OS CICLOS DA MALDADE NO ESTADO

O ESTADO EM DOIS CICLOS DE MALDADES – CONCENTRAÇÃO DA RIQUEZA E DA POBREZA NA SOCIEDADE

SUNDERHUS; Adolfo Brás[1]

Muito se tem falado da riqueza que está presente no Estado. As falas políticas que insistem em manter este “estado de espírito” escondem uma forte realidade social.

Os dados publicados no Jornal A Gazeta de 21/junho/2015 à página 48/49 – Economia descortina e mostra uma realidade que os poderes políticos locais tentam esconder a todo custo, mostrando que “pessoas que até pouco tempo melhoram de vida, mas, agora, tem dificuldades, por causa da falta de estudo e de qualificação profissional, de acompanhar a evolução já apresentada pelo Espírito Santo”. “Mesmo assim não podemos negar a ascensão financeira vivida pelo Estado nos últimos anos”.

Os dados deixam claro que desde 2003 as falas políticas sempre têm exaltado este “progresso/desenvolvimento”. Falas políticas para justificar ações econômicas com destino certo têm sido largamente utilizadas como, por exemplo, que estamos vivendo um “ciclo virtuoso de crescimento” e de “distribuição dos frutos do progresso”.

Vivemos sim um período de crescimento econômico, e ainda estamos nele, só que este “ciclo virtuoso” e altamente concentrador a uma elite que detém o poder econômico e político no Estado, que definem ações de desenvolvimento a longo prazo dentro de sua visão individualizada e de acordo com os seus interesses, estabelecendo um atendimento ao “tamanho do poder” por eles constituídos, ou ofertado ao poder político-público.

A renda média do trabalhador capixaba de acordo com os dados da Pesquisa Nacional de Amostra em Domicílios (Pnad) do IBGE, e de R$ 1.733,00. Esta renda tão baixa está relacionada ao perfil do mercado de trabalho do Estado, concentrada no setor do comercio e da agricultura, setores estes que aparentemente exigem mão de obra pouco qualificada. Na verdade, o que temos e a exploração do trabalhador pelo empregador, que mantem este discurso elitista e excludente justificando sua atitude de manter seu lucro, gerando um ciclo de exploração social e econômica das pessoas no mercado de trabalho, associado ao Estado que deveria, em conjunto com esta sociedade empregadora, buscar identificar nestas atividades os seus gargalos, para propor medidas de qualificação profissional que permitam elevar a renda da população. Pela evolução histórica dos dados acima e pela realidade das políticas públicas dos governos estamos longe deste compromisso.

Outro dado que a reportagem nos traz e a realidade histórica da concentração da visão em uma única atividade, como se ela fosse o todo do Estado: o petróleo. Sendo o Estado o segundo maior produtor do país, os dados mostram que entre 2003 e 2015 o Estado recebeu mais de R$ 8,1 bilhões de reais em royalties e participação especial. O PIB capixaba de 2002 para 2012 experimentou um crescimento da ordem de 300%. A receita local passou de R$ 31 bilhões para R$ 107 bilhões, a maior alta percentual do país. Em 2013 dados mostraram que o PIB tinha alcançado R$ 113,7 bilhões. Em 2014 as previsões apontam para um volume de recursos movimentados na ordem de R$ 127,8 bilhões. Ou seja, o Estado do Espírito Santo está longe de se apresentar em crise, mesmo com a insistência das falas políticas e do atual governo.

Vemos, portanto, que o Estado realmente vive um “ciclo virtuoso alimentando o vício histórico do poder econômico e político”. A matéria diz “nossa economia é peculiar. A riqueza gerada não é apropriada pela população”. Este fato nos chama atenção especial, pois sendo que, para gerar esta riqueza, e necessário que trabalhadores e trabalhadoras, e que o resultado desta mão de obra é gerador de uma imensa riqueza, e ai fica a pergunta por que será que temos um forte quadro de pobreza e de exclusão social e econômica? A resposta está na nossa realidade empregadora. Os setores que mais contribuem para o PIB do Estado são os que menos empregam, ou seja, o Espírito Santo, segundo fala da presidente do Instituto Jones Santos Neves (IJSN), Andrezza Rosalém Vieira, “que o Estado e dependente das grandes indústrias”. “Andrezza ressalta ainda que em outras regiões há uma divisão maior na geração da riqueza com outros setores, como o agrícola e o de comercio e serviços”. Esta realidade, segundo pesquisa realizada pelo IJSN com base na Pnad, mostra que o Estado viveu uma queda da ordem de 5% na renda per capita das famílias entre 2002 e 2013, período em que o Estado adotou em seu discurso político, a fala do “ciclo virtuoso e da distribuição dos frutos do progresso”. O que vemos é, portanto, uma realidade distante deste discurso.

Certamente e preciso que o poder público e a classe empregadora centrem os seus esforços mostrando seu comprometimento com a sociedade em programas não com foco de proteção social, pois estes são na verdade muletas sociais e econômicas que geram dependência. E importante o comprometimento com “a qualificação da mão de obra dos trabalhadores e trabalhadoras, com formação educacional transformadora que permita aumentar a produtividade, mas também criar ambientes de trabalho e empregos com bons salários”, afirma o pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Rafael Osório.

[1] Engenheiro agrônomo – CREA – ES 2146 D / 11ª Região – Graduação em Agronomia – UFES, Alegre – ES

 

 

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s