UM DOMINGO SOCIAL E CIDADÃO – 13 DE MARÇO DE 2016

MANIFESTAÇÕES EXPRESSANDO CIDADANIA E LEGITIMIDADE SOCIAL

Sunderhus; Adolfo Brás[1]

Machado; Thanany Dario[2]

Uma expressão legitima de cidadania levou milhares de cidadãos às ruas neste último domingo, 13 de março de 2016. Um domingo que, na roça e na cidade, nos chama a reflexão quanto ao tema da Campanha da Fraternidade deste ano – “Casa comum, nossa responsabilidade” tendo como Lema – “Quero ver o direito brotar como fonte e correr justiça qual riacho que não seca”. Referida campanha tem como objetivo chamar a atenção para um problema que afeta toda sociedade, o saneamento, destacando a sua importância para garantir o desenvolvimento, a saúde integral e a qualidade de vida para todos.

Este momento vivido por todos direta ou indiretamente, para muitos pela primeira vez, nos permite questionar sobre qual objetivo e qual a sua importância para a sociedade. Será que a sua centralidade diz respeito a um governo e sua gestão? Sobre a moralidade política de partidos, e sobre a visão da sociedade e a busca pelo controle?

Historicamente a Campanha da Fraternidade nos chama incondicionalmente para vivermos um sentimento de felicidade. As reflexões sobre a “Dignidade Humana e paz” (2000), trazendo como lema “Novo Milênio sem exclusões”;Solidariedade e Paz”(2005), com  o lema “Felizes os que promovem a paz”;Economia e Vida”(2010), com forte ponderação: “Vocês não podem servir a Deus e ao dinheiro”, evocando os princípios da solidariedade e do bem comum.

Em 2015/2016 nos chama para vivermos a “Casa comum, nossa responsabilidade” tendo o exercício do direito e da justiça como lema, sendo eles o elemento fundamental para o desenvolvimento sustentável da sociedade. Em uma análise conjunta com as manifestações ocorridas no domingo 13 de março é possível acreditar que a vontade de todos e todas que ali estavam, seja de qual lado estivessem, pode ser resumida em uma frase que todos merecemos: ser feliz.

Não podemos admitir que a nossa felicidade seja sabotada e garimpada ao prazer de determinadas agremiações de interesses políticos e próprios, afinal vivemos em uma sociedade que se constrói pela soma e pela multiplicação de esforços, tendo nesta busca pela felicidade pessoas de elevada intenção coletiva e de interesse público.

No exercício de todo este processo humano e social da Campanha da Fraternidade, nesses 15 anos, não podemos admitir que participem deste momento os aproveitadores que vivem dos proventos financeiros que se acumulam em famílias e pessoas que se locupletam das benesses geradas, em especial pela ditadura pelo regime militar. Fica a certeza de que pessoas de elevada intenção cívica certamente não andaram lado a lado com estes que andam à sombra da ditadura militar no século XXI.

 Não se pode imaginar que, em um ato pela paz e pela civilidade, tenha-se admitido abraços e cumprimentos de mãos que trazem o sangue de inocentes, derramado no chão das fabricas e na roça, naquele momento da história. Se este abraço ocorreu, então algo de muito, de muito errado está acontecendo em nossa sociedade e, de fato, precisamos repensar e repaginar nossos conceitos de ética, de respeito e de moral quando falamos e participamos de atos que buscam a democracia e a construção de um Estado de direito e de justiça social e econômica para todos.

O momento vivido é do reconhecimento de que todos têm o direito de exercer e expressar sua ação cidadã, não se podendo em razão dos novos tempos, em que outras classes enchem os aeroportos, as universidades, compram carro novo e lotam o teatro em uma peça cultural, se deixar enfurecer. Falamos de uma classe social chamada pelos intolerantes de “desdentada”, de pobres e esfarrapados, mas são cidadãos, gente como cada um de nós.

O que parece verdadeiramente, e nos chama a atenção, é que não é a crise, mas sim a falta de escravos na cidade e na roça, para atender as vontades dos senhores que está nos enfurecendo e nos distanciando dos princípios da vida.

Não podemos ir para ruas e avenidas alimentando o ódio por pessoas, sejam de esquerda ou de direita, ao seu julgamento. Devemos sim acreditar que este momento possa ter contribuído para que cada um de nós, tenha tido a oportunidade de exercer uma superioridade moral, andando não para um Estado de senhores e servos e sim para um Estado democrático, mais justo e igualitário.

Precisamos cada vez mais acreditar e lutar, de forma unida, por uma causa moralmente elevada, que tenha sua construção e alicerce suficientemente fortes para vencer e resistir a estes desprezíveis seres antidemocráticos. Podemos não ser muitos, mas tenho certeza que o caminho é este e este é o maior desafio: Ser Feliz.

[1] Engenheiro Agrônomo – CREA – ES 2146 D / 11ª Região – Graduação em Agronomia – UFES, Alegre – ES.
[2] Advogada – OAB/ES Nº 11.116 – Graduação em Direito – UVV, Vila Velha – ES.

3 comentários sobre “UM DOMINGO SOCIAL E CIDADÃO – 13 DE MARÇO DE 2016

  1. Parabéns, Adolfo, pelo post. Realmente, temos que repensar o que queremos para nossos filhos e netos, no futuro deste país maravilhoso.

    • Obrigado camarada pelo retorno…Precisamos sim investir nesse futuro….E vou me dedicar a isto a partir de agora mais do que já fiz. Abraço carinhoso compadre…

  2. Acertada reflexão, Adolfo! Por óbvio que a corrupção trás indignação a todos nós (apesar de saber que ela existe desde sempre no Brasil), mas o que mais causa indignação é a enorme desigualdade social que existe em nosso país. Não é possível achar normal que exista gente que passa fome e não tem um teto, não é possível se conformar com o destino medíocre dos jovens pobres. Essa polarizacão fomentado pela mídia (criminosa) faz com que todos se esqueçam do que realmente é essencial. E um país inteiro fica debatendo se o triplex é ou não do Lula. Sinceramente, mais importante é abrir as senzalas da miséria! Abraço grande.

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