UM ESTADO SEM COMPROMISSO COM O SERVIDOR PÚBLICO DA AGRICULTURA

O DESCOMPROMISSO DO ESTADO 

SUNDERHUS; Adolfo Brás[1]

Vivemos momentos de grandes mazelas e perpetuação de vícios políticos que historicamente têm impregnado e consumido a vontade dos servidores públicos, em especial do setor agrícola do Estado, em construir um novo momento político. Mas ainda somos fortes o suficiente para nos opormos aos garimpeiros e saqueadores do poder público travestidos de gestores no exercício de suas funções públicas.

Cada vez mais, nós, servidores públicos do setor agrícola do Estado, vivemos atos de selvageria contra nossos direitos, numa verdadeira selvageria e incoerência pública contra homens e mulheres que têm em sua função servir a sociedade e não ao governante em exercício. Estes atos que estamos vivendo pela falta de compromisso com os servidores públicos nos trazem a uma nova modernidade que se coloca contrária a toda e qualquer ação civilizatória e civilizadora por parte dos poderes executivo, legislativo e judiciário do Estado.

O mínimo que podemos dizer é que esses atos estão distantes, muito distantes do que podemos dizer de aceitável, se é que podemos aceitar atos de selvageria contra os servidores e servidoras públicos. Mas o Estado, teimosamente, insiste em sua tese única e demagoga: não temos dinheiro, não temos receita disponível. O que fica para nós é uma forte e incurável doença pela sensação da incompetência de gestão pública, hoje a única certeza. É lamentável chegar ao ponto que estamos chegando e vivendo, no presente, sem uma perspectiva de resolução ao futuro, que a toda hora nos chega, pois a cada dia que se renovam as incompetências, as intransigências, a falta de diálogo, a falta de ética e moral nos poderes públicos constituídos, ficando a certeza de vivermos rumo a um futuro já desgastado.

Hoje o crime que se apresenta contra os servidores públicos do setor público agrícola do Estado está pautado em pontos como: desrespeito às perdas salariais historicamente reconhecidas, demagogicamente assumidas pelo executivo estadual, sem o compromisso de sua resolução. Essa velha prática nos dá a forte demonstração da “presença” do Estado em locais estratégicos de seu interesse político e econômico e não em conformidade a presença de um Estado Prospero e Presente para todos.

Ouso chamar esta atitude de criminosa, que se soma a essa realidade que hoje vivemos e que historicamente estão vivas na memória de cada servidor público do setor agrícola do Estado, pois mais uma vez o Estado nos tira de seu convívio e de sua responsabilidade pública pelas suas atitudes contra o servidor público repaginando sua ação história passada, no presente. O tema, respeito ao servidor e servidora pública do setor agrícola do Estado, teima a ser tratado de forma extemporânea e numa visão míope e unilateral, fazendo parte apenas de um problema a mais a ser tratado por uma gestão pública que já tem muitos para resolver, e a sensação prática que nos fica e de que vai ficando, ficando, até cair em seu total esquecimento.

Mas uma certeza fica: ninguém jamais esquece a dor sofrida, jamais. E fica a sensação de que o Estado não é para administrar dor e sim fatos. Como se esta dor não seja um fato. E fica outro fato: o Estado teima a não compreendê-la e em não se responsabilizar por sua resolução.

Enfim, o Estado está destruindo emocionalmente o próprio Estado, pois certamente desmerecer e desrespeitar o servidor público do setor agrícola, está levando a um caos e uma grave crise social e de gestão pública. E lógico que a melhor e mais atraente resposta é a própria sociedade, pois o gestor público teima em seu “rompante estado de exercício do ato democrático” dizer que “ninguém melhor do que ela – a sociedade, para propor as ações de resolução aos seus problemas”. Assim torna o processo “participativo no espírito e na natureza da incompreensão da democracia pelos gestores públicos”, inserindo-se sem o comprometimento, ou seja, faz da sua vontade a omissão.

Não. Não é tão simples assim sermos vencidos. Se estamos aqui cumprindo nosso papel como servidores públicos é porque não nos venceram. Somos sim vencedores, pois os governos acabam e nos ficamos. E entendemos que a solução de um problema que atinge um tamanho descomunal frente a uma categoria que se vê achatada pelo volume e intensidade desta violência a que está submetida, não terá a sua solução por uma visão rasa e rasteira. Exige uma participação e um compromisso do Estado em discutir, ou melhor, em querer discutir com o servidor, fato este negado há décadas pelos gestores públicos do Estado, negativa esta que se mantém. É preciso querer e ter a vontade verdadeira de sentar no banco da praça pública e, com a diversidade de ideias e conflitos que se estabelece manter o dialogo em busca da solução.

O assunto é difícil de ser digerido, sobretudo por gestores públicos que historicamente tem preferido tomar decisões centralizadas em seus confortáveis espaços de poder ao estar junto das  necessidades dos servidores públicos. Não se pode centralizar a decisão e a forma de ação em um único poder, pois sem a participação e o protagonismo dos servidores públicos não teremos a garantia da continuidade das ações. Ou seja, novamente serão reproduzidos as mazelas e vícios históricos que impregnam e consomem a verdade e a vontade de se construir um novo momento para o Estado, em se construir e vivermos em um Estado verdadeiramente presente.

[1] Engenheiro agrônomo

CREA – ES 2146 D / 11ª Região

Graduação em Agronomia – UFES, Alegre – ES

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