COM QUAL “PELE” SE VESTE O PODER PÚBLICO?

PELE DE CORDEIRO E DE LOBO! COM QUAL SE VESTE O PODER PÚBLICO?

SUNDERHUS; Adolfo Brás[1]

As fabulas nos retratam de uma forma bem pitoresca, fatos que podem ser fazer presentes no nosso dia a dia. A do Cordeiro e do Lobo (Jean de La Fontaine), que todos se lembram da nossa infância, foi à escolhida para esta reflexão.

Diz à fábula que um cordeiro estava a tomar água, matando sua sede a beira de um riacho, quando surgiu um lobo, faminto, procurando o que devorar. Vendo o cordeiro imediatamente gritou de forma irritada e provocadora: como ousas sujar a água que vou beber! Em que o cordeiro diante do poder de tal fala, em sua humildade pede perdão, mas ao mesmo tempo diz que a água vem descendo o riacho e eu só bebo aqui, mais abaixo de onde estas e, desta forma, não poderei suja-la. E o lobo em sua busca por manter o seu lugar de poder no mundo que se desenha afirma: suja sim, além disso, também sei que durante o último ano tem falado mal de mim. O cordeiro mais uma vez diz ser impossível, pois tem apenas poucos meses de vida. Já o lobo buscando exercer sua autoridade e soberania afirma: se não foi você, foi seu irmão, seu pai, sua geração que tem me incomodado e não me poupam. E num ato de vingança atira-se com toda sua força sobre o cordeiro indefeso ferindo-o de morte, prevalecendo assim o poder da lei do mais forte.

Esta fábula traz para todos nós a reflexão sobre aqueles que oprimem, usando todo o seu poder sobre os inocentes e sobre os mais fracos, através de falsos pretextos e argumentos, predominando sempre a razão e a intolerância dos mais fortes.

Será que podemos trazer a mensagem desta fábula para os dias de hoje, nas relações sociais e políticas entre governo e servidores públicos? Então veremos. A determinação de força e soberania usada pelos governos o revela como o lobo e os servidores públicos como os cordeiros. O governo, como lobo vai aniquilando o processo de participação dos cordeiros no ato de “beber a água”, pois, a água, não pode estar suja ou faltar para os interesses de uma minoria que lucra politica e economicamente na sociedade, e desta forma não cabe pensar duas vezes, é do cordeiro, que se deve tomar.

A fábula nos é de grande auxilio para nossas reflexões quando pretendemos colocar em discussão a realidade da conduta do governo e dos governantes, resgatando uma visão mais critica em relação as sua gestão sobre os servidores públicos. Fazer esta análise é conhecer o conteúdo da fábula, nos permite exercer nossa cidadania para buscar resolver as questões de valores que norteiam as ações e o comportamento do governo, quando sua ação política e de poder se sobrepõe a sua gestão democrática, o que leva a perda de eficiência social, econômica, produtiva, e das relações com os servidores públicos.

Agir desta forma e tratar com diferença os seres humanos, com necessidades diferentes diante das possibilidades diferentes, agindo com dois pesos e duas medidas, que cabe um grupo de determinadas normas morais a certo grupo social e, para os outros grupos sociais, caberiam outro conjunto de normas morais, definidos de acordo com as conveniências.

Esta lenda adverte que, com atitudes desta natureza, é preciso tomar cuidado com a maldade que nela esta escondida, e também nos chama atenção, que toda maldade, carrega sua pena.

[1] Engenheiro agrônomo
CREA – ES 2146 D / 11ª Região
Graduação em Agronomia – UFES, Alegre – ES

 

 

 

 

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