O AMBIENTE RURAL E A SUSTENTABILIDADE DAS FAMÍLIAS

OS RECURSOS NATURAIS NO AMBIENTE RURAL PARA SUSTENTABILIDADE DAS FAMÍLIA

SUNDERHUS; Adolfo Brás[1]

Os recursos naturais no ambiente rural apresentam funções importantes no processo produtivo que são de natureza social familiares e comunitárias, da produção, da economia e do comercio, do meio ambiente e as de natureza política.

No ambiente rural a unidade de produção, também conhecida como propriedade rural, destaca-se pela sua imensa diversidade de ambientes formando uma imensa “colcha de retalhos” que apresentam uma infinidade de relações de dependências importantes para sustentabilidade deste ambiente produtivo. Assim vemos que a unidade de produção apresenta, umas mais outras menos, uma diversidade de ambientes dos quais destacamos: montanhas e pedras; matas capoeiras e florestas; áreas de produção agrícola com ambientes próprios para culturas anuais e perenes, ambientes para pastagens criação de animais, ambientes de proteção natural como as áreas de preservação ambiental além de áreas próprias para construção de moradias e benfeitorias diversas. Neste ambiente diversificado e rico vemos a vida se multiplicar e revigorar nas nascentes que brotam da terra e rompem as rochas formando córregos e rios que em sua infinita leveza e grandiosidade servem as populações das diversas comunidades rurais e urbanas, que juntas formam o município.

A relação da agricultura familiar com a terra existe desde os primórdios mais rudimentares da civilização e da agricultura e sempre marcados por transformações sociais e políticas importantes. Dentre todas destaco as do período compreendido entre 1960 e 1995 onde vivemos uma forte e progressiva concentração de terra, onde até 1980 esta concentração foi forte na pequena unidade de produção, com a expulsão dos agricultores e camponeses para cidade. A partir de 1980 a concentração de terra começa a fazer esta disputa entre as médias e as grandes propriedades, e nas pequenas unidades produtivas um novo fenômeno passa a fazer parte do seu dia a dia: a sucessão familiar interna imposta pela divisão familiar. Ou seja o estabelecimento familiar passa a sofrer pressão interna pela fragmentação natural dentro da família, surgindo no mesmo espaço geográfico novos estabelecimentos familiares, com uma nova divisão da terra gerando: novos agricultores, novas perspectivas, divisão do capital natural apresentando novos desafios para sua sustentabilidade imposto pelo novo limite geográfico, alterando significativamente a lógica da produção pelo capital.

Esta lógica do capital sustenta-se a partir de uma nova concentração aos novos agricultores em sua evolução histórica em especial aqui no Estado que faz a partir de uma forte dependência na monocultura do café arábica na Região Serrana e do Caparaó e do conilon na Região Norte e Sul promovendo uma nova e violenta “modernização da agricultura” de volta ao modelo da revolução verde da década de 70, impondo mais um forte golpe político, social, econômico, ambiental e cultural à agricultura familiar capixaba.

Assim em um breve relato podemos afirmar que o desenvolvimento da agricultura familiar pode ser entendido a partir de três fases distintas mas interligadas e com fortes contrapontos e visões em que temos uma primeira fase como sendo a da colonização do ambiente rural onde destaca-se a ocupação da matas e florestas para implantação das primeiras atividades produtivas e dos primeiros núcleos familiares comunitários que tinham como característica a produção centrada no autoconsumo das famílias e com pouco e nenhum excedente para comercialização. A segunda fase evidencia-se como a de promotora das relações da agricultura familiar de autoconsumo com o mercado o que leva ao estabelecimento do período da busca por uma especialização da agricultura e do processo de produção, em romper com a sua cultura e sua história. A terceira fase caracteriza-se fortemente pelo advento do mercado e da competição na agricultura familiar perdendo aos pouco sua identidade própria a partir de seu histórico de gerações com um continuo empobrecimento econômico e social. Esta fragilidade pode ser vista pela crescente dependência desta agricultura aos insumos e tecnologias externas a unidade de produção familiar voltada agora no amplo sentido da “modernidade do meio rural”, do “agricultor de sucesso” voltado quase que exclusivamente para o mercado e para o capital.

Este período vai até a década de 90 quando inicia-se, mesmo que pequeno, um movimento continuo e permanente no sentido de se resgatar a diversificação produtiva e econômica das unidades familiares de produção, em especial as agroindústrias familiares e a multifuncionalidade do ambiente rural. Esta nova visão sedimenta-se a partir dos movimentos organizados dos agricultores e agricultoras familiares como uma estratégia de reprodução social e de crescimento econômico sustentável, pois a agricultura, em especial a familiar, apresenta uma riqueza de estratégias de reprodução social produtiva econômica e ambiental que desafia e subverte os interesses do capital econômico, propondo um novo modelo para o desenvolvimento do campo com foco nas pessoas e no seu protagonismo.

[1] Engenheiro agrônomo

CREA – ES 2146 D / 11ª Região

Graduação em Agronomia – UFES, Alegre – ES

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