizar a acidez dos adubos acidificantes.

Porque o solo fica ácido?

  1. A água da chuva ou irrigação arrasta as bases (Potássio, Cálcio e Magnésio), deixando o solo carregado de Hidrogênio.
  2. A raiz das plantas ao retirar os nutrientes (Potássio, Cálcio e Magnésio), devolve ao solo Hidrogênio.
  3. A erosão, arrastando a camada arável do solo, deixa o subsolo carregado de Hidrogênio;
  4. O uso continuado e excessivo de adubos acidificantes, sobretudo sem análise de solo, como: Sulfato de Amônio, Uréia, Nitrato de Amônio, MAP e DAP, vão acidificando a terra.

Você sabia que:

Outro fato que o agricultor deve levar em consideração sempre: o calcário faz muito mais do que simplesmente corrigir a acidez do solo: melhora as condições físicas do solo; estimula a atividade microbiana no solo; faz com que os elementos minerais sejam mais disponíveis para as plantas; melhora a fixação simbiótica de N pelas leguminosas.

Precisamos portanto também fazer algumas contas que podem ser de forma simples assim expressas: quando adubamos um solo ácido (pH = 5,0), em torno de 50% do efeito da adubação não é aproveitada pelas plantas. No entanto quando adubamos um solo corrigido (pH = 6,5), podemos ter praticamente 100% do efeito da adubação sendo aproveitada pelas plantas. É lógico que 100% de aproveitamento e muito, muito melhor do que 50%, portanto a possibilidade do agricultor ter mais lucro nesta condição próxima do ideal e muito maior do que a anterior.

E claro que todo dinheiro que tiramos do bolso torna-se uma despesa. No entanto quando tomamos a decisão de realizarmos a análise de solo e adotarmos a calagem como uma prática natural para produção e como se pudéssemos considerar que as despesas com calcário como um custo a mais, ao custo de produção da lavoura não existisse, porque essas despesas se pagam com o prejuízo que teríamos, caso não fizemos o uso desta prática.

Assim o agricultor já começa a ter lucro, a partir do momento em que ele para e toma a decisão de pensar e fazer a análise de solo e decide a usar calcário. Aqui fica aquela brincadeira de que é importante o agricultor ter calo nas mãos, nós pés e na bunda, e este último, também brincamos que dá muito em estudante, ou naqueles que trabalham sentados o dia todo. Mas na agricultura, na prática para ser um agricultor de sucesso precisamos sim que todos tenham um pouco de “calo na bunda” sentando, conversando entre a família, tomando a decisão do que fazer juntos e de novo juntos pensando em como comercializar e ser feliz.

Está sim eu chamo de uma agricultura de precisão, aquele que prioriza a vida das pessoas, do local de produção ante do dinheiro e do lucro.

[1] Engenheiro agrônomo

CREA – ES 2146 D / 11ª Região

Graduação em Agronomia – UFES, Alegre – ES

 

 

 

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