O ESPÍRITO SANTO NO MAPA MUNDIAL DE CONFLITO AMBIENTAL

IMPACTOS AMBIENTAIS NO ESTADO SÃO DENUNCIADOS EM MAPA MUNDIAL DE CONFLITO

Este relato trata-se de um resumo da matéria publicada por Any Cometti no Século Diário em 05/04/2014. O estudo nos traz um histórico de violações da Aracruz Celulose (FIBRIA) contra comunidades quilombolas do antigo território do Sapê do Norte.

Este estudo que resultou no “Mapa Mundial de Conflitos Ambientais” foi realizado pelo EJOLT – Envioronmental Justice Organizations, Liabilities and Trade, organização europeia pela justiça ambiental, que registrou os plantios de eucalipto da Aracruz Celulose (FIBRIA) e sua ofensiva às comunidades quilombolas do norte do Estado do Espírito Santo, tendo como destaque o deserto verde provocado pela monocultura do eucalipto e a usurpação de terras tradicionais bem como os prejuízos ambientais e sociais presente no estudo.

O mapeamento inédito foi feito pelos pesquisadores do Instituto de Ciência e Tecnologia Ambiental da Universidade Autônoma de Barcelona que apontou o Brasil como o terceiro país em número de disputas. A Vale também consta do mapa, ocupando a quinta posição no ranking das empresas em todo mundo envolvidas em conflitos ambientais. No entanto os conflitos envolvendo a mineradora no Espírito Santo com entidades dos movimentos sociais e indígenas de Aracruz não aparecem no mapa.

Nos pontos de conflito encontram-se disputas agrárias, conflitos com indígenas, disputas por recursos hídricos e por reservas minerais que dão corpo ao desastroso quadro dos conflitos ambientais em curso no Brasil. Segundo Joan Martinez Alier, diretor do EJOLT “a demanda por materiais e energia da população mundial de classe média e alta faz com que os conflitos ecológicos aumentem em todo o mundo, sendo que a maioria das comunidades impactadas por estas disputas são pobres, muitas das quais indígenas, e se distanciam da justiça ambiental e dos sistemas de saúde pela sua falta de poder político.

Este levantamento – mapa, detalha que a Aracruz Celulose chegou ao Estado do Espírito Santo no ano de 1967 iniciando sua ocupação de terras e o plantio de eucalipto, em especial no Município de Aracruz. No ano de 1970 a invasão chega aos municípios de São Mateus e Conceição da Barra. No ano de 1972 a companhia Aracruz Celulose foi fundada e em 1978 foi aberta a primeira fábrica de celulose, sendo a segunda em 1989 e a terceira em 2002.

O documento retrata e evidencia os plantios de eucalipto como um dos vários objetos de conflito ambiental com destruição da mata atlântica em mais de 50 mil hectares, somente para sua instalação, segundo o documento, sendo destaque também um consumo de cerca de 250 mil metros cúbicos de água por dia em sua linha de produção.

Os conflitos relatados mostram que a Aracruz impacta as populações indígenas, camponesas, pescadores e até mesmo os trabalhadores de usa linha de produção, impactos estes considerados severos pelos pesquisadores, sobretudo às comunidades quilombolas pela perda de terras, de florestas, de água e de oportunidade de trabalho.

Este estudo nos traz também um registro histórico importante, o de que milhares de hectares estão se transformando em um deserto pela implantação de monoculturas de eucalipto e da cana de açúcar, que absorvem toda água do solo.

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