A IN-SUSTENTABILIDADE SOCIAL E AMBIENTAL DIANTE DE NOSSAS URGÊNCIAS

AS ATITUDES HUMANAS E A IN-SUSTENTABILIDADE

SUNDERHUS; Adolfo Brás[1]

Vivemos hoje a antecipação de inquietudes ambientais e sociais projetadas para esta década, e aquelas previstas para somente daqui a cinco décadas. Profundas alterações climáticas, perda das camadas de solos férteis, desaparecimento das florestas e dos animais, surgimento de novas doenças, drástica redução da qualidade de vida e uma profunda sensação de que o tempo encolheu.

Estamos tão envolvidos em nossas tarefas diárias, sempre tão urgentes, que não paramos para refletir sobre o suicídio coletivo que representa o atual estilo de vida, no qual está imersa a maior parte das pessoas e dos gestores públicos. Na agricultura aumentamos a produção, aumentamos o consumo, aumentamos a degradação ambiental e estamos sempre prontos para justificar politicamente mais degradação, desde que criemos cada vez mais novos empregos, para atender cada vez mais pessoas que nascem e começam a consumir, a produzir resíduos e a fazer mais pressão sobre os recursos naturais.

Somos a espécie dominante na Terra e está dominação tem nos transformado em uma “praga”, devido ao nosso comportamento predatório, imediatista, individualista de querer tudo, sempre mais e agora. O atual modelo de desenvolvimento adotado, enquanto gera forte exclusão social, por um lado, gera uma forte opulência, por outro, e ambos degradam. O modelo também gera uma crise de percepção. Para se manter o atual estilo de vida, destroem-se os sistemas de suporte da vida do ambiente natural. Poluímos as águas que bebemos o ar que respiramos e os solos que produzem nossos alimentos. Acabamos com as florestas que garantem a água, o clima ameno, o ar puro e o solo produtivo. Por último, dizimamos os animais que compõem a teia da vida e tornamos alguns deles nossos escravos para servirem de fonte de proteínas. Criamos um caos na cadeia alimentar natural e para nossa sustentabilidade social e econômica comprometendo as gerações futuras.

O analfabetismo e a nossa ignorância ambiental têm nos levado a produzir pressões insuportáveis sobre os sistemas naturais e a capacidade de suporte dos ecossistemas já foi superada a muito. Estamos vivendo de retiradas contínuas de uma poupança na qual não fazemos nenhum depósito atuando no “estilo de garimpo”, garimpando e degradando de forma continua e acelerada nossa própria condição de sustentabilidade e das gerações futuras a uma velocidade de exploração muitas vezes superior à capacidade de regeneração da natureza.

Estamos explorando todos os limites que a nossa ignorância nos permite. Ou será que aquele em que o nosso “conhecimento” nos permite? Um forte retrato desta realidade e a perda da qualidade de vida, de uma forma generalizada de prejuízo, que se traduz de forma diferenciada entre as diversas comunidades e povos, grupos sociais e pessoas. Vai desde a perda de uma cachoeira de água potável a um riacho que sumiu; de um recanto destruído à violência dos assaltos e do desemprego; do empobrecimento estético à erosão cultural; da insensatez de conflitos sociais, econômicos e políticos à arrogância e à ganância que as geram.

O desvio desta rota de colisão com a insustentabilidade e a reversão dessa tendência constitui-se no maior desafio evolucionário a ser enfrentado pela espécie humana deste os tempos em que se organizava em bando, coletivos sociais, comunidades, povos e por fim nação. E este desafio envolve todas as pessoas em todos os ramos e atividades e de todas as classes sociais, do mundo urbano e do mundo rural. Trata-se não mais de um experimento onde medimos as possíveis consequências. E uma realidade e estamos todos juntos nesta realidade, nossa família, nossa capacidade empreendedora, nosso futuro.

O enfrentamento deste desafio requer novas ferramentas teóricas, novas práticas e sobretudo o resgate dos saberes e dos valores e da criação coletiva de novos saberes e valores, sintonizados com uma ética e comprometimento social produtivo econômico ambiental político, e sobretudo humanizadora, capaz de promover o desenvolvimento de habilidades e competências comprometidos com mudanças em prol da sustentabilidade hoje e do futuro.

[1]Engenheiro agrônomo

CREA – ES 2146 D / 11ª Região

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